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Dia das Mães

A mãe ideal e a real

 

Maria Luiza Curti
Psicóloga
luizacurti@dominiofeminino.com.br
mlcurti@uol.com.br

Boa, boa, boa! Tem que ser infinitamente boa a mãe dos nossos sonhos. Simpática, inteligente, carinhosa, doce, equilibrada, sem histerismos, e que:

 

 

Esteja presente e de bom humor sempre que nós precisarmos dela.

Seja tolerante com nossos erros e comemore nossos acertos.

Acolha sempre com um sorriso angelical e a mesa farta todos os coleguinhas (mesmo os que falam alto e dizem palavrões) que quisermos trazer para casa, a qualquer hora do dia ou da noite.

Esteja sempre disposta a nos ouvir com paciência quando queremos desabafar queixas e tristezas e, que cuide silenciosamente dos seus afazeres sempre que queremos ficar quietos em nosso canto.

Alegre-se conosco quando estivermos felizes.

Esteja sempre bem vestida, seja dona de uma elegância e modos discretos e refinados.

Fique extremamente feliz quando lhe pedimos aquele dinheirinho fora do orçamento.

Sua voz, ao nos falar, seja sempre macia e melodiosa, nunca estridente.

Se, acaso nossos pais se separarem, ou mesmo, se ele falecer, que ela se volte de bom grado para os cuidados da casa e se dedique aos filhos e aos netos pelo resto dos seus dias...

Através das nossas vivências, desde criança, vamos montando interiormente a mãe dos nossos sonhos. Cada um tem sua mãe ideal que foi reunindo pedacinhos aqui e ali e compondo: algumas coisas da própria mãe, da avó, outros detalhes das mães de amigos, de filmes, livros, etc... Quando se compara a mãe ideal com a real e verificamos que não bate uma com a outra, daí vem as insatisfações, as implicâncias, e aquele: "Não sei porque minha mãe é assim!..."

Seria incorreto dizer que todos são insatisfeitos com a mãe que tem, inúmeros filhos estão satisfeitíssimos com as próprias mães, outros, gostariam apenas de algumas pequenas mudanças. Entretanto, já vi casos de grande insatisfação.

A mãe real pode:

Sofrer de TPM e nesses dias não ser tão maravilhosa quanto gostaríamos.

Nem sempre estar ao nosso alcance quando precisamos dela.

Às vezes ter muita paciência, outras vezes perder e demorar a encontrar.

Falar gritando quando gostaríamos de ouvi-la baixinho ou mesmo que se calasse.

Ter a mania de vestir-se na "última moda" e por isso a achamos ridícula.

Ser xereta e mexer nos nossos pertences.

Ouvir nossas conversas com colegas na extensão do telefone.

Ter "chiliques" e "peripaques".

Ser ausente ou presente demais.

Nem sempre ter tempo para preparar nossos pratos preferidos porque está estudando ou trabalhando fora.

Teimar em dar sua opinião quando gostaríamos que ela apenas escutasse e concordasse conosco.

Namorar e fazer sexo, quando gostaríamos de pensar que ela é assexuada.

Muitos conflitos entre mãe e filhos poderiam ser amenizados se os filhos começassem a elaborar uma aceitação. Promover uma aproximação maior da mãe ideal com a real, com seus erros, seus acertos, desejos, decepções, alegrias, tristezas, enfim, um ser humano que pode não ser a mãe idealizada, mas tem um jeito especial e todo próprio de nos amar muito.

E, é bom "abaixar a bola" e, começar a pensar que, você também pode não ser o filho idealizado, mas gosta de ser amado assim como é, não?

 

 

Sobe

 

                    

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