“Quando
nada parece ajudar, eu vou e olho o cortador de pedras martelando
sua rocha talvez cem vezes sem que nem uma só rachadura
apareça. No entanto, na centésima primeira martelada, a
pedra se abre em duas e eu sei que não foi aquela a que
conseguiu, mas todas as que vieram antes.” - Jacob
Riis (1849 - 1914), jornalista, reformista social e fotógrafo
pioneiro no uso do flash, dinamarquês-americano.
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O
monopólio da guilhotina
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Jorge
Geisel
Dizia Alberto Sales, vulto
da nossa história republicana, ligado à
corrente liberal paulista, que o brasileiro
é sociável mas pouco solidário. Provavelmente,
desejava expressar a idéia de que conseguíamos
conviver em grupos limitados, mas no fundo
incompetentes para nos organizarmos em sociedade
mais ampla.
Para
prosseguir
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Tenho ouvido críticas
ao Capitalismo, mesmo por parte daqueles que pretendem defendê-lo
atacando suas imperfeições. Alguns afoitos, ou mal intencionados,
chegam a considerar que a crise globalizada nasceu do "laisser-faire
de Adam Smith"...
Ora, em nenhum momento dos EUA, ou de
qualquer outro país do mundo, a teoria liberal clássica foi
plenamente aplicada. Algumas economias foram influenciadas
por aspectos liberais, mas sem qualquer devoção aos princípios
do Liberalismo Clássico. E a verdade pode ser constatada pela
própria denominação de "liberals" aos políticos do Partido
Democrata dos EUA, quando representa a antítese do liberalismo
capitalista prescrito por qualquer uma das escolas atualizadoras
do Liberalismo Clássico, como a Austríaca e a de Chicago,
por exemplo.
Convenhamos,
não haverá economia capitalista, e nem socialista, que consiga
sobreviver sem crises esporádicas, cíclicas ou fatais (vide
URSS...), se submetida a corridas armamentistas ilimitadas,
a guerras sucessivas, a necessidades nascidas da hegemonia
política, a abusos dos privilégios de estado e a políticas
fiscais deterioradas por assistencialismos eleitoreiros, sempre
despregados da produtividade e da lucratividade dos pagadores
de tributos.
Depreende-se,
então, que as economias estão muito sujeitas a fatores políticos
fora do controle do Mercado, com sucessos ou desastres proporcionais
à capacidade de cada Estado em administrar conflitos e perdas
de rentabilidade, cuja intervenção poderá ser mais ou menos
eficiente em abalar a normalidade das causas e efeitos do
mundo econômico.
As
perdas em escala macroeconômica, então, podem ser recuperadas
em parte, quase sempre quantitativamente e sob perdas irreparáveis
de qualidade, com obscurecidas previsões de perdas maiores
ainda no futuro, quando o Estado age em função das demandas
dos corporativismos e das pressões sociais, intervindo como
maestro nas decisões que caberiam aos próprios sujeitos e
agentes econômicos, formadores da verdadeira riqueza nacional.
A
delegação de poderes de intervenção política na economia,
geralmente, é aceita sem reservas pela Iniciativa Privada
e pela Opinião Pública, como mera extensão natural dos poderes
implícitos e jurisdicionais já anteriormente concedidos e
que acabaram produzindo atalhos e caminhos direcionados ao
abismo, que pretendem agora entupir dando passagem a novos
horizontes. Pouca gente questiona o custo e a segurança da
obra, muito menos a qualidade política da outra margem, incautamente
em busca de novas incertezas.
Estamos
vivendo a crise promovida pelos excessos de Estado e suas
amoralidades, pela ausência de estadistas da Liberdade no
mundo de hoje. Temos, sim, estatistas, liderando promessas
indiscriminadas de paraísos na Terra, aonde a procura da felicidade
possa ser substituída por uma casinha dormitório, hospital
e escola de graça, na religiosa convicção de que a servidão
voluntária significa a libertação de qualquer juízo final.
(
* ) Jorge E. M. Geisel é advogado.
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