Nós
brasileiros não temos cultura de poupança
nem de investimentos mas o quadro começa a mudar.
É comum encontrar quem confunda investimento
com despesa, como é o caso de seguro. Já
vimos, na própria internet, aconselhamento sobre
como priorizar corte nas despesas da família
e o seguro do automóvel e outros bens, serem
incluídos. Não há maior demonstração
de terceiro mundo. Não há maior demonstração
do que considera-se despesas o que é investimento.
Seguro é preservação do patrimônio
existente.
Imagine
que uma família tendo resolvido cortar custos
por algum motivo, até para fazer poupança
e assim poder investir em qualquer outro interesse comum
a toda a família, resolva cortar o seguro do
automóvel, o de vida ou de responsabilidade civil.
Um acidente com o automóvel, um acidente com
uma visita dentro da sua casa, poderá ser fatal
ao bolso. O carro roubado, que estava sem seguro, para
quem seguiu os aconselhamentos dos "especialistas"
pode acabar com todas as possibilidades de economizar
ou poupar, por muitos longos anos.
Isso
é o que se poderia chamar de economia pouco inteligente.
Há
ainda contra nós, o fato de nunca termos sofrido
as carências decorrentes de uma guerra civil.
Os países que tiveram que conviver com tal desespero
sabem exatamente a quantidade de alimento que deve ser
posta no prato e por isso são países que
apresentam grande poder econômico, cuja base advém
da poupança interna. Onde as famílias
se preocupam em poupar para garantir a educação
dos filhos na faculdade, garantir o lazer das viagens
de férias, por exemplo.
Investir
em bolsas de valores, é um tipo de investimento
quase que, totalmente, desconhecido para a maioria dos
brasileiros. Comprar ações de uma empresa
é coisa que passa por poucas cabeças.
Não apenas por desinformação; não
só isso, mas porque os grandes escândalos
que têm pontilhado esse seguimento de mercado
têm, também, deixado marcas.
Um
dos mais ecoantes aconteceu na década de 70,
com os Fundo 157 de incentivo fiscal — tudo que fala
em " incentivo fiscal" causa uma certa desconfiança,
um sentimento de total manipulação –
que eram títulos do governo.
Mas
antes dos escândalos do famoso Fundo 157, na década
de 60, aconteceu o golpe do Carnê Fartura. Foi
aí que deu-se início às invenções
espertas dos carnês. Década de 80, a Caderneta
de Poupança Delfim deixou muitos infelizes desabrigados.
Outros e outros. Naji Nahas, é controvérsia
até hoje.
Entre
as corretoras de valores mobiliários, um dos
donos, por vergonha de ter perdido o dinheiro de seus
clientes suicidou-se com um tiro na cabeça. Morreu
por vergonha: Raimundo de Britto. As versões
para aquele fato foram e são muitas até
hoje. Mas o fato é que houve alguém com
responsabilidade e pudor e se assim não tivesse
sido estaria por aí brindando à pobreza
da clientela.
Nesses
casos, nem sempre quem investe em ações
ou qualquer que seja o tipo de investimento no mercado
de capitais e que venha a perder algum dinheiro significa
que foi roubado. Perder e ganhar faz parte dos riscos
em qualquer tipo de investimento. Até quando
se monta uma banca para vender bananas na feira. Principalmente
em se tratando de material perecível. Volátil,
no caso de investimentos financeiros.
Especular é ou não é crime? "Não
é crime", afirma Dr. Fernando Saboya, presidente
do www.acaodirect.com e diretor da Theca CCTVM,
" pelo contrário, é salutar ao mercado.
O que se entende por especulação fraudulenta,
nós chamamos de maninupalação;
essa sim — continua Dr. Roberto Saboya — , essa é
crime" .
Mas
para maior proteção do Mercado falta ainda
a C.V.M. aperfeiçoar a Instrução
N. 31 que regula a divulgação e o uso
de informações sobre ato ou fato relevante
relativo às S/As ( empresas de capital aberto,
ou seja que podem emitir ações que são
negociadas nas bolsas de valores ).
Essa
Instrução define o que são atos
ou fatos considerados relevantes; o dever dos administradores
de comunicar e divulgar ato ou fato relevante ocorrido
nos negócios da companhia; o dever dos administradores
e acionistas controladores de guardar sigilo das informações
às quais tenham acesso privilegiado e a proibição
de seu uso até que sejam divulgadas ao mercado;
o dever de comunicação sobre a negociação
com valores mobiliários da própria companhia.
Ela é importante, pois visa a coibir o uso indevido
de informações privilegiadas, o chamado
"insider trading". Esta prática
consiste na negociação de valores mobiliários
realizada por pessoas ligadas direta ou indiretamente
às empresas abertas, valendo-se de informações
que não são de conhecimento público.
Uma
operação, quando denunciada, ela é
investigada pela C.V.M como aconteceu recentemente com
as ações da Santista, cuja operação
foi suspensa pelo Poder Judiciário passando a
ser alvo de investigações da C.V.M.
Esta
situação demonstra a premência de
uma agência reguladora forte, nos moldes da norte-americana
Securities and Exchange Commission. Vem desenvolvendo
programas cada vez mais sofisticados de vigilância
destinados a detectar casos suspeitos de uso de "inside
information". O inside information,
nada mais é do que usar de privilégios
do conhecimento de informações sigilosas
para negociações.
Exemplo de especulação
fraudulenta: eu afirmo que as ações
da FUBA — uma empresa hipotética—, vão
subir e consigo fazer com que todos os meus clientes
comprem ações daquela empresa. Outras
instituições financeiras, baseadas no
reconhecimento da minha competência e "faro"
, vão acreditar e vão, também,
comprar as tais ações. Não apenas
isso, vão indicar a compra para seus clientes.
Faço com que todo mundo corra e compre ações
da FUBA. Ocorre que eu não tenho respaldo algum
para garantir que as ações daquela empresa
em breve estarão valorizadas. Isto é uma
especulação fraudulenta. Posso ter inventado
que soube que a FUBA está para fechar negócio
de compra de outra grande empresa onde ela será
acionista majoritária e seu poder de capital
aumenta, por exemplo. Aliás um exemplo bem simples,
talvez não exista outro mais simples.
Segundo
se afirma, foi isso que o Naji Nahas teria feito. Mais
ou menos por aí.
Mas
o fator mais grave, é que os padrões contáveis
praticados no Brasil não oferecem margem de confiabilidade
suficiente para que se possa insistir em estimular este
tipo de investimento, o que poderia ser dito é
que são nebulosos, visto que o investidor fica
ao sabor e gosto da honestidade das empresas emissoras
dos papeis. Dizendo claramente que, um balanço
pode ser mascarado a despeito da vigilância da
C.V.M. ( Comissão de Valores Mobiliários
) — reguladora das empresas de capital aberto, — as
que podem ter suas ações nas bolsas de
valores — e em última instância, o Conselho
Monetário Nacional, a mais alta instância
normativa do Sistema Financeiro Nacional, e cujas normas
devem ser obedecidas por todos os seus integrantes,
incluindo aí a própria C.V.M. e o Banco
Central. Essas normas são conhecidas por Resoluções.
Para contribuir, as leis das S/As ( sociedades de capital
aberto ou sociedades anônimas ) não saiu
ainda do papel.
Outro
dado injusto, ainda é o pagamento dos dividendos
através de filhotes que nada mais é do
que o pagamento dos dividendos efetuado com mais ações
(nascidas do lucro das empresas) — mas que, para Guilhereme
Barillari, gerente de mesa de operações
da Theca ( cctvm ), " hoje em
dia, poucas são as empresas que remuneram através
de filhotes. Muitas remuneram em dinheiro mesmo".
Mas
nem tudo é desanimador, pelo contrário,
um importante fator para o desenvolvimento do mercado
de capitais no Brasil nos últimos anos foi a
presença atuante de investidores estrangeiros.
Esses
agentes econômicos trouxeram além de capitais,
a cultura do moderno gestor de recursos, acostumado
à segurança proporcionada pelas regras
vigentes em seu país de origem. Regras estas
que incluem a proteção do investidor através
de mecanismos legais eficientes e agências reguladoras
independentes e atuantes.
Não
fosse o enorme potencial de crescimento das empresas
e a perspectiva de retornos superiores à média,
esses fundos internacionais jamais submeteriam suas
aplicações aos riscos a que estão
expostos no Brasil. No atual momento eles acompanham
com a máxima atenção o desenrolar
das reformas na Lei das S/A bem como as propostas em
relação à C.V.M. Certamente se
avançarmos em direção ao verdadeiro
equilíbrio entre acionistas individuais, minoritários
e majoritários, os reflexos serão imediatamente
observados no aumento do volume de investimentos que
beneficiará às empresas através
da diminuição dos custos de captação
e, aos controladores, minoritários e investidores
pelo ajuste do preço de seus ativos ao efetivo
valor.
Há
saídas seguras, corretoras de valores sérias
e por isso vale a pena investir em ações.
Além de tudo é estimulante.
Se
você resolver jogar um tico-ticos na bolsa de
valores, lembre-se de você não deve fazer
uso de poupança já alocada para outros
projetos. Faça uso das sobras das rendas. Compre
as ações de uma boa empresa e deixe dormir
lá, mas com olho na alta. Quando seu corretor
acenar, venda e torne a comprá-las em lotes maiores
ou seguir as orientações do seu corretor.
Isso se tratar-se de um capital que você pode
deixar disponível.
Além de poder ganhar
dinheiro você se diverte.