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Seguro é investimento
 
 

Seu patrimônio em boas mãos.

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    Vamos às compras

        Suzana Bertioga
        25, Maio/2001

 

Uma nova modalidade de fazer compras, para nós mulheres que estamos pouco acostumadas com o mercado financeiro e de capitais, embora as melhores analistas de investimentos sejam mulheres. A aparência árida do Mercado de Capitais, por exemplo, é pura adrenalina. Não tem nada de árida. Um mercado sensível e oscilante mas que pode mudar os rumos da sua vida. Aqui o mall tem outra dimensão. É permanentemente ligado por nervosos feixes, ao mundo inteiro. Mas antes de aventurar-se procure conhecer um pouco mais sobre o assunto.

Nós brasileiros não temos cultura de poupança nem de investimentos mas o quadro começa a mudar. É comum encontrar quem confunda investimento com despesa, como é o caso de seguro. Já vimos, na própria internet, aconselhamento sobre como priorizar corte nas despesas da família e o seguro do automóvel e outros bens, serem incluídos. Não há maior demonstração de terceiro mundo. Não há maior demonstração do que considera-se despesas o que é investimento. Seguro é preservação do patrimônio existente.

Imagine que uma família tendo resolvido cortar custos por algum motivo, até para fazer poupança e assim poder investir em qualquer outro interesse comum a toda a família, resolva cortar o seguro do automóvel, o de vida ou de responsabilidade civil. Um acidente com o automóvel, um acidente com uma visita dentro da sua casa, poderá ser fatal ao bolso. O carro roubado, que estava sem seguro, para quem seguiu os aconselhamentos dos "especialistas" pode acabar com todas as possibilidades de economizar ou poupar, por muitos longos anos.

Isso é o que se poderia chamar de economia pouco inteligente.

Há ainda contra nós, o fato de nunca termos sofrido as carências decorrentes de uma guerra civil. Os países que tiveram que conviver com tal desespero sabem exatamente a quantidade de alimento que deve ser posta no prato e por isso são países que apresentam grande poder econômico, cuja base advém da poupança interna. Onde as famílias se preocupam em poupar para garantir a educação dos filhos na faculdade, garantir o lazer das viagens de férias, por exemplo.

Investir em bolsas de valores, é um tipo de investimento quase que, totalmente, desconhecido para a maioria dos brasileiros. Comprar ações de uma empresa é coisa que passa por poucas cabeças. Não apenas por desinformação; não só isso, mas porque os grandes escândalos que têm pontilhado esse seguimento de mercado têm, também, deixado marcas.

Um dos mais ecoantes aconteceu na década de 70, com os Fundo 157 de incentivo fiscal — tudo que fala em " incentivo fiscal" causa uma certa desconfiança, um sentimento de total manipulação – que eram títulos do governo.

Mas antes dos escândalos do famoso Fundo 157, na década de 60, aconteceu o golpe do Carnê Fartura. Foi aí que deu-se início às invenções espertas dos carnês. Década de 80, a Caderneta de Poupança Delfim deixou muitos infelizes desabrigados. Outros e outros. Naji Nahas, é controvérsia até hoje.

Entre as corretoras de valores mobiliários, um dos donos, por vergonha de ter perdido o dinheiro de seus clientes suicidou-se com um tiro na cabeça. Morreu por vergonha: Raimundo de Britto. As versões para aquele fato foram e são muitas até hoje. Mas o fato é que houve alguém com responsabilidade e pudor e se assim não tivesse sido estaria por aí brindando à pobreza da clientela.

Nesses casos, nem sempre quem investe em ações ou qualquer que seja o tipo de investimento no mercado de capitais e que venha a perder algum dinheiro significa que foi roubado. Perder e ganhar faz parte dos riscos em qualquer tipo de investimento. Até quando se monta uma banca para vender bananas na feira. Principalmente em se tratando de material perecível. Volátil, no caso de investimentos financeiros.

Especular é ou não é crime? "Não é crime", afirma Dr. Fernando Saboya, presidente do www.acaodirect.com e diretor da Theca CCTVM, " pelo contrário, é salutar ao mercado. O que se entende por especulação fraudulenta, nós chamamos de maninupalação; essa sim — continua Dr. Roberto Saboya — , essa é crime" .

Mas para maior proteção do Mercado falta ainda a C.V.M. aperfeiçoar a Instrução N. 31 que regula a divulgação e o uso de informações sobre ato ou fato relevante relativo às S/As ( empresas de capital aberto, ou seja que podem emitir ações que são negociadas nas bolsas de valores ).

Essa Instrução define o que são atos ou fatos considerados relevantes; o dever dos administradores de comunicar e divulgar ato ou fato relevante ocorrido nos negócios da companhia; o dever dos administradores e acionistas controladores de guardar sigilo das informações às quais tenham acesso privilegiado e a proibição de seu uso até que sejam divulgadas ao mercado; o dever de comunicação sobre a negociação com valores mobiliários da própria companhia. Ela é importante, pois visa a coibir o uso indevido de informações privilegiadas, o chamado "insider trading". Esta prática consiste na negociação de valores mobiliários realizada por pessoas ligadas direta ou indiretamente às empresas abertas, valendo-se de informações que não são de conhecimento público.

Uma operação, quando denunciada, ela é investigada pela C.V.M como aconteceu recentemente com as ações da Santista, cuja operação foi suspensa pelo Poder Judiciário passando a ser alvo de investigações da C.V.M.

Esta situação demonstra a premência de uma agência reguladora forte, nos moldes da norte-americana Securities and Exchange Commission. Vem desenvolvendo programas cada vez mais sofisticados de vigilância destinados a detectar casos suspeitos de uso de "inside information". O inside information, nada mais é do que usar de privilégios do conhecimento de informações sigilosas para negociações.

Exemplo de especulação fraudulenta: eu afirmo que as ações da FUBA — uma empresa hipotética—, vão subir e consigo fazer com que todos os meus clientes comprem ações daquela empresa. Outras instituições financeiras, baseadas no reconhecimento da minha competência e "faro" , vão acreditar e vão, também, comprar as tais ações. Não apenas isso, vão indicar a compra para seus clientes. Faço com que todo mundo corra e compre ações da FUBA. Ocorre que eu não tenho respaldo algum para garantir que as ações daquela empresa em breve estarão valorizadas. Isto é uma especulação fraudulenta. Posso ter inventado que soube que a FUBA está para fechar negócio de compra de outra grande empresa onde ela será acionista majoritária e seu poder de capital aumenta, por exemplo. Aliás um exemplo bem simples, talvez não exista outro mais simples.

Segundo se afirma, foi isso que o Naji Nahas teria feito. Mais ou menos por aí.

Mas o fator mais grave, é que os padrões contáveis praticados no Brasil não oferecem margem de confiabilidade suficiente para que se possa insistir em estimular este tipo de investimento, o que poderia ser dito é que são nebulosos, visto que o investidor fica ao sabor e gosto da honestidade das empresas emissoras dos papeis. Dizendo claramente que, um balanço pode ser mascarado a despeito da vigilância da C.V.M. ( Comissão de Valores Mobiliários ) — reguladora das empresas de capital aberto, — as que podem ter suas ações nas bolsas de valores — e em última instância, o Conselho Monetário Nacional, a mais alta instância normativa do Sistema Financeiro Nacional, e cujas normas devem ser obedecidas por todos os seus integrantes, incluindo aí a própria C.V.M. e o Banco Central. Essas normas são conhecidas por Resoluções. Para contribuir, as leis das S/As ( sociedades de capital aberto ou sociedades anônimas ) não saiu ainda do papel.

Outro dado injusto, ainda é o pagamento dos dividendos através de filhotes que nada mais é do que o pagamento dos dividendos efetuado com mais ações (nascidas do lucro das empresas) — mas que, para Guilhereme Barillari, gerente de mesa de operações da Theca ( cctvm ), " hoje em dia, poucas são as empresas que remuneram através de filhotes. Muitas remuneram em dinheiro mesmo".

Mas nem tudo é desanimador, pelo contrário, um importante fator para o desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil nos últimos anos foi a presença atuante de investidores estrangeiros.

Esses agentes econômicos trouxeram além de capitais, a cultura do moderno gestor de recursos, acostumado à segurança proporcionada pelas regras vigentes em seu país de origem. Regras estas que incluem a proteção do investidor através de mecanismos legais eficientes e agências reguladoras independentes e atuantes.

Não fosse o enorme potencial de crescimento das empresas e a perspectiva de retornos superiores à média, esses fundos internacionais jamais submeteriam suas aplicações aos riscos a que estão expostos no Brasil. No atual momento eles acompanham com a máxima atenção o desenrolar das reformas na Lei das S/A bem como as propostas em relação à C.V.M. Certamente se avançarmos em direção ao verdadeiro equilíbrio entre acionistas individuais, minoritários e majoritários, os reflexos serão imediatamente observados no aumento do volume de investimentos que beneficiará às empresas através da diminuição dos custos de captação e, aos controladores, minoritários e investidores pelo ajuste do preço de seus ativos ao efetivo valor.

Há saídas seguras, corretoras de valores sérias e por isso vale a pena investir em ações. Além de tudo é estimulante.

Se você resolver jogar um tico-ticos na bolsa de valores, lembre-se de você não deve fazer uso de poupança já alocada para outros projetos. Faça uso das sobras das rendas. Compre as ações de uma boa empresa e deixe dormir lá, mas com olho na alta. Quando seu corretor acenar, venda e torne a comprá-las em lotes maiores ou seguir as orientações do seu corretor. Isso se tratar-se de um capital que você pode deixar disponível.

Além de poder ganhar dinheiro você se diverte.

 

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