É
impressionante a facilidade com que o tal de "mercado"
desvaloriza o Real, faz cair as Bolsas e aumentar os juros
.E tudo de uma vez , contrariando qualquer teoria econômica,
seja ela qual ou de quem for. A única consistência
nisso é o fato de que, eles estão ganhando
em todas as pontas e, como sempre que alguém ganha
, outro alguém está perdendo, não precisa
ser muito esperto para descobrir que o alguém que
perde somos todos nós — também conhecido como
povo —, e o país. Mas nosso apelido, lá entre
eles, os tais de investidores, é outro, muito conhecido
por aqui , o tal de Otário. Mas resta um consolo,
pelo menos agora somos Otários globalizados.
Trocando em miúdos,
o quê, efetivamente, aconteceu em termos econômicos
ou políticos, para a repentina reviravolta das condições
do Risco Brasil, do ponto de vista dos investidores internacionais?
Rigorosamente
nada. Bem, eles têm que justificar de alguma maneira
os absurdos que cometem e assim "vender "a idéia
que a coisa é técnica e não simplesmente
aumentar seus lucros em outros países, para cobrir
os vultosos prejuízos dentro de sua própria
casa. Trata-se na verdade de uma transfusão de sangue
ao contrário, do receptor para o doador, ou seja,
tirar dinheiro dos pobres para os ricos, e o resto é
discurso. Eles perdem ou roubam lá e vêm buscar
dinheiro aqui para cobrir os rombos deles.
Mas,
quais as justificativas para o vendaval? Vamos a algumas
delas, veiculadas na mídia até com sofreguidão
e com o tom alarmista de sempre( mas não os culpo,
pois a máxima do jornalismo ( do empresário,
é claro), que notícia boa não vende
jornal.
1
— O Lula está em primeiro lugar nas pesquisas com
o dobro das intenções de voto do Serra que
é o candidato governista, e isto significaria perigo
para as contas nacionais, quebra de contratos e outras coisas
mais ( absurdas).
Nada mais ridículo. E eu que pensava que a alternância
de poder , já que estamos numa democracia, fosse
a coisa mais natural e desejável do mundo , principalmente
do deles. Por que nos Estados Unidos, sai um republicano
e entra um democrata ou vice-versa e tudo permanece como
está? Não tem queda de bolsa, aumento de juros,
aumento do risco USA, nada? Eu acho até que deveria
ocorrer, porque trocar um Clinton por um Bush é dose
para matar qualquer um.
Ademais,
se não fosse a necessidade deles de ganhar muito
dinheiro em tão pouco tempo ( em segundos ) certamente
reconheceriam que, seja quem for e o partido que pertencer
o eleito, não há muita margem para mudanças
bruscas em qualquer setor do país. Claro que a oposição
tem que discursar sobre mudanças, baixar os juros
, reforma fiscal , patrimonial e social, senão para
que ser oposição? Se for para dizer que nada
vai mudar então deixa como está e poupe-nos
de perder boa parte do Domingo para ir votar obrigatoriamente.
2
— As Agências de Rating rebaixaram a nota do Brasil
e em conseqüência, aumentou o risco Brasil.
A
pergunta é: Quem são
estas Agências , quem as controla, quais os interesses
que estão por detrás delas? E mais, por que
elas têm tal credibilidade, já que ,como "cabeça
de bacalhau" ( todo mundo sabe que existe mas nunca
viu uma) ninguém nunca viu um relatório, estudo
ou seja lá o que for destas Agências, justificando
suas notas?
Onde
elas estavam que não viram a contabilidade para lá
de fantasma da Enron, da WorldCom, Xerox e outras que já
estão sendo desnudadas?
Como
acreditar em instituições que colocam o Brasil
como 3º pior risco do mundo na frente inclusive
da Nigéria? E a Colombia? E a Rússia ? E....
Só pode ser piada e de mau gosto , claro.
Mas
tenho certeza que não é nada disso. Ë
pura rapinagem e falcatruas ou para citar o nosso presidenciável
Lula, é maracutaia mesmo.
O
pior é que todos nós pagamos os lucros auferidos
aqui por essa gente. A cada aumento do Risco Brasil, nossas
empresas e o governo pagam juros maiores nos empréstimos
concedidos e nos futuros e eles rebatem para nós
através de aumento de impostos, tributos, tarifas
e dos juros nas operações de crédito.
E eles?. Bem, eles botam os lucros no bolso e vão
embora. Nós ficamos com a conta para pagar.