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A
sexualidade infantil
Sexualidade
na sala de aula
Clique
para ler: Homossexualidade
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Hoje
em dia, as crianças, em sua maioria já sabem que
o nenê "sai da barriga da mãe". Mas esta é
a resposta mais simples e outras perguntas complementares ainda
suscitam dúvidas e ansiedade no momento de serem respondidas,
principalmente quando questionam "como o bebê entrou na
barriga da mãe"?
Além
disso, comportamentos infantis que demonstram a sexualidade
da criança são muitas vezes difíceis de
serem trabalhados, tanto em casa como na escola. Brincadeiras
de descoberta sexual, masturbação, atitudes que
aparentam homossexualidade são alguns fatos comuns observados
no cotidiano infantil e seguidamente são mal compreendidos
ou mal conduzidos pelos adultos que lidam com as crianças.
Portanto, faz-se necessário um maior entendimento teórico
sobre sexualidade infantil para que haja menos inadequações
no manejo destes comportamentos.
A sexualidade
da criança começa no imaginário dos pais,
antes mesmo do nascimento. Todos os pais têm expectativas
em relação a seus filhos, conscientes ou inconscientes,
e uma destas diz respeito à sexualidade da criança.
Esta ao nascer pode corresponder à expectativa ou não
e se desenvolverá conforme for a aceitação
do sexo da criança pelos pais.
A partir do nascimento
podemos classificar a curiosidade sexual de forma genérica
em:
1ª curiosidade
sexual - auto-descobrimento do corpo
2ª curiosidade sexual - eliminação de excreções
3ª curiosidade sexual - diferenciação dos
sexos
4ª curiosidade sexual – nascimento
5ª curiosidade sexual – puberdade
6ª curiosidade sexual – adolescência
Para responder aos
questionamentos de ordem sexual das crianças deve-se ter
claro que "a criança que tem idade para perguntar, tem
idade para ouvir a resposta".
O tom de voz, o olhar,
a postura de quem responde devem ser valorizados para que não
sejam artificiais nem repressores.
Para satisfazer a curiosidade infantil
o adulto deve seguir os seguintes princípios:
saber porque e de onde vem a pergunta;
honestidade;
restringir-se à pergunta feita,
sem se estender;
progredir com base no que a criança
já conhece;
fornecer explicações
em linguagem simples e familiar;
sempre que possível corresponder
ao momento em que a criança solicita;
repetir, se necessário.
Em relação
aos comportamentos sexuais observados em sala-de-aula como beijos,
exploração do corpo do colega, jogos sexuais, o
educador pode pautar-se sobre os mesmos princípios que
usa para outros comportamentos inadequados em aula, ou seja, demonstrar
que entende a curiosidade mas que a escola é um lugar onde
deve-se respeitar a vontade dos outros e que estão lá
para aprender, brincar, etc.
O
educador não deve se omitir, ao contrário, deve
orientar para brincadeiras e comportamentos adequados mas sem
passar valores morais reprovadores como se a curiosidade fosse
algo negativo, "feio" ou pecaminoso.
Alguns
profissionais, na tentativa de serem "modernos" estimulam uma
sexualidade precoce incentivando danças de músicas
atuais erotizadas, namoros entre os alunos, identificação
com modelos da mídia etc.. As crianças e adolescentes
procuram corresponder às expectativas dos adultos e acabam
se expondo inadequadamente para sua faixa etária e assumindo
rótulos distorcidos de seu gênero sexual, tais como:
mulher se exibe e homem é machão. Estas questões
deverão ser debatidas e esclarecidas na escola, mostrando
que há uma diferença entre o real e o imaginário
social, midiático, familiar, escolar, promovendo desta
maneira uma consciência humanizadora e possível.
A
sexualidade infantil é inerente a qualquer criança
e sua demonstração será particular a cada
uma, sendo que aos educadores cabe conhecê-la, respeitá-la,
conduzi-la de forma adequada, sem estimulação nem
repressão e tendo sempre em mente uma auto-reflexão
de sua própria sexualidade.
A questão
de convocar os pais para conversar sobre a sexualidade do aluno,
deverá ser investigada caso a caso: qual o propósito
desta convocação? o que vou contribuir? o que espero
dos pais? por que isto me incomoda? há sincera preocupação
ou pré-conceito disfarçado? por que acredito que
ser heterossexual é o correto, aceitável? etc...
Na dúvida procurar algum profissional da escola para discutirem
o assunto, antes de convocar os pais.
Lembre-se
de que qualquer forma de discriminação é
crime previsto na Constituição Federal.
Homossexualidade
Eis um
tema delicado, a ser cogitado com prudência, cautela, e
ampla reflexão, na atualidade de nossas experiências
evolutivas.
A
homossexualidade se define pela tendência da criatura ter
preferência sexual para relacionar-se e conviver com uma
outra criatura de seu mesmo sexo.
Esse
impulso, na ciência do comportamento, ainda não encontra
explicações razoáveis ou justas na área
da psicologia, por que essa ciência ainda não está
inteiramente realizada.
Neste
sentido a orientação da libido de uma pessoa em
direção a um objeto do mesmo sexo, ou em direção
a um objeto do sexo oposto, não tem diferença essencial
qualitativa ou normativa, isto é, esta ou aquela orientação
não é mais ou menos adequada, normal ou patológica
do que outra.
Escreve
Freud (1905) nos Três Ensaios sobre a Sexualidade:
"O
afeto de uma criança por seus pais é sem dúvida
o traço infantil mais importante que, depois de revivido
na puberdade, indica o caminho para sua escolha de um objeto sexual,
mas não é o único. Outros pontos de partida
com a mesma origem primitiva possibilitam ao homem desenvolver
mais de uma linha sexual, baseada não menos em sua infância,
mas também no ambiente, na relações, na história
individual, etc estabelecendo condições muito variadas
para sua escolha de objeto sexual." (...) "As inumeráveis
peculiaridades da vida erótica dos seres humanos, assim
como o caráter compulsivo do processo de apaixonar-se,
são inteiramente ininteligíveis, salvo pela referência
à infância e como efeitos residuais da infância".
É
interessante assinalar que a homossexualidade tanto quanto a heterossexualidade
são comportamentos e, enquanto tais, não significam
necessariamente identidades.
Freud
tinha uma noção clara dessa questão e, não
obstante as dificuldades e os aspectos, patológicos ou
não, relacionados com os comportamentos sexuais, jamais
considerou homossexualidade como algo patológico em si.
Pelo contrário, o que com ele a psicanálise desenvolveu,
independente das várias escolas de pensamento analítico,
foi uma visão que procurou, como em qualquer outro comportamento
humano, relacionar sua raiz à origem corporal e material
da mente, ou seja, ao mundo da infância.
Assim
no seu ensaio "Sobre a Psicogênese de um Caso de Homossexualismo
Feminino" (1920) Freud escreve: "Não
compete à psicanálise solucionar o problema do homossexualismo.
Ela deve contentar-se com revelar os mecanismos psíquicos
que culminaram na determinação da escolha de objeto,
e remontar os caminhos que levam deles até as disposições
instintuais". Portanto a Psicanálise
contribui para o individuo redefinir sua vida, sua autoestima,
seu posicionamento no mundo mental e adaptação ao
mundo social.
Se a
raiz é infantil, quando se trata de um adulto, ou mesmo
de uma criança ou adolescente, a árvore já
nasceu, cresceu e sua folhagem abre-se para algo que ainda não
se perfez. Tudo que é vivo, é inconcluso, imperfeito,
não terminado, incluindo o modo de comportar-se não
sendo possível uma intervenção quer seja
analítica, escolar, moral, nos restando compreensão
e empatia. Caso estes sentimentos não apareçam provavelmente
à relação quer seja com o aluno x educador
ou analista x paciente será truncada, provavelmente não
haverá crescimento humano.
É
útil considerarmos a sutil diferença de tratarmos
qualquer pessoa por sua orientação sexual e transformá-la
na identidade do sujeito: ele é gay, ela é
lésbica, etc...Criamos um estigma de identidade, assim
"(...) um adjetivo pode se tornar um nome e o possuidor de
uma pulsão homossexual é então chamado um
homossexual. Aquilo que era apenas uma pulsão dentre outras
foi transformado, pela magia das palavras, em uma identidade,
um estado, um distúrbio, uma doença, uma perversão".
Não
existe nada que possa "explicar" a homossexualidade
e, portanto, não pode existir teoria unitária quanto
à etiologia, a dinâmica ou tratamento.
Há
homossexualidades e suas etiologias, suas dinâmicas e suas
aparências são tão variadas quanto aquelas
da heterossexualidade.
Aqui
podemos ressaltar as contribuições de Bion (1980)
quando enfatiza a relação entre capacidade de sonhar,
capacidade para pensar e o mundo bruto das sensações
e das emoções que poderão ou não estar
comprometidas. Cabe ao educador explorar estas áreas através
dos conteúdos pedagógicos A capacidade de pensar
é determinante para o aprendizado sendo o resultado das
transformações possíveis entre experiência
corporal/sexualidade, criação e experiência
estética.
alto volta
à Editoria Filhos
BIBLIOGRAFIA:
SUPLICY, Marta . Conversando sobre Sexo - Ed. Vozes
BÖCK,
Vivien Rose. Professor e Psicologia Aplicada na Escola - Ed. Kinder
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