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Ligando
(seu) nome
ao Fato
Suzana
Bertioga
Colaboraram : Ana Louvado
e Flávia Mendonça
/ www.idaproject.com
03, Novembro/2003
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Você saberia responder qual foi
o critério que seus pais usaram para escolher seu nome?
O jornal Brand Republic publicou uma reportagem
que dizia que pais americanos estão batizando seus bebês com
nomes de grifes famosas. Segundo registro do Departamento de
Seguro Social dos EUA, Cristal, a champagne de US$ 200 a garrafa,
deu nome a 479 crianças nascidas no ano passado. A marca Lexus,
da Toyota, foi escolhida para 311 meninas. Armani, sobrenome
do estilista italiano, batizou 221 bebês do sexo masculino e
244 do sexo feminino. Chanel deu nome a 269 meninas. Na lista
dos nomes mais usados aparecem ainda Porsche (24 bebês do sexo
feminino), Timberland, Evian, Fanta, Guiness e Nivea.
Literatura, filmes, promessas, eventos
trágicos como no caso do Japão ( Clique
para abrir janela )homenagens ou um simples sonhos podem
colaborar com a (pré) destinação de um
ser humano. Poderá ajudar ou envergonhar. O que é
um nome? Será mesmo que ele não exerce nenhuma
influência na pessoa ? Imaginem um Gustavo Adolpho, com
ph. Tem sonoridade impositiva. Sem contar com associações
trágicas. Violeta, alguém antecipou-se : não!
A coitada já vai nascer com complexo de inferioridade,
baixa-estima, tristinha. O quê dizer de Um dois Três
de Oliveira Quatro. Neste início de século,
no Brasil, só daria Lexotan.
No caso do nome
Cristal, parece mais um marketing forçado visto que desde a década
de 60 não apenas Cristal mas Lua, Estrela, Flor, Halley ( o cometa
batizado com o nome do ( do: de+o [nome] ) seu descobridor
) tiveram seu apogeu rivalizando com os nomes das canções dos
Festivais da MPB. Foram safras de berçários de Julianas, Lucianas,
Júlias e Marianas e as Anas com todas as aglutinações e derivativos.
Na mesma década de 60 pelo caminho dos movimentos feministas,
Robertas, Marcelas, muitos nomes masculinos afeminaram. Nívea
é nome mais antigo e a inclusão dele não
se pode afirmar que venha pela influência da marca.
Em muitos lares,
principalmente os nordestinos e mineiros, era comum batizar os
filhos com o nome do Santo do Dia do nascimento. Na mesma linha
das famílias religiosas, os nomes de flores eram abundantes:
Magnólias, Margaridas, Hortências, Jasmins, Rosas,
Violetas. Umas perfumadas pela inocência outras incensadas
pela humildade da violeta não faltando a pureza do Lírio
que virou Líria.
Nas
famílias de tradição religosa católica
Com a separação
da Igreja do Estado, os nomes de santos e santas são menos
pelo espírito religioso e os nomes pagãos crescem
em número. Por séculos perduraram os Jesus de Narazé,
Josés, e havia mesmo uma busca para que a família,
sendo pequena, tivesse os nomes da Sagrada Família, formada
por Jesus, Maria e José, o que seria uma bênção
de Deus. Dorotheia, Victorias ( esse, talvez, possa estar em destaque
por causa da Griffe ), Luzias, Graças e os nomes
do Velho Testamento mesmo para famílias católicas
contanto que viessem acompanhados do nome de um santo ou santa.
Marias Madalenas com seus diminutivos e variantes ( Magda, Magdala,
Magdalene), Maria Bethânia, Betânia Maria. Sem faltar
Terezinhas e Marias Therezas, nem Anas e Santanas. Pode-se mesmo
dizer que existem nomes ex-votos, que seriam aqueles
dados aos filhos por promessa.
Em muitos lares,
principalmente os nordestinos e mineiros, era comum batizar os
filhos com o nome do Santo do Dia do nascimento. Disfarçando
a reliosidade, os nomes de flores eram abundantes, mas quase sempre
acompanhados pelo nome Maria: Magnólias, Margaridas, Hortências,
Jasmins, Rosas, Violetas. Umas perfumadas pela inocência
outras incensadas pela humildade da violeta não faltando
a pureza do Lírio que virou Líria.
Com as aparições
da Virgem de Fátima revelada para Lucia de Jesus, Francisco
e Jacinta, em 1917 e de Lourdes revelada para Bernadette de Soubirous
entra em voga por várias décadas os nomes de Fátima,
Lucia, Jacinta, Lourdes e até Iria ( Cova da Iria em Portugal
onde a Virgem apareceu ).
O
fato como explicação
Com o decorrer do tempo, no advento
do cinema falado, e até hoje, acontece ouvir alguém
dizer que a mãe viu um filme e adorou o nome do personagem.
Na verdade não foi apenas o nome e sim o conjunto que dava
forma ao personagem com seu perfil psicológico. O personagem
exercendo um papel que a mãe já havia "traçado"
para seu filho ou filha e o fato do "personagem" apenas
serviu para justificar e criar seu mito particular. Uma história
para ser contada no futuro. As Gildas se multiplicavam no Brasil.
Curioso o nome Carlos. Desde
os anos 20 vem crescendo os nomes de homens com este nome. Muito
por causa de tradição em muitas famílias
em determinadas épocas em nominar seus filhos primogênitos
com o nome completo do pai e avô. Surgiram os netos, nettos,
filhos e juniores ( Jr. ). O apogeu dos Carlos acontece entre
as decadas de 30 e 40.
Grandes líderes políticos
internacionais receberam homenagens. Whashington ( Washignton
e Vashinton. Wilson e Vilson). A corte inglêsa não
foi esquecida e homenagem a Rainha-Mãe criou uma infindável
fila de Elizabeth, Elisabete, Elisabeth, todas Bete and now, Beth.
Da Cortina de Ferro, Lenines, Lenin, Yuri, Igor, muitos. Homenagens
geográficas : Argentina, Grécia, Armênia,
Europa e Kenia ( Kenia,
temos uma colaboradora do DF ), são alguns exemplos.
Os movimentos de preservação
ambiental e pacifista onde se destacaram os hippies nos meados
dos anos 60/70 ao mesmo tempo em que coincidia com o movimento
feminista também influenciavam na escolha dos nomes dos
filhos. Valorizando a Natureza os hippies iniciaram uma debanda
em busca de condições de vida mais naturista buscando
locais distantes, pequenos vilarejos como São Pedro da
Serra e Lumiar no Rio de Janeiro . A geração seguinte
a esta, foi nominada pelos pais com nomes ligados à Natureza.
Apareceram as Estrelas, as Cristais e nomes de origem indiana.
À época do movimento
feminista que varria o mundo, muitos nomes masculinos "afeminaram"
para borbulhar como Robertas, Camilas, Marianas ( pelas vertentes
religiosa, da MPB e movimento feminista ), Paulas, Rafaelas, Manuelas,
e tantos outros que antes só sobressaíam no masculino.
Igualdade de condições.
No Brasil, quem não se lembra
dos Festivais Nacional da Canção? Luciana, Mariana,
Juliana e Carolina nomes que continuam em pauta. Temos também
herança das novelas brasileiras mas que, pela profusão
ainda não deixaram marcas profundas. Só Gabriela
Cravo e Canela.
Na mesma década de 60, muitos
Caetanos em homenagem ao cantor baiano. Caetanas, não.
Nos anos 80, desapareceram os hippies
e entraram em ação as ONGs. Os problemas amazônicos
com foco na causa indígena, na trilha do trabalho dos irmãos
Villas Boas, rendeu nome para uma legião de Raonis.
Observa-se que a cada década,
mesmo que não seja um tempo tão exato, enxurradas
de crianças co-existem com o mesmo nome na mesma escola
e na mesma turma. Nesses casos o único recurso é
carimbar cada um com o nome de família: Pedro Guerra, Pedro
Parente, Pedro Malan, Pedro de Alcântara, Pedro da Silva.
Continuando do final dos 70 para os
80, os nomes dos filhos quase que dirigem a crença religosa,
nível intelectual e sócio-cultural das famílias,
deixando perceber três correntes bem distintas.
Um pouco acima dos 80, para os homens
nas classe média e média alta, Arthur, Breno, Bruno, Augusto,
Roberto ( os Rôs ), Rafael, Rodrigo. Depois veio a turma dos Pedros,
Pedro Augusto e outros compostos. Felipes aos milhares e quase
todos com diminutivo de Lipe; Luis Felipe, variação pequena. E
os Joãos, João Paulo, João Pedro. Não faltou Manuel, Emanuel,
Daniel, também não.
A família religosa continua
com os nomes de santos, a intelectual prefere homenagens políticas
ou buscam na erudição inspiração para
os nomes dos seus filhos.
Famílias oriundas das classes
sócio-econômica abastadas e culturalmente destacadas,
preferem pensar que o nome ajudará na ascenção
profissional e social dos filhos. Aqui os nomes são mais
pomposos ou "diferentes" no requinte da tradição
familiar. Nomes de pessoas ligadas por parentescos, mas desde
que aqueles persistam na memória da família por
admiração. Mas também merece atenção
o trânsito internacional, nomes que possam ser pronunciados
em outros idiomas.
Mas para o final da década de
90, as famílias de classe média alta, fizeram um
retorno aos nomes de origens religiosa e nomes antigos com mais
pompa, sem "vulgaridade", nomes com significados, como
Beatriz ('a feliz', em latim). Nesta década voltararam
os nomes simples e bíblicos, como João, José,
Daniel e Pedro mas que pela raridade tornava o portador do nome
em alguém em destaque. Para as mulheres, Joana e Vitória
apareciam como os mais sofisticados.
No mais, a multiplicação
das Patrícias, Fabianas e Fabienes continua.
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