É estranha a
sensação que causa ver o " menino " ou "
a menina " deixando para trás, uma construção
imensa edificada ( muito mais ) pela família, por você
mãe. Ele também participou das construções,
é certo ( mas foi pouco ). O que se tem a fazer é
continuar participando ativamente enquanto ele descontrói
as edificações. O jeito é ajudá-lo a
desconstruir. Dói, mas é assim mesmo que vai acontecer.
O melhor é não tentar impedir porque de nada vai adiantar
e pior, vai atrapalhar.
Nada
do que você diga ao seu filho adolescente vai encontrar
eco, ou concordância, num primeiro momento. Durante muito
tempo você foi para seus filhos, um grande dicionário
da vida. Você foi uma grande construtora. Mas chegou a hora
de ele construir seu próprio dicionário, e sua própria
edificação individual. Ele precisa descobrir que
é capaz.
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Você
se lembra ? Agora, na adolescência dele, é
só substituir os exemplos e veja como ficam.
Ponha
essas idéias na cabeça:
comunicar
à criança o que vai precisar ser feito
naquele momento:. " Eu sei que você
deve estar se divertindo no parquinho, mas agora,
já é hora de irmos embora " .
Redirecione
a atenção ou a atividade do seu filho
usando uma linguagem neutra e positiva: "
está bem você desenhando na parede,
mas aqui está um papel onde você pode
desenhar.
Diga
não enquanto mantém o amor: "
Eu amo você, mas eu não estou amando
o que você está fazendo" .
Dê
as razões para as suas regras: "
não corra com esta tesoura — você pode
cair e machucar-se" .
Dê
tarefas limitadas e seja específica naquilo
que você deseja que a criança faça:
" arrume seus bichinhos de pelúcia "
( em vez de " por favor, arrume seu quarto
" ) .
Reconheça
os sentimentos das crianças mas, dê
limites: " eu sei que você está
com fome mas não pegue a comida com as mãos."
Colabore
para que a criança veja como as ações
dela afetam os outros: " Sua irmã
está zangada porque você a machucou.
Como você se sentiria se ela machucasse você?"
.
Ajude
a criança a perceber como ela usa as palavras
para comunicar seus sentimentos: " diga
ao seu irmão que você não gosta
quando ele bate em você" .
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Para
tanto ele começa " destruindo" a construção,
" reescrevendo os verbetes do dicionário da vida ".
Eles, espertamente destroem mas guardam os tijolos e todo o restante
do material necessário à reconstrução
do edifício. Com todo o material da demolição
ele se prepara para ser o grande construtor. Ele nega tudo o que
você diz e faz; sua opinião vai encontrar sempre
um argumento maior: o dele. O seu filho jovem homem ou sua filha
jovem mulher, não se engane, na verdade está sempre
esperando que você o reconheça capaz de pensar por
si mesmo, capaz de acertar. Ao mesmo tempo que ele pensa estar
acertando, vive constantemente o sentimento de que " nunca
acerta" que " faz tudo errado" . Aí começam
a nascer as ansiedades que tem vários nomes. O nariz
não está certo, o cabelo saiu errado, a escola
está longe do ideal. Ele ou ela desejam que a construção
seja vista com o olhar de aprovação. O adolescente
está sempre " preoculpado ".
E assim
os valores que lhes foram passados, vão sendo revistos
por eles numa escala própria, feita à necessidade
das constatações em vivências. Vão
sendo moldadas durante o tempo dessa passagem para a vida adulta.
Mesmo assim, a presença da mãe e do pai,continua
sendo fundamental mas numa outra postura. Mais do que nunca, a
interferência direta pode constituir-se em um grande desacerto.
Você já o ensinou a respeito dos espaços pessoais
e físicos; precisará ficar muito mais atenta à
não-invasão desses espaços. Os referenciais
de proximidade são remanejados adquirindo paradigmas novos;
novas fronteiras delimitadas por eles.
A fala codificada - as gírias
- que os protege contra o mundo do adulto invasor faz parte de
um novo modelo de comunicação só compreensível
aos seus iguais. " Não deixa ela saber" . "
Ela não vai entender " . Ela ou ele, o adulto, incluindo
os pais, principalmente estes. Tudo isso não demonstra
somente ( o que pensamos ser ganhos para eles ) ganhos pois que
o adolescente guarda um certo sentimento de perda em relação
a esses; os " ganhos " ainda o incomodam bastante pois
não foram assimilados, de fato, como ganhos. Sentido e
visto por eles, são ganhos de " dores" e de "
insatisfações ". Sofrem por tudo e estão
sempre insatisfeitos. Perderam o prazer de brincar e estar muito
satisfeitos com os briquedos que os encantavam antes. Perderam
o conforto do timbre de voz com o qual conviveram por tantos anos,
os lábios estão diferentes. Até os cabelos....
E a lista de perdas pode ter um alcance muito maior. Tudo isso
nós adultos vemos como mudanças naturais; mas não
eles.
Nessa
etapa da vida dos filhos, não se tem mais " gracinhas"
a contar, para os amigos ou amigas dos pais pois, agora, tudo
é segredo, tudo é estritamente confidencial. Coisas
que você pode até considerar sem a menor importância:
equívoco. A vida deles agora, é uma enormidade de
intimidades, de pessoal e individual. Nada é para rir.
Tudo para ser respeitado e guardado, protegido contra a curiosidade
alheia. Um imenso segredo da Natureza.
"
Nesse processo de experiências freqüentes elas acumulam
confusões e frustrações. Nesse tempo, o sentir
delas torna-se muito intenso" . Tanto quanto na infância
elas continuam necessitando de limites ainda que em outro contexto.
Mas o conceito permanece. Só que no processo da adolescência
agrega-se um dado mais complicado que é a diferença
geracional, mesmo que os pais se esforcem para diminuir a distância,
ainda assim não se consegue ultrapassá-la de todo
mas, com certeza, ameniza os efeitos.
Explicando
o título
*Gíria
atual usada pelos adolescentes quando querem exprimir que outro
adolescente tem alguma coisa de diferente ( dele ): "
o maluco é todo errado ".
Início
Ignez
L. O. Alves