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Rivalidades entre irmãos
Dr. Roque Theophilo*
05, Julho/2002


A História demonstra que as rivalidades entre irmãos sempre existiram e são narradas na Bíblia como é o caso de Caim e Abel e na história de Roma quando apresenta a rivalidade entre os irmãos Romulo e Remo

A rivalidade entre irmãos, é um acontecimento normal, inevitável e necessário, e são freqüentes cuja utilidade é ignorada pela maioria dos pais, e devem saber a posição que devem tomar, enquanto pais ou educadores sendo. considerada por muitos pais como um mau sentimento e que, por isso, deva ser combatido. Sendo entretanto um sentimento benéfico, desde que não extrapola certos limites.

Imaginemos por exemplo, uma criança de dois anos brincando com o seu carrinho predileto. Ela não entrega esse brinquedo, de livre e espontânea vontade, ao seu irmão. Pelo contrário, vai gritar, puxar, e dizer que não, que aquele carro é só dele.

Se analisarmos este cenário provavelmente não vamos constatar nada de anormal. É um acontecimento comum, onde o procedimento da criança demonstra egocentrismo: ela não quer partilhar o brinquedo com o seu irmão. Mas isto não significa que ela não gosta dele. Pelo contrário, esta rivalidade é uma oportunidade para começar um processo de aprendizagem relativamente ao conceito de partilha.

Assim, a relação entre irmãos caracteriza-se pela contrariedade de sentimentos: amor versus. raiva, que funciona como uma mola impulsionadora da aprendizagem. É um marco importante na estrutura psicológica da criança, tanto ao nível psíquico como ao social, que deve ser encarado como um processo de crescimento natural, desde que não atinja proporções de agressividades perigosas.

Mas os pais devem saber que o irmão é uma figura de referência, com quem partilha os momentos da vida, as alegrias e as tristezas. É a companhia ideal para os momentos de lazer, mas em determinadas situações, é um provocador com quem se discute e se cria alguma rivalidade

Os pais e educadores, vivem freqüentemente o dilema de como evitar que as crianças discutam. Sabem que não podem tomar partido, mas não têm noção do que fazer para pôr fim à discussão, o que dizer, se devem ou não gritar ou se pô-los de castigo.

Pais e educadores têm um papel fundamental na sociabilização das crianças e são os responsáveis por fomentar valores e atitudes que os tornarão adultos dignos, e os mecanismos mentais permitem que as relações entre as crianças se desenvolvessem como uma forma de aprendizado para enfrentar situações que fatalmente irão encontrar na vida, tais como as rivalidades na família, na escola, no trabalho, nos esportes, na vida social etc. e os parceiros para tal aprendizagem são os irmãos.

As frustrações, renúncias, injustiças, ingratidões, preterições ocorridas na convivência com os pais e os irmãos, irão prepará-la para a vida futura. Isso irá permitir que o egocentrismo normal da criança ceda lugar, progressivamente, para atender às exigências da vida, a condutas altruísticas. Esse processo de socialização da criança é uma das funções essenciais da família, e permitirá a passagem da rivalidade à amizade e à cooperação

Como outros sentimentos aparentemente nocivos, como a agressividade e a desobediência, a rivalidade fraterna não deve ser reprimida a qualquer custo, cabendo aos pais o estabelecimento dos limites.

A rivalidade fraterna começa cedo, no momento que os pais erradamente disserem ao único filho: "Vamos ter outro filho, quando ele chegar, não vamos deixar de gostar de você. Vamos gostar, igualzinho, dos dois ".

Ao fazerem esse tipo de comentário lançaram o primeiro alicerce da rivalidade e a mensagem que ele irá entender é de que irá aparecer em sua casa alguém com quem terá que dividir tudo, inclusive o amor dos pais e os brinquedos

Certamente ele não ficará nada satisfeito com os pais e com o futuro "usurpador", ao fazerem a comparação entre um filho e outro, o que não deve nunca ser feito entre os irmãos. E também não disseram a verdade, pois é quase impossível gostar e tratar, da mesma maneira, duas pessoas, pois que sendo diferentes, necessitam de tratamentos distintos, Melhor seria que os pais dissessem que eles não seriam tratados de forma igual, pois um recém nascido não pode ser tratado da mesma forma que um filho de idade diferente.

Quantas vezes os adultos se enganam pois que as crianças podem estar se atracando violentamente e os pais os chamam a atenção que irmão devem se gostar e eles respondem " nós não estamos brigando, estamos brincando de luta livre".

Muitas vezes a rivalidade é exteriorizada pela primeira vez quando o bebê engatinha e pega um brinquedo do mais velho, e ele reage. A rivalidade costuma ser maior entre o primeiro e o segundo filho, obviamente. Os dois primeiros filhos, geralmente tem a rivalidade muito exacerbada. Essa conduta não pode ser confundida com inimizade, violência, agressividade. Antes deve ser entendida como o estabelecimento de um vínculo social;

Algumas recomendações podem amenizar a eterna rivalidade entre irmãos

Não culpe a criança mais velha por zangar-se com a menor; às vezes é difícil saber quem tem razão.

Não tome partido, tenha um certo poder de isenção, e com isto evita que algum deles se revolte e se sinta injustiçado, pois ao tomar partido podem aumentar a rivalidade entre os irmãos.

Não se envolva nas discussões, deixe-os tentar resolver o problema sozinhos, e só deve intervir em último caso.

Não atue com parcialidade mas sim como mediador. Quando perceber que eles não vão chegar a nenhuma conclusão, converse calmamente com os dois, entenda a posição de cada um e peça-lhes que exprimam o que estão sentindo um com relação ao outro.

Não encare a situação como um processo revanchista mas sim de aprendizagem na resolução dos conflitos.

Não perca a oportunidade de desenvolver a empatia para com o outro. Diga-lhes que quando se grita ninguém se entende e que devem saber discutir com cortesia.

Não fique tenso e procure relaxar-se quando a rivalidade entre irmãos lhe provocam demasiada ansiedade.

Não desvalorize a criança, mas respeite-a como ela é, aceite os seus defeitos e saiba aproveitar as suas qualidades.

Não coloque o afeto e a paixão de lado. A atitude dos pais e educadores deve ser de um amor incondicional, por isso não se sinta ameaçado por aquilo que elas possam pensar ou dizer em momentos de raiva.

Não rebaixem a auto-estima das crianças. Deixem que os irmãos resolvam por si os seus problemas, pois isso será uma fonte de aprendizado que para se vencer é preciso lutar por aquilo que se acredita. Uma das maiores alegrias dos pais é poderem assistir a rivalidade se transformar em amizade e companheirismo.

Não devem os pais discutir dizendo que um é bom e outro é malvado, pois que a rivalidade fraterna tem sua origem na competição pelo amor dos pais.

Não demonstre, apesar de existir, preferência por um dos filhos

Não existindo risco nunca tomem partido com alegações de que "você é maior e bateu , no seu irmãozinho menor. Deixem que as crianças resolvam seus problemas com supervisão a distância.

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Sobre o Autor

Prof. Dr. ROQUE THEOPHILO, Psicoterapeuta, Sociólogo, Pesquisador e Professor Universitário.

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