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Caminho-Meio


Suzana Bertioga
Colaborou: Berta Ataíde
25, Novembro/2002


As famílias brasileiras, independentemente de pertencerem a esta ou aquela camada social, seja da base, do meio ou do vértice da pirâmide, têm demonstrado o quanto o tecido familiar se mostra esgarçado ou esfarelado. Valores universais, sociais, morais, nada, nada mais tem significado. Não é mera especulação para quem observa com atenção as mudanças ocorridas nestas últimas décadas, tívessemos nós um painel estatístico mais acurado, deixaria de ser mera especulação. O senso de responsabilidade das mães está exposto e talvez em falência.

Essa desestruturação é de grande interesse mesmo que não se tenha certeza de a quem interessa tal horror desestrutural. Pior do que isso, é o fato de as mães não estarem se dando conta. A classe médias intelectual — formadora de opinião — o sabem, mas o preço que está pagando é alto. Tão alto que, da mesma forma distribui essa dívida com aqueles que não têm a menor noção.

Por detrás de tudo isso há interesses piores. É por aqui, a primeira brecha. Outra brecha importante é o interesse desabonável da mídia, de comportamento imoral. Invadindo cada recanto dos lares, banham pais e filhos com seus incentivos ao consumo doentio. Não se trata de consumo de qualidade mas sim de consumo conveniente aos interesses não apenas econômicos, mais somados aos interesses políticos. Mesmo sabendo, todos se deixam usar na esperança de tomar posse do seu quinhão na escalada social, sem se dar conta da manipulação ideológica que assume outra dialética.

Temos observado com certa freqüência que os envios de mensagens sobre crianças desaparecidas, as fotos dessas crianças, acentuado o número de meninas, nas quais elas são fotografadas em poses adultas de falsa sensualidade — falsa sensualidade porque crianças não conseguem se mostrar sensuais mas apenas imitar teatralmente, segundo o psiquiatra Dr. Haim Grunspun — e maquiladas como gente grande, mostranto o tanto do sonho dos pais ( mães, na verdade ) em verem suas filhas descobertas como futuros modelos fotográficos. Meninas entre nove e doze anos apenas, estimuladas precocemente a buscar os meios mais fáceis para conquistar o sucesso.

Na verdade, o que se pode depreender é que o estímulo caminha na direção do incentivo e da alimentação à pedofilia e da prostituição. Muitas dessas crianças que são educadas dessa forma, estarão se preparando para assumir uma profissão qualquer durante o dia e complementar sua renda pessoal com atividades ilícitas, à noite.

Essa mesma mídia, com programas infantis, que dispõem até de grife de roupas e acessórios "infantis" que estimulam os mínimos shortinhos onde meninas que, nem mal se mostram púberes, exibem as popinhas. Aos nove ou dez anos, muitas, bem desenvolvidas, já menstruando, diminutos seios, se mostram verdadeiras muheres quase "feitas". Se observamos as fotografias em anúncios de roupas ou qualquer outro produto na linha infantil para grandes lojas de departamento, por exemplo, ( vejam na própria internet ) vamos ver que os meninos são fotografados em clima mais criança, mais moleques. As meninas, mesmo com esforço de adereços infantis, como bonecas ou bichinhos de pelúcias, estão sempre com penteados adultos, pernas cruzadas, enfim "atitude" ridículamente sensual e adulta.

Como vamos imaginar que os homens vão olhar e sentir essas crianças-mulheres, tendo que vista que o pinto deles tem um olho cego e cabeça sem neurônios? Provocar o instinto animal do bicho homem nunca deu certo. Quem tem culpa — será pesado dizer — que são as mães que estimulam, acham uma gracinha que a filha não descubra a diferença entre a calcinha e a saia mas, não se pode culpar de todo, apenas a existência dos homens doentes. Mais crescidinhas, adolescentes, não causaria espando que existisse alguma mãe que torcesse para que sua filha continuasse sem descobrir a diferença entre a calcinha e a saia. Agora a história não é ensinar filha a pegar um só marido. Agora, é ensinar filha a distribuir-se por muitas fontes de renda. Facilita muito não ter mais que dizer "meu esposo".

Não tenho como não prever a zanga de alguma leitora que dê uma interpretação moralista-religiosa. Mesmo que essas idéias escritas fossem de fundo moral-religioso, se ainda assim fossem, para salvar nossos filhos e filhas da nossa ambição e da nossa ganância, cegueira ou ignorância, salvá-los das garras da mídia ensandecida, ainda assim valeria à pena.

Outros fatores estimulados artificialmente ou como conseqüência desse artificialismo devem ser considerados. Acrescente-se a isto tudo, a ausência da mulher-mãe, por força do exercício profissional, essa mulher pós-pirula, sexualmente seduzida pela sua "audácia". A "audácia", esta que só foi possível através da permissão de cientistas homens.

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