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NORA X SOGRA
Por Maria Luiza Curti
Se quando você pensa na sua
sogra, as seguintes imagens vêm à sua mente: de um
réptil sibilino chocalhando miríades de guizos;
uma bruxa de nariz adunco com verruga bem cabeluda na ponta, cortando
o espaço a bordo de uma reluzente vassoura e outros pensamentos
desse naipe, saiba que, é bem possível que ela pode
estar tendo visões semelhantes a seu respeito.
É difícil essa relação,
não?
Nem sempre, há histórias
de relações maravilhosas entre noras e sogras. Existem
casos de noras que se dão melhor com a sogra que com a
própria mãe.
A sogra que inferniza a vida da
nora pode estar inconscientemente erotizando a relação
mãe/filho. Ela não vê a nora como a companheira
que o filho escolheu para construir seu futuro e fazê-lo
feliz. Tem a nora como a rival que está roubando esse filho
em que ela foi investindo seus sonhos desde que ele nasceu.
E aí, a cobra vai fumar!
Ela inventa mil maneiras de não
deixar essa nora ter um minuto de sossego ao lado do companheiro.
Entre outras coisas, ela pode invadir a casa dos dois a qualquer
hora sem nenhum aviso e sem cerimônia dar palpite em tudo.
O molho do macarrão não
é aquele que o filho gosta e que só ela sabe fazer.
O bolo que a nora faz não sai bom porque só ela
sabe bater até o ponto certo. As camisas do filho não
estão separadas por cor no guarda-roupa. As cuecas e meias,
não estão dobradas da maneira que ela costumava
dobrar. Não coloca as roupas na máquina de lavar
separando-as por fibra, por cor, por textura do jeito que ela
faz. A casa, na opinião dela, é uma bagunça.
Os netos não são bem alimentados porque ela só
dá porcaria para eles comerem. Enfim, a nora não
limpa, não lava, não cozinha, não ajuda direito
nas despesas da casa. Não faz nada... COMO ELA FAZ!
Sogra que se sente traída
tem mentalidade fértil para torturar a nora. Geralmente,
essa mulher teve um marido que não satisfez seus anseios
internos, foi um ausente, um banana, um déspota, enfim,
não correspondeu a tudo que ela esperava dele. À
medida que o marido ia frustrando-a em suas expectativas, ela
ia projetando seus desejos no filho, esperando (às vezes
inconscientemente) que o filho um dia fosse para ela o que o companheiro
não foi ou não pode ser (ele pode também
ter morrido).
Muitas vezes também a nora
alimenta as atitudes invasivas da sogra entrando no jogo, fornecendo
munição e assim acaba promovendo uma disputa ferrenha
para ver quem fica com o prêmio (o prêmio em questão
é o filho de uma e companheiro da outra).
Como se sente ele (o coitadinho)
no meio dessa disputa? Às vezes desconfortável e
às vezes lisonjeado, chegando em muitas ocasiões
a colocar mais alguns gravetinhos na fogueira, porque as duas
mulheres que ele ama disputando-o lhe dá uma satisfação
imensa! Tudo depende da natureza dos afetos que mobilizam esse
triângulo.
Bem... como terminar essa guerra
e desarmar os dois lados? A sogra terá que ter uma tomada
de consciência e perceber que não está perdendo
seu filho para outra. O amor de filho é para sempre. Desinvestir
esse filho de seus anseios frustrados e procurar uma forma de
resolver suas insatisfações. Deixar os dois construírem
sua vida sem interferência externa. Só se manifestar
e dar palpite quando for chamada para tanto. É fundamental
o respeito pela vida dos dois. Críticas destrutivas não
ajudam em nada.
Quanto à nora é bom
ir retirando a armadura, abaixando as armas e reconhecer que o
marido vai sempre amar a mãe dele, mas, esse sentimento
que ele nutre pela mãe, em nada vai interferir no amor
que tem por você (companheira). Tente exorcizar mágoas
e rancores. Respeito por ela é bom e ela gosta. Tratá-la
bem. Manter uma certa distância, não uma distância
que cheire a animosidade. Uma distância respeitosa.
As duas podem até vir a
ser boas amigas. Afinal, não tem porque viverem se estranhando,
pois, se cada uma no seu papel, amam o mesmo homem (o que deveria
uni-las é o que determina a contenda e acabam não
enxergando que a natureza do amor das duas é diferente).
Se a nora conseguir retirar essas
roupagens (de cascavel; bruxa ou se já lá como for
que a vê) de cima da sogra, poderá até descobrir
uma agradável mulher experiente e com qualidades que os
rancores não deixavam aparecer, e conquistar uma aliada.
Maria Luiza A. Curti
Psicóloga clínica
– Crp. 14/01733-1
mlcurti@uol.com.br
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