| Envie para quem você admira |
| Em noites e dias nublados |
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Ana Louvado Nas suas noites e dias mais nublados, recolhida no seu silêncio ou sentindo-se um pequeno animal ferido entocado em uma touceira de mato, ou sentindo-se uma árvore solitária em meio ao vento fustigante, olhe primeiro para suas mãos. Conte seus dedos . Não são muitos dedos, são em número necessários. Reconte seus dedos e dê um nome a cada um deles. Nomeie-os com o nome de uma Amiga ou Amigo. Pense em cada pessoa próxima a você, sem medir a distância geográfica, pese-as, não pelas imperfeições e sim pelo que ela acrescenta a sua existência, à existência dos seus filhos, do seu marido, pese-as pelo tanto que ela acrescenta às pessoas à volta dela. Cultura e conta bancária, não entram nesse inventário. Generosidade em doar-se, sim. Aquele telefonema que você recebeu em um dia em que o telefone parecia ter perdido a voz e perguntou, "o quê você está fazendo? Tô indo aí só pra te dar um abraço. Vai ser rapidinho, heim? Preciso ir correndo para o trabalho". Ou como naquele dia em que seu Amigo telefonou e disse: preciso conversar com você, você tem um tempinho? Você teve tempo para seu Amigo e ele confiou em você. Nem seus amigos nem você fazem cobranças de dívidas. Cobram, sim, o descaso. Amor, com amor se paga. Faltaram nomes ? Sobraram dedos, mas, não se preocupe. O número de verdadeiros Amigos não se contam nos dedos pois os Amigos são poucos, raros, o necessário para não deixar você entocada na touceira ou solitária pelas plancícies de ventos fustigantes. Os Amigos foram conquistados pelo seu próprio mérito e valor como pessoa. Na hora de enviar esta mensagem eu fiquei pensando. Será que eu, realmente, demonstro ser sua Amiga, o suficiente, para você ter se lembrado de mim, ao contar e dar nomes aos seus dedos?
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