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Precisa-se
de vendedor
Faustino Vicente*
Comunique-se
13, Agosto/2003
Há
alguns dias atrás, visitei uma concessionária de veículos sendo
atendido por um jovem, que ao longo do nosso bate-papo descobri,
é engenheiro eletrônico e tem como aspiração profissional tornar-se
Diretor da empresa. Lembrei-me, então, do meu amigo Zequinha, que
mesmo sem curso superior, conseguiu trabalhar na área comercial
de uma multinacional durante trinta e oito anos, tendo se aposentado
como gerente regional de vendas. Ele pertenceu a melhor linhagem
do “caixeiro-viajante nato”, que reinou durante muitas décadas,
mas que hoje, apesar do seu elevado grau de inteligência, não teria
a mínima chance, numa empresa de grande porte.
A
conclusão é bastante lógica, se o mercado mudou é natural que as
competências e habilidades do vendedor, também, tenham mudado. A
conjuntura, representada pela globalização, revolução científica
e tecnológica, acirramento da competitividade, exigência maior por
parte dos consumidores, lançamentos diários de novos produtos e
a estreita margem de lucratividade destruiu estruturas e provocou
a redefinição do perfil do profissional de vendas. Relações interpessoais
focadas no servir com prazer, formação educacional compatível com
o público que atende, domínio das especificações dos produtos e
serviços, escutar atentamente para decifrar o “DNA” do comprador
em potencial, capacidade para fazer o cliente perceber o valor agregado
de cada uma das vantagens (diferenciadas) da sua oferta, conhecer
a legislação do Código de Defesa do Consumidor e, jamais prometer
o que não possa cumprir, são requisitos da profissão.
É
preciso ser receptivo à quebra de paradigmas, trabalhar com planejamento
e criar condições que garantam praticidade no atendimento e no relacionamento:
antes, durante e pós-vendas. Intensificar o intercâmbio de informações
e experiências com clientes/fornecedores internos e externos, fazendo
da empatia um privilegiado canal de comunicação. O vendedor deve
aplicar métodos de medição de satisfação dos consumidores e posicionar-se
como interlocutor entre a voz do cliente e os “ouvidos” da empresa,
contribuindo para a realimentação do ciclo de melhoria contínua
do processo. Deve, também, estar sintonizado com as tendências do
mercado para superar as expectativas dos clientes e neutralizar
as estratégias dos concorrentes.
As
técnicas, e a arte, de vender continuam sendo o caminho mais curto
para vencer.Navegando pelas modernas vias da comunicação eletrônica,
o profissional de vendas contribui para melhorar a qualidade, aumentar
a produtividade e reduzir custos, fatores que agregam valores para
investidores e compradores. Muitas empresas têm cometido o erro
elementar de ensinar os fundamentos de vendas, apenas, para pessoal
da área comercial, esquecendo-se de motivar os “funcionários-fronteira”
representados por telefonistas, porteiros, recepcionistas, vigias,
motoristas, empacotadores, pessoal da limpeza, caixas, entregadores,
funcionários de crédito e cobrança, seguranças e todos aqueles que,
mesmo esporadicamente, mantêm contacto com os clientes. Um pequeno
deslize no relacionamento poderá destruir a imagem de confiabilidade
que as empresas demoram décadas para esculpir.
É
aconselhável, que o compromisso da construção sustentada da excelência
organizacional esteja inserido na descrição de cargo de todos os
funcionários e que os mesmos sejam, sistematicamente, treinados
com essa visão estratégica. Mobilidade de beija-flor, determinação
de alpinista,espírito de equipe de jogador vôlei, apóstolo da ética
e da cidadania, e sensibilidade de amante das artes são características
essenciais do novo perfil de vendedoras e vendedores. Concluo com
a convicção de que a emoção continua sendo o motivador maior de
vendas,pois nos períodos de incerteza – palavra detestada pelo mercado
- ‘a população divide-se em dois blocos: um, dos que choram; outro,
dos que vendem lenços”. .
* Consultor de Empresas e de Órgãos Públicos, Professor e Advogado
E-mail: faustino.vicente@terra.com.br
Tel.(011) 4586.7426
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