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O verdadeiro significado
da
Páscoa
Jorge
Ernesto Macedo Geisel (
* )
09, Abril/2004
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"Quando um povo sabe para onde vai,
o mundo inteiro afasta-se para deixá-lo passar"
(Tadanobu Tsunoda, historiador japonês).
Não fosse a Internet, não teríamos
a oportunidade de interagir com tamanha velocidade e ubiqüidade.
Como os desígnios divinos nos movem em direções providenciais,
não podíamos deixar de enviar palavras relativas à celebração
cristã da Páscoa pois, ela sempre nos tocou mais fundo
do que qualquer outro evento judáico-cristão. Para o povo
judeo, trata-se do Pessach, a festa comemorativa da sua libertação
do cativeiro faraônico.
O significado da Ressurreição é mais
prontamente captado pelos povos acima do Equador, coincidindo
com a estação da Primavera. No Hemisfério Meridional, a idéia
costuma exigir uma percepção mais sutilmente filosófica, que
nos permita entender que os ciclos temporais da Natureza correspondem
às etapas espirituais do pecado, do sofrimento, da morte e
o da derradeira libertação. Tal entendimento descortina, a
quem cultive o hábito salutar de amar a Deus sobre todas as
coisas, um cenário grandioso de respostas aos problemas políticos
e sociais da heróica sobrevivência humana, em suas dimensões
materiais e espirituais.
A Reforma soube sistematizar o significado
cristão da Páscoa, resultando em benefícios de ordem prática,
para os povos que a adotaram em suas profundas reformulações
éticas-religiosas. Poderemos citar, assim por exemplo, na
área econômica, o lucro abençoado se advindo do capital,
fruto da iniciativa honesta ou do labor dignamente exercitado.
O empenho responsável e a educação cristã familiar contínua,transformaram
povos muito limitados a territórios desfavorecidos em poderosos
empórios de progresso, de realizações plenas, em todos os
níveis da capacidade e do engenho humanos.
A Ética Cristã, assim posta em ação
concreta, ensinada e treinada desde a tenra idade infantil,
rompeu os barreiras dogmáticas que separavam a cultura filosófica
e científica da consecução da Verdade, e a cultura moral e
artística do Bem e da Beleza. Em contra-partida, a ausência
do ensino religioso, em país como o dos Brasis, tem sido uma
das razões para o declínio da moralidade ética - o mais forte
pilar da Democracia. Ao país não não foram dispensadas as
atenções espirituais devidas, em seu período de formação histórica
e, em conseqüência, foi seu povo dramaticamente prejudicado
em todos os sentidos. A mitologia positivista republicana
centralizadora bloqueou e deformou, na educação prgramada
pelo Estado, a inteligência infantil. Isolou-se a vida escolar
de toda uma base cristã ou seja, eliminou-se, na formação
das almas, a influência de valores espirituais e foi promovida
a difusão cultural de uma mitologia provinda de implante sinistro
da Ordem e Progresso, a qualquer preço e a qualquer custo,
pela ignorância religiosa, na impiedade da hierarquização
social e econômica, em desmoralização progressiva das auto-estimas,
sem expectativas de Cidadania. Eis a principal razão do país
não estar dando certo, agravada pelas diferenças sociais e
regionais profundas e tão conflituosamente administradas.
A gradativa degenerescência, sobre aquelas consciências sem
princípios, de fibras morais amolecidas, influenciada pela
escola disassociada do espírito cristão, interpenetra na comunicação
social, progressivamente desvinculada dos valores permanentes
da civilização ocidental cristã.
O resultado do predomínio materialista
pode ser observado, diariamente, no amplo noticiário dos escândalos
públicos,envolvendo políticos,servidores do Estado, até mesmo
juízes,empresários, profissionais liberais, líderes de obras
sociais e a própria massa de deserdados espirituais das religiões
ausentes. Nas universidades, as ironias mal disfarçadas envolvem
qualquer alusão às igrejas em geral. A dialética materialista
ocupa indevidamente o espaço na formação dos homens e das
mulheres dirigentes do futuro.
O belo Catolicismo, com seus universais
exemplos de fé e de dignidade humana, com suas benemerências,
é relegado ao plano inferior dos esquecimentos, sob análises
meramen te casuísticas de seus eventuais erros históricos,
normais por haverem sido provocados pela própria imperfeição
humana, nas ligações espúrias com as coisas de estado, tem
sido vítima constante dos ataques e das críticas mal-intencionadas.
E, mesmo dentro de seu construtivo e universal conteúdo pastoral,
o catolicismo tem sido tomado de assalto pelos que se pretendem
adonar de sua força e de seu merecido prestígio, direcionando-o
para objetivos distorcidos pelas crenças ideológicas, vocacionadas
ao materialismo histórico e à escravidão do Indivíduo ao Estado
onipotente.
O resultado da ausência da prática
diária da religião está estampado: sem ensino religioso, o
amplo desvirtuamento democrático em direção à anarquia. O
despreparo ético e a submissão ao dever jurídico-social, sem
o exercício da consciência. Se desejamos a autodeterminação
democrática e valorizadora do Indivíduo, com a consciência
de uma promessa já iniciada, devemos nos voltar ao exercício
permanente da Fé Cristã, na ressurreição diária do espírito
pascal que nada edificará, se ele não representar, também,
a libertação de nossos preconceitos e de nosso desamor ao
próximo.
Se for nossa intenção sincera, a de
criar e desenvolver uma sociedade de confiança, espiritualmente
sadia e politicamente estável, deveremos acertar na orientação
religiosa cristã. Sem o seu valor e precioso auxílio, não
haverá posse da realização com a felicidade. Repetiríamos
o ciclo dramático, do qual nos pretendíamos libertar: no de
errar culpadamente, até o desmoronar em catástrofe moral irremediável
.
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Jorge Ernesto Macedo Geisel é advogado.
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