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O Dia das Mães foi
uma brilhante e amorosa idéia norte-americana, nascida no
princípio do século passado, da solidariedade de um grupo
de amigas da jovem Annie Jerwis, profundamente afetada com
a morte de sua mãe. Resolveram perpetuar a memória da mãe
de Annie com uma festa. Annie, no entanto, numa demonstração
de notável espírito universal, exigiu que a homenagem fosse
dedicada a todas as mães, vivas ou mortas. Não demorou muito,
a comemoração foi se generalizando nos Estados Unidos. Em
1914, o presidente Wilson oficializou o dia 9 de Maio como
o Dia das Mães.
Em 1932, a data
foi instituída por decreto de Getúlio Vargas, para comemoração
no segundo domingo de Maio, pois no dia 1º do mês já havia
a comemoração socialista do Dia do Trabalho, por decreto do
presidente Artur Bernardes.A partir da ditadura Vargas, o
dia ganhou o status oficial, quando ninguém precisava trabalhar
para ouvir seu discurso populista no estádio do Vasco da Gama.
As datas comemorativas,
como o Dia das Mães e o Dia do Trabalho, entretanto, não são
festejadas nos mesmos dias em todos os países do mundo. Nos
Estados Unidos, por exemplo, o Dia do Trabalho é dia 7 de
Setembro. O Dia das Mães, na Argentina, é no segundo ou terceiro
domingo do mês de Outubro. Na Bolívia de Morales, em 9 de
Outubro. Não hay concertación em matéria de data dedicada
às mamães. Mas, mãe é mãe, em qualquer lugar do mundo. O comércio
e a indústria devem muito a elas e aos que se lembram em presenteá-las,
por amor verdadeiro ou por ossos do ofício de legítimos ou
ilegítimos filhos da mãe.
O mês de Maio é
notável. No Hemisfério Sul é o outono, ao Norte a primavera.
Por aqui, em Pindorama, temos o enforcamento geral do trabalho,
com atualização de apagão aéreo, para festejar o 1º dia inútil
de Maio... Além do estresse promovido pelas dívidas das presumíveis
rendas, confessadas até o improrrogável dia 30 de Abril, as
correrias às compras e as expectativas de gula, programadas
para o Dia das Mães. Geralmente, as nobilíssimas mártires
do pecado original, acabam trabalhando mais do que nunca...
Sob a incrível fertilidade
comemorativa de Maio, também o mês das noivas, brevemente
será comemorado como Dia Mundial Contra a Homofobia. A decisão
provem da Assembléia Geral da Organização Mundial da Saúde,
que pretende que o Alto Comissariado para os Direitos Humanos
e que a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas condenem
a homofobia (um certo tipo de alergia mental politicamente
incorreta), em suas vertentes política, social e cultural,
consagrando a data de 17 de Maio como um Dia Mundial, a data
em que a decisão da OMS retirou a homossexualidade da sua
lista de doenças mentais. Parece que muita gente considerava
a homossexualidade, uma coisa tão normal, (até, mesmo, na
ONU!) como doença transmissível, credo!
Pelo que se vê,
o mês de Maio se presta a todas as comemorações de descobertas
possíveis. Poderemos, em breve, antecipar as férias escolares
de junho para maio, para que a freqüência escolar ao PAC da
Educação seja reforçada. Tendo em vista a posse no dia 4,
do próximo mês de Maio, do ministro Mangabeira Unger, algum
festejo poderá se tornar memorável. Uma boa indicação para
futuro festejo, seria a cópia do Dia da Marmota, uma festa
tradicional nos Estados Unidos e no Canadá, embora celebrada
no dia 2 de Fevereiro. No Brasil, em não se tendo marmota,
a macaquice usual seria bem aceita, no mês de Maio, com o
devido ponto facultativo federal.
A sugestão do Dia
da Marmota (com sotaque de erre country, por favor),vem do
costume, lá da América de cima, em observar uma toca de Marmota
monax. Se o animal sair da toca por estar nublado, isto significa
que o inverno terminará mais cedo, porém, se pelo contrário,
o sol estiver a brilhar e a marmota se assustar com a sua
própria sombra e voltar para a toca, então o inverno durará
mais tempo...
Nós que adoramos
nossas mães, vivas ou mortas, deveríamos aproveitar a criatividade
globalizada para estabelecer o Dia dos Filhos da Mãe. Afinal,
quem tem mãe, também é filho de Deus.
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