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Aspectos
da Mulher na
Realidade
Brasileira Atual
Luiz
Roberto Nascimento
CRA-SP-57867(Pós
Graduado em Finanças)
05,
Março/2002
Tradicionalmente
o segundo domingo de Maio é comemorado o Dia das Mães;
no dia 30 de abril foi comemorado o Dia Nacional da Mulher, mas
anteriormente em 08/março foi festejado o Dia Internacional
da Mulher.
Recorrendo
ao Dicionário de Datas Comemorativas - Ed.UNED, de autoria
de André Carvalho, assim se manifesta a cerca das datas:
a) Dia
das Mães:... A origem de comemoração do Dia
das Mães é a seguinte: uma senhorita norte-americana,
Miss Annie Jerwis, de Filadélfia, depois de perder sua mão,
mostrava-se inconsolável. Quanto mais tempo decorria, em
vez de diminuir, parece que maior ia-se tornando a dor daquele delicado
coração de mulher. Algumas amigas de Annie Jerwis,
verdadeiramente contristadas com aquele sofrimento, e com o intuito
de elevar-lhe o espírito, prontificaram-se a perpetuar a
memória da mãe da amiga. Comunicaram, então
a ela a intenção de realizar alguma coisa que imortalizasse
a lembrança de sua mãe querida. Miss Annie Jerwis,
de espírito delicado, sensibilizou-se profundamente com aquela
idéia. E pediu, então, que uma homenagem se tributasse,
não apenas a sua mãe, mas a todas as mães,
vivas e mortas. Realizada a festa, foi ela repetindo e generalizando
por outras localidades, como tudo o que agrada ao povo. E, anualmente,
em toda a nação norte-americana, grandes homenagens
se prestavam às mães. O presidente dos Estados Unidos,
Woodrow Wilson, indo de encontro aos desejos do povo, tornou oficial
aquela comemoração, instituindo, por decreto, o Dia
das Mães, em 09 de maio de 1914....E o Sr. Getúlio
Vargas, quando ainda Chefe do Governo Provisório, pelo decreto
nș21.366, de 05 de maio de 1932, tornou a festa também oficial
no Brasil, instituindo o Dia das Mães, a ser celebrado no
segundo domingo de maio...".
b) Dia
Nacional da Mulher : Foi a 30 de abril que nasceu a fundadora
do Conselho Nacional da Mulheres, Sra. Jerônima Mesquita.
Como homenagem àquela extraordinária mulher, grande
filantropa, foi escolhido o dia de seu nascimento, 30 de abril para
o Dia Nacional da Mulher."
c) Dia Internacional da Mulher : A data foi escolhida pela
UNESCO, com o fim de assinalar a primeira manifestação
de mulheres organizada em torno de reivindicações
especificamente femininas. Em 08 de março de 1857, 129 operárias
de uma fábrica têxtil de Nova Iorque paralisaram o
trabalho reivindicando salário igual para função
igual, exercida por homem. Os patrões trancaram e incendiaram
a fábrica, e morreram queimadas as 129 operárias."
Já
estudei este tema em 1985, gostaria de destacar algumas expressões
que ouvi: Quais foram as mudanças observadas nos últimos
tempos, que impulsionaram o movimento de reconhecimento de igualdade
dos sexos? O que há de mal na mulher rural ser parideira
e integrante da força de trabalho, será que ela se
sente infeliz com esta condição? Ora, para responder
estas duas questões, entre outras de pessoas que são
incapazes de reconhecer que as mulheres são tão humanas
quanto os homens.
Se quisermos
extrapolar os limites de nosso país, exemplificaremos os
EUA: em 1976 a Dra.. Shere Hite apresentou seu relatório
que conclui "o sexo é uma instituição que consagra
a opressão da mulher"; em 1983 a física Sally Ride
torna-se primeira astronauta; em 1984 pela primeira vez uma mulher,
Geraldine Ferraro, concorre à vice-presidência da República.
Temos então alguns exemplos brasileiros: em 1975 a Dra. Eny
Carbonari se tornava a primeira diretora de presídio do Rio
de Janeiro e do país; no início dos anos '80 a antropóloga
Maria Dulce Gaspar passou por 60 boates para compor sua tese, que
passou para o livro "Garotas de Programa"; em 1985 a sexóloga
Marta Suplicy publicou "De Mariazinha a Maria"; em 22 de julho de
1985, no Fórum Lafaiete/B.Horizonte, tomou posse a Juíza
Auditora Militar da Justiça Militar de Minas Gerais, a Dra.
Sônia Diniz Viana.
Mais recentemente
podemos citar o estudo da CIDH - Comissão Interamericana
de Direitos Humanos, órgão vinculado à OEA,
apresentando o Informe sobre a Condição da Mulher
nas Américas, conforme divulgado em O ESTADO DE SÃO
PAULO-25/abr/98-pag. A-15. No caso da mulher rural é praticamente
impossível saber seu grau de felicidade e realização
pessoal, pois a ela não foi dada outra opção
a não ser gerar filhos e compartilhar com o homem os encargos
do plantio e colheita.
Mas devemos continuar pensando no sopé da pirâmide
social, ou seja como estão se sentindo as garis, as faveladas,
as bóia-frias, as prostitutas das zonas de baixo meretrício
e das jovens meretrizes que são encaminhadas, pela fome e
até mesmo pelos pais, para complementar a renda familiar,
colocando à venda seus corpos nas cidades e nas estradas
do interior do país.
Uma solução plausível para esta situação
de degradação humana seria dar-lhes instrução,
educação e cultura. Este é um processo longo,
difícil e complexo, pois somente dando estrutura cultural
é que será possível dar condições
de propiciar alternativas de conscientização das potencialidades
e verdadeira razão de ser da mulher enquanto ser humano.
Isto quer dizer que desta forma ela será capaz de decidir
como e quando deverá entregar-se de corpo, mente, espírito
e alma a um ou vários homens, quantos filhos quer ter, qual
sua tendência profissional e assim por diante. Outra alteração
psicossocial extremamente necessária é a mudança
da estrutura social machista que nos vem sendo imposta ao longo
dos tempos, do tipo: homem não deve chorar, cozinha é
lugar de mulher, futebol não é esporte feminino, mulher
não deve subir em árvores, entre outros padrões
machistas. Foi com espanto que ouvi de uma pessoa que "talvez meu
lado feminino não estivesse se sobressaindo", devido ao afinco
com que tenho me dedicando ao assunto, ao comentar que minha maneira
de pensar havia modificado nos últimos anos, pois até
então mulher nada mais era que um fenômeno biológico
e natural representado pela minha mãe, esposa e filha, além
do aspecto da estética das minhas colegas de trabalho.
É
muito simples constatar que não seria muita coisa hoje se
não fossem estas mulheres, principalmente o espírito
crítico e a facilidade de percepção transmitidos
por minha mãe (destaque-se que depois dos 50 anos desvencilhou-se
das amarras da vida doméstica preenchida pelo tricô
e foi à luta, sendo admitida por concurso no TRT-SP como
Agente de Portaria, com muita garra concluiu o supletivo, fez o
Curso Superior de Geografia e por concurso interno já é
Auxiliar Judiciária). Outra mulher marcante em minha vida,
tem sido minha esposa que além do apoio moral, compartilha
vibrantemente em cada vitória e me levanta e me prepara para
a próxima batalha, após cada derrota.
A alteração da estrutura social esperada, pelas mulheres,
não deve ser imposta num estilo "Guerra dos Sexos", mas sim
através da necessária manutenção da
postura feminina deixando de lado o estilo feminista e agressivo,
desta forma as mulheres deverão/poderão vir a se transformar
nos agentes de mudança com sua natural feminilidade e não
impositora de posições extremistas.
A crescente participação da mulher na força
de trabalho é expressiva. Tendo em vista atual explosão
demográfica, uma vez que a taxa de crescimento já
atinge cifra em torno de 3% a.a., pode ser sugerida uma mescla de
maternidade responsável com um controle de natalidade para
que seja interrompido o ciclo de pobreza, subnutrição,
risco de vida para a mãe e o bebê, delinqüência
juvenil e todos os problemas de carência sócio econômica
que imperam atualmente nas favelas, periferia e no meio rural.
A respeito
da violência sexual, acredito que será reduzida na
medida em que haja conscientização feminina de diminuir
o sentido "mulher vende tudo", até seu próprio corpo.
No entanto deveremos exercer não uma censura prévia
contra novela, filmes de televisão e de cinema de uma forma
puritana, mas sim uma que se respeite as diferenças regionais
e que dê liberdade de escolha às famílias tradicionais
de todo o território nacional.
Para encerrar
gostaria de deixar à reflexão dos seres humanos interessados
num novo gênero de princípio de relações
humanas, as palavras do grande pensador argentino Carlos Bernardo
Gonzalez Pecotche, que em sua novela psicodinâmica O Senhor
de Sandara, em castellano à página 307 temos:
"...Tanto o homem como a mulher haviam
sido dotados do poder de pensar, de sentir, de amar, de criar
e procriar, com o qual essa finalidade se irá cumprindo
cronologicamente. Mas ainda descobriu algo mais, e era o papel
principalíssimo que a mulher haveria de desempenhar na
vida do homem, já que na natureza feminina está
contida grande parte dos mistérios que o homem deverá
descobrir para lograr sua ascensão ao domínio da
sabedoria"
Mais adiante,
à página 427, encontramos: "Escravas da vaidade, do
orgulho e de outras não menos perniciosas debilidades que
influem sobre a instabilidade humana, se entregam sem recato nos
braços do capricho quando a vida lhes sorri" .
Já em Revista Logosofia - Março/1941, reproduzido
na coleção da revista Logosofia, Tomo III, página
2 assim se pronunciou:
"...A
mulher deve ser fina em seus modos e em sua linguagem. Todo gesto,
expressão ou atitude que atente contra sua feminilidade,
a enfeia e chega até convertê-la em um ser que inspira
desprezo. Para adquirir as belas qualidades que tanto adornam
seu caráter, é necessário que a mulher se
disponha a ele com especial dedicação. Aprendendo
a conhecer de que modo os pensamentos atuam e influenciam a vida,
buscará a companhia daqueles que elevem seu espírito
e contribuam, por um lado a dar brilho a sua figura de mulher
superior no meio ambiente em que atue, e por outro, a que sua
alma desfrute das inumeráveis prerrogativas que abre o
conhecimento às possibilidades de viver uma vida mais ampla
e mais cheia de atrações que a vulgar, por conter
uma variedade tão incontável de motivos que não
só despertam ao ser interno em um novo mundo, senão
que o extasiam ante a grandeza dessa parte da criação
que permanece ignorada para os que não sabem que existe
nem se aprestam a obter os meios para conhecê-la. O cultivo
mental deve constituir, pois, para a mulher, uma necessidade intensa
como a que sente para embelezar sua pessoa... E quem senão
os próprios filhos haverão de recordar com gratidão
essa graça, pouco menos que sublime, que uma mãe
inteligente e culta derrama sobre a alma dos mesmos? Que prêmio
maior pode haver para seus sacrifícios que aquele que em
seu nome, símbolo de exemplo, seja bendito e venerado por
todos?
Mulheres assim como as que forjam o ideal das gerações."
Luiz Roberto Nascimento
CRA-SP-57867(Pós Graduado em Finanças)
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