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Domínio Feminino
Domínio Feminino

 

 

 

 

 

 

      O que elas querem?

 

Jornalista e fotógrafo Caio Martins

Por Caio Martins

 

O dramático de assumirmos cada vez maiores responsabilidades e mais poder de decisão é o fato de termos cada vez maiores possibilidades de errar e menos chances de desculpas. Ficamos, os homens, assustados com o avanço das mulheres em todas as atividades exclusivamente masculinas até há algumas décadas, principalmente pela concorrência no mercado de trabalho e, em conseqüência, pela consolidação de sua liberdade de fazer, ao menos aparentemente, o que melhor entenderem com o próprio corpo.

No primeiro caso revelaram-se competentes em inúmeras funções nunca dantes navegadas, inovando estilos de gestão e gerenciamento excepcionalmente produtivos pela flexibilidade, inteligência e sensibilidade diferenciadas, a respeito do que temos muito que aprender e realmente tratar de fazer a coisa certa um com o outro, e não contra o outro. Responsabilidade e poder de decisão, nesse caso, subordinam-se ao critério de criatividade, competência, rapidez e eficiência, no melhor estilo globalizado.

No segundo, a coisa pega. Brigaram, bateram, apanharam, espernearam, e reouveram o direito de exercer a sexualidade sem limites outros que os do bom senso e de padrões morais aceitos, estes sujeitos à diáfana elasticidade e aos objetivos ditatoriais da moda, modos e extrema voracidade dos mercados de ilusão. O arsenal de manutenção da aparência como instrumento para influir no meio em que vivem é indústria próspera e radicalmente lucrativa, mantendo a mulher na suposição de ente sedutor irresistível e alimentando, como que eternamente, um universo de fachadas, não de conteúdos.

Querem estar belas, atraentes e sedutoras como eternamente, não medindo para isso nem recursos, nem sacrifícios. Dizem os bonzinhos (e os feios) que a maior beleza é a espiritual. O mundo real, prático e atuante diz que estão errados. Para cada revista, publicação ou portal destinado à aparência masculina, há milhares para a feminina, padronizando e massificando o perfil bem sucedido não da mulher sem crises de identidade e, portanto, liberta, mas da fêmea ancestral e atávica mais capaz de atrair os machos, antigamente para procriar, atualmente como demonstração de superioridade em relação às concorrentes.

Há muito dinheiro rolando nesse mercado não pela maldade e insensibilidade do homem predador e o mundo que criou e, sim, pela vulnerabilidade da opção feminina de disputar esse universo segundo as regras de jogo que nós, geradores do sistema, inventamos nos primórdios, não elas. Tinham, até a Revolução Feminina, a desculpa do domínio masculino. Não lhes resta, nesta era dos silicones, geringonças térmicas, eletrônicas e invasivas de modelagem, recuo aceitável. De objetos impostos – mesmo que consentidos – passaram por opção a objetos consumidos, sexualizados drasticamente e com crescente intensidade desde a infância num processo criminoso.

Se na conquista de outros espaços vemos uma notável arrancada e êxitos irreversíveis, no desfrute da liberdade arrancada a fórceps temos quase uma trombada com o impossível, cujo resgate exigirá verdadeiros milagres. É um desafio que só conseguiremos vencer juntos, se elas quiserem.


Caio Martins é jornalista, fotógrafo e assessor de imprensa do Sr. Luiz Tortorello, prefeito de São Caetano do Sul. Escreve para vários jornais.

 

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