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Segundo a história, no século seis
d.C, a igreja católica instituiu o dia 25 de dezembro como sendo
a data de nascimento de Jesus de Nazaré.
Nessa época, o cristianismo já estava
bastante difundido como religião, pois o imperador romano Constantino,
durante o século quarto, havia estimulado enormemente seu crescimento
por toda Europa.
Durante o reinado de Constantino, foram
iniciadas as construções das igrejas da Natividade, em Belém e Santo
Sepulcro, em Jerusalém. De acordo com dados históricos, sua conversão
se deu durante a Batalha da Ponte de Milvian, onde teria avistado
no céu uma cruz de fogo com os dizeres “Por este sinal conquistarás”.
A partir deste fato, através do Edito
de Milão, ele restituiu à igreja católica o direito de difusão do
cristianismo como religião legal e tolerada, concedendo privilégios
e imunidade, inclusive outorgando promoções para altos postos de
governo aos romanos recém convertidos.
A partir de Constantino, todos nós
conhecemos a importância do cristianismo difundido pela igreja católica
até nossos dias, com seus aspectos benéficos e maléficos para a
cultura religiosa ocidental.
A grande questão, baseia-se na difusão
das palavras de Cristo divulgadas após sua morte, com simbologia
propagada e aceita por grande parte da humanidade que a usa como
referência de vida espiritual, em relação à luta do homem Yeshua
que de forma peculiar combateu os poderes do Estado Romano e da
Casta Judaica dominante que massacravam os miseráveis da época.
Durante muito tempo, Religião e Estado
andaram de mãos entrelaçadas, em total distanciamento do âmago das
mensagens propagadas pelo Homem de Nazaré.
Como também é verdade, a Igreja Católica
em muito resgatou e resgata com seus trabalhos espirituais e carismáticos,
os excluídos que vivem à margem da sociedade, numa verdadeira aplicação
das mensagens da fraternidade universal do cristianismo.
Em poema, tento traduzir a importância
do homem Yeshua para a formação das pessoas que comungam do sentimento
de grandeza e tolerância que suas palavras causam desde sua morte
até os dias atuais.
Difere da crença e outro era o luar.
Não era mulher. Na simplicidade era rude como pedra do lugar. Sua
face aparentada nunca foi clara nem aveludada. Azuis seus olhos
do céu, nunca roubou ele a cor. Na noite, do brilho das estrelas,
emprestou a sutileza do amor.
A história outra foi. Esta deixou a
leveza da verdade na dor. Não foi Belém seu viver, mas Nazaré por
seu bem crescer.
Natal seu nascer não seria, qual data
sem saber, melhor a natividade olhar outro dia. Nas datas pagãs
de Roma, esta foi escolhida pela igreja católica apenas por simbologia.
Sugou os seios de Maria e bebeu do
alvo leite, entre bichos, ouvidos e olhos, na estrebaria. Na injustiça
de Roma e contra o poder judeu, um camponês menino revoltado cresceu.
Irmãos sim ,irmãs também teve. Talvez
pregado tenha aos ventos, o Ungido ainda menino com seu cajado,
com outros homens conhecimento sabido e falado.
O rei Antipas, déspota da Galiléia,
era a face dos impostos de Roma, e os olhos do menino a miséria
viam, sabia, nada comiam ou bebiam.
Na injustiça social, sua mente se afogou
em comoção, do clamor do povo, sua voz aos ouvidos e olhos, iniciou
sua pregação.
Clamou pelo Pai, da benção Criador,
falou da injustiça divina a quem queria paz das mãos do Senhor.
Orou só e traído foi por vontade sua, para solidificar a palavra
amor.
Veio julgamento e açoite, na porta
da noite, e a lágrima rolou pela face consciente do conteúdo havido
no cálice, o vinho da cor de sangue, por ele sorvido.
Pelo ferro foi em cruz, das trevas
tirado, quiseram-no homem abençoado e não pregador revoltado. Do
céu azul, entre nuvens, foi pelos homens crucificado.
Não muitos pregavam suas crenças, pela
águas revoltas dos rios romanos. Um romano, auditor das contas fiscais,
do penhasco jogou-se em ato de fé.
E Paulo, muito além dos muros da cidade
de Tarso, no deserto audaz do poder que em suas vestes fervia, da
febre livrou-se de ser pagão e no fervor das palavras do Messias,
levou-o à redenção.
Não pelos ideais seus, mas do outro,
martelado foi a feroz ignorância, restou [no jogo da vida] apenas
pedra bruta, rolada da porta onde escoado foi o corpo da escura
gruta.
Em dezembro, do calendário depois de
Cristo, amor, fugaz sentimento, bate à porta do poeta, livre de
tormento, no saber da hipocrisia, chamados pelas igrejas, cristãos,
dia após dia.
Além da áspera sombra, detrás das broncas
montanhas, fita com olhos mareados a morte de irmãos abençoados,
judeus e palestinos, o homem com seu cajado santo, deita-se em leito
de morte debaixo do negro manto.
Pede perdão ao Pai: Os homens fazem
e nada sabem!
E o poeta, no frio horror de sua sina,
livra-se da lágrima que banha a terra santa, ao sentir da morte
o batismo em água benta, repousada e mansa no fino espelho da fétida
latrina.
Alto
*
Douglas Mondo é poeta, advogado civilista e empresarial.
Fundador, ex-presidente e atual vice-presidente do Conselho de Segurança
de Jundiaí, SP. Acadêmico fundador e presidente da
Academia Jundiaiense de Letras Jurídicas. Palestrante - Grupo
Mondo, Barros & Terra. L.M. www.kyotec.com.br/mondo
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e-mail- veritas@kyotec.com.br
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