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Verbetes
Eleitorais
Douglas
Mondo ( *
)
19,
Agosto/2004
Para elaborar um dicionário eleitoral
é necessário começar de trás pra frente, pois o interesse
maior que seria a administração do bem comum em favor da população,
na verdade torna-se a divisão do bolo entre a politicagem
dominante, já que o direito do povo que seria o fundamental,
manda-se às favas, pois ninguém é de ferro!
Para começar, em último lugar temos
o Voto. Voto é aquela tecla que o eleitor aperta achando que
elegeu o Salvador da Pátria, e dias depois se dá conta que
elegeu apenas mais um político cheio de conchavos e artimanhas.
É a tecla João-Bobo!
Em seguida temos a Urna. Um lugarzinho
solitário onde o cidadão é ludibriado e acaba elegendo um
cabra-safado que durante quatro anos fica só consultando as
bases e distribuindo prêmios de terceira categoria, feito
carnê do Baú da Felicidade!/ Depois vem o Título de Eleitor.
É a identificação de João-Bobo!
Na letra “S” vem Santinho. Santinho
é aquele papelzinho ridículo onde aparece a foto do candidato
com cara de pidão, dizendo: Por favor, coloque-me na mamata
com salário de marajá?!
Depois temos a palavra Reeleição. É
quando o eleitor se transforma em Zé-Mané!
Ah! Tava esquecendo a definição de
Zé-Mané: É o cidadão que não se cansa de ser enganado por
estelionatários políticos. É o famoso trouxa do 171.
Em seguida vem uma legenda das mais
importantes, que é Partido Político. Mais importante para
os políticos, é claro! Na verdade quer dizer “Quadrilha Eleitoral”.
É onde os políticos se abrigam para elaborar estratégias de
enganação ao povo.
Povo! Este merece uma definição bem
eloqüente: Cambada de Trouxa ou “Me Engana que Eu Gosto”!
A seguir temos Oposição. Ih, quer dizer: Farinha do mesmo
saco!
Depois vem Mandato. Mandato é tempo
livre de rouba mas faz! Durante quatro anos é o liberou geral!
Quer uma palavra que não serve para
nada? Justiça! Ache uma utilidade e me avise. Fico esperando.
Êta Sô! Vem uma pesada! Imposto: Tirar
dos mais pobres para dar aos mais ricos! Você não acha?!
Uma bem difícil de achar: Honestidade:
Quando, onde, cadê!!!!
Outra que tem o significado de traição:
Governo. É o tal do Salvador da Pátria. Olha aí nós de João-Bobo
novamente!
Depois vem uma enganação. Eleição:
É quando o eleitor se credencia para ser trouxa por mais quatro
anos. É o masoquista eleitoral!/ A seguir temos uma que é
mas não é. Democracia: É o regime político do faz de conta
que eu falo e você faz de conta que acredita. Não tem nada
a ver com dinheiro. A definição desta palavra é: Quanto vale
o meu voto?
Agora vem uma que todos gostam. Corrupção:
Eu, tu ele, nós, vós, eles são! Mas quem não é?!
A penúltima. Bundão. Tá fora de ordem,
mas cabe direitinho na lista: Quase a anterior supracitada.
Somos, mas quem não é?!/ E, finalmente, a última e mais importante.
Amigo: É o sujeito que dá um tapinha nas suas costas e diz:
conte comigo, você é quase um irmão para mim!
Sentiram a sutileza do quase? Boa campanha
política para todos! Contem comigo, sou quase um irmão para
todos os políticos profissionais deste país.
Douglas Mondo é advogado e escritor.
www.douglasmondo.com.br
e-mail Douglas@douglasmondo.com.br
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