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Douglas Mondo
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Vergonha Nacional
Douglas Mondo*
17, Outubro/2002

 

O regime democrático se sustenta na ampla liberdade de emissão de toda e qualquer opinião, livre de censura e baseada nas garantias individuais e coletivas.
 
 Todo cidadão que participa do processo de representação política, responde pelos seus atos através de julgamento da opinião pública e também, perante o judiciário caso tenha dado motivo para qualquer malversação do erário.
 
Honestidade e respeito ao cumprimento das normas legais não são virtudes, mas sim obrigações naturais do político no exercício do mandato público.
 
Em caso de desvio ou malversação do erário, o julgamento deve ser dar de maneira a ser preservado todo e qualquer direito de defesa, com a apresentação das provas necessárias ao deslinde da questão.
 
Caso o detentor da representação política tenha feito bom governo, dificilmente sentará no banco dos réus, mas sim receberá os louros pelo sucesso de sua administração.
 
Facilmente elegerá sucessor em virtude de aceitação popular pela metas cumpridas, com a esperança que o próximo continue pelo mesmo caminho.
 
Essas são regras vigentes num regime democrático. Não é raro que ex-governantes continuem a receber homenagens por seu passado, por suas lutas humanistas e por sua visão e esperança de um mundo melhor e paz entre os homens.
 
Refiro-me ao ex-presidente americano Jimmy Carter que acaba de ser laureado com o prêmio Nobel da Paz, por sua postura crítica à política americana de guerra contra o Iraque.
 
Aqui em nosso país, na calada da noite e como um estertor de moribundo, lamentavelmente há uma proposta de Emenda Constitucional em trâmite pelas Comissões da Câmara dos Deputados criando o cargo de Senador Vitalício para Ex-Presidentes da República.
 
Desnecessário dizer que está sendo feita de encomenda para Fernando Henrique Cardoso para que adquira imunidade parlamentar e possa se livrar de todas as ações judiciais que tramitam contra ele junto ao Supremo Tribunal Federal.
 
Para um homem que se preocupa – mais que tudo – com a história de sua biografia, fatalmente colherá tempestade pelos ventos semeados.
 
Deixará de eleger seu sucessor, em virtude de ter, ao fim de seu governo, reduzido o país a um amontoado de equívocos, com redução das reservas cambiais de 75 para 19 bilhões de dólares, com mais de 12 milhões de desempregados e em descrédito generalizado na propalada intelectualidade política que um dia afirmou ter projeto para governar esse país por mais de vinte anos.
 
Depois de oito anos está ruindo o castelo do rei, como um frágil jogo de cartas, onde o soberano tenta se esconder atrás de normas encomendadas por políticos que vivem à margem das reais necessidades da população brasileira.
 
Num simples paralelo com Jimmy Carter, enquanto este é premiado com o Nobel da Paz, se for aprovada tal Emenda Constitucional, Fernando Henrique Cardoso deverá ser laureado Senador Espertalhão-Nacional, já que por meio de ardil ou artifício, contraria, em benefício próprio, todas as regras vigentes de uma pura e combinada democracia participativa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Douglas Mondo é poeta, advogado civilista e empresarial, fundador, ex-presidente e atual vice-presidente do Conselho Comunitário de Segurança. Fundador e presidente da Academia Jundiaiense de Letras Jurídicas. www.kyotec.com.br/poeta e www.kyotec.com.br/mondo - e-mail veritasdouglas@uol.com.br

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