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Elias,
o maluco de Deus!
Douglas
Mondo*
03, Outubro/2002
A vitória do bem sobre o mal.
Do estado de direito sobre o crime organizado. Da lei sobre o fora-da-lei.
Da justiça sobre a injustiça. A vitória de Deus sobre o diabo.
Elias, o maluco, está preso. Todos
os matadores do jornalista Tim Lopes, finalmente, estão presos ou
mortos. A lei, a vingança do forte sobre o fraco, foi cumprida,
e em nome da paz, fez-se justiça.
O Rei venceu! Viva o rei!.
A partir desse instante, o poder
do Estado será respeitado em todo país. Não haverá mais poder paralelo,
nem venda de drogas nas favelas, nem consumidores de cocaína, de
crack, ou de maconha subirão aos morros para aplacarem seus vícios,
pois as vendas serão objetos de liquidações nos shoppings das grandes
cidades.
A partir da prisão de Elias,
aquele, o maluco de Deus, finalmente todos poderão dormir em paz,
já que não haverá mais balas perdidas cruzando caminhos de crianças
com rostos de anjos, e as velhinhas inocentes poderão receber suas
gordas aposentadorias em paz, com todo o respeito que o governo
e os banqueiros lhes outorgarão, doravante.
Atenção senhores jornalistas,
durmam sossegados: A partir de hoje, quando arriscarem suas vidas
na obtenção de furos sensacionais, frutos de matérias que retratam
a ambigüidade das relações humanas, próprias da exploração de pobres
pelos ricos, o veículo máximo da comunicação brasileira, espelho
do poder, os transformarão em heróis e mártires, e a morte não será
em vão.
Não se preocupem se seus contratos
de trabalho estão sob a égide de “contratos autônomos” para burlar
leis trabalhistas, afinal podem abrir suas micro-empresas em cidades
onde o recolhimento do ISS é menor, e não estarão sendo explorados,
pois ao morrerem no cumprimento do dever de informar, serão transformados
em heróis e isso, está acima de qualquer direito. O rei garante!
Quem seria tolo em enfrentar
o rei? Ele elege presidentes, amputa-lhes os mandatos, torna-os
populares, cria mitos, destrói bandidos e mais: é o dono da sociedade.
Mas o rei é benevolente, tanto
assim, que lhes dá exposição gratuita, torna-os famosos aos olhos
da mediocridade, e acima de tudo, o rei ama seus filhos, e ninguém
pode com o poder do rei. Viva o rei global!
Caros jornalistas, um conselho,
se me permitem a ousadia: guardem todos os documentos que retratem
os pagamentos pelos serviços prestados, pois ao serem demitidos
ou descartados, desculpem o termo, poderão propor as ações trabalhistas
que lhes garantem seus direitos.
Ainda mais, não há a figura de
jornalistas autônomos se não houver a cessação do trabalho prestado
enquanto empregado com registro em Carteira de Trabalho e Previdência
Social por um certo período, isto é, se não houver solução
de continuidade do contrato de trabalho enquanto empregado, na alteração
para autônomo.
Mesmo se forem contratados como
autônomos e só prestam serviços para um único patrão, sob sua fiscalização
e com horário fixado por ele, têm os mesmos direitos que empregados
regularmente registrados.
Não morram em vão! Lutem pelo
pão, não pelo circo!
Posto isso, não sejam vítimas
de Elias, aquele, o maluco de Deus, pois se Tim Lopes tivesse, por
parte de seu patrão, toda a proteção que seu trabalho exigia, com
o respeito que as relações jornalísticas devem ter, na obtenção
dos fatos e furos, não teria sido morto e nós, humanos comuns não
teríamos sido bombardeados pelo circo armado pelo poder global,
como pico de ibope e lucro no caixa.
Alto
*
Douglas Mondo é poeta, advogado civilista e empresarial.
Fundador, ex-presidente e atual vice-presidente do Conselho de Segurança
de Jundiaí, SP. Acadêmico fundador e presidente da
Academia Jundiaiense de Letras Jurídicas. Palestrante - Grupo
Mondo, Barros & Terra. L.M. www.kyotec.com.br/mondo
- www.kyotec.com.br/poeta
e-mail- veritas@kyotec.com.br
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