.
 

 

Domínio Feminino
Douglas Mondo
Domínio Feminino

 

 
 
Anunciar?
Seu Link no Domínio Feminino, é só solicitar preços.

 

 

 

 

       Inferno
         Douglas Mondo*
         29, Janeiro/2003

 

Mãos espalmadas, entre dores e grades, abrem-se em asas à imagem do Santíssimo e tentam capturar um pouco de liberdade.

A débil vontade indaga desesperançada: — Por que me abandonaste?

Houve um tempo em que nossos dedos se encontraram, na imagem imortalizada pelo pintor da Renascença . Éramos o retrato da unidade. Pai e filho acima do bem e do mal.

Na tênue lembrança ouvida em reza como se fosse segredo divino, o corpo de teu filho foi moldado na pedra bruta, e os braços da mulher sopraram vida eterna sobre a fria morte por ti determinada.

E agora, me abandonaste. Não serei retratado por mãos hábeis, nem provocarei lágrimas a rolar em faces desconhecidas.

— Sou apenas, ninguém! Nem teu filho sou!

Nasci da mistura da noite com o dia, comi restos que a ti nunca te serviria. O pão sempre foi amanhecido, mofado e sujo como lixo fora jogado. Há mágoa em minha fé.

Da mesma mulher nascemos dez. De homens estranhos, apenas cinco. Sou o terceiro no nascer e primeiro vivo na linhagem do cuidar de meus irmãos, não por teu bem querer.

Os carinhos que tive, são cicatrizes profundas na carne que ganhei em troca da defesa de minha mãe, bêbada a chorar em ombros malvados e sequiosos para dela abusar. Por isso éramos dez.

Nunca tive o prazer de estudar. Não sei ler nem sei orar. Desisti de chorar. Vendo drogas para sobreviver e libertar!

Outrora queria um colo paterno a me acariciar. Hoje fujo de armas policiais em mim a atirar.

O jovem da cor do dia, feliz pela viagem que teu amor não provocaria, a mim vem procurar. Sorridente vem, com namorada e amigos, loucos para viajar.

Em tempo depois, trêmulo e infeliz precisa do meu cuidar. Cuido do vício de teus filhos, pois outros pais, verdadeiros, desistiram daquele sonhar.

Abandonam os filhos, como tu me abandonaste!

Em barracos sujos, visitados pelas chuvas de março, sempre morei. Em verdade te digo, por felicidade fraterna, nunca orei. Negaste-me, sei!

Apenas busquei o que nunca me deste por meu mal nascer. Aprendi a roubar e matar, para minha fome e de meus irmãos, saciar.

Aprendi com teu abandono, a sobreviver!

Na cela imunda, fétida, onde dormir é privilégio de poucos, sou dos mais fortes a dar ordens, e tenho pena de quem não obedecer.

Quando outra vez fugir, voltarei para meu canto à espera de tantos outros a me procurar. Venderei sonhos, felicidade momentânea, a quem não quer da realidade saber.

Eles vêem o que querem ver! Crêem no que querem crer! Têm, o que merecem ter!

Somos vítimas, na nossa relação de viver. Em casa meu filho chora a ausência do pai afastado por teu querer.

Vivo e culpo a vida, por meu nascer!

Quisera da divindade saber: — Por que me abandonaste?

— Odeio humanos! Exclama o Altíssimo, num dar de ombros.

 

Alto

 

 

 

 

 

 

 

 


* Douglas Mondo é poeta, advogado civilista e empresarial. Fundador, ex-presidente e atual vice-presidente do Conselho de Segurança de Jundiaí, SP. Acadêmico fundador e presidente da Academia Jundiaiense de Letras Jurídicas. Palestrante - Grupo Mondo, Barros & Terra. L.M. www.kyotec.com.br/mondo - www.kyotec.com.br/poeta e-mail- veritas@kyotec.com.br

Alto

 

DF
Interativas
Amizade
ClubeDF
CtrlQualidade
Participe
Expatriates

Onça

Amor
Seguros
Socorro
Trabalho&

Negócios

Serviços
Separação

Moda

ElesPorEles
Viagens
NetPoesia
NetColuna
Humor via e-mail
Cultura
Por aqui, senhores
Entrevista
Mulher
JovenElas
Noivas/Noivos
Perfume
Lar & Casa
Lojas/Compras
Saudável
Internacional
Temáticos
Lojas
Lazer
Editorial
Opinião
Editora
DF

[ Domínio Feminino © 2000 -2003. Todos os direitos reservados. ] Brasil - Brazil- We speak brazilian Portuguese