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A
Imprensa e as Elites
Douglas
Mondo*
06,
Março/2003
Timidamente, a
imprensa brasileira está noticiando a existência de bilhões
de dólares em contas correntes de brasileiros, em bancos suíços
e em outros países que dão isenção tributária.
Segundo fonte
segura, um ex-governador mineiro transferiu 50 milhões de
dólares pouco antes do escândalo dos fiscais cariocas, para
outro paraíso fiscal. Há ainda, desvios de milhões de dólares
no TRT carioca, que será notícia brevemente.
É inegável que
nos paraísos fiscais espalhados pelo planeta, há bilhões de
dólares oriundos do narcotráfico brasileiro, de sobras de
campanhas políticas e da corrupção em geral, já que até a
presente data, somente o Juiz Lalau e a advogada fraudadora
do INSS é que estão vendo o sol nascer quadrado.
Para o restante
dos bandidos de colarinho branco, o crime realmente compensa!
Como parte dessa
dinheirama toda é proveniente de caixas de campanhas políticas
e são de corruptos influentes, muitos deles aparecendo todos
os dias nas telinhas brasileiras decidindo nosso futuro, há
uma espécie de conluio e tolerância generalizada entre todos
eles.
A imprensa, por
sua vez, parece que está acordando do sono letárgico em que
dormia por conta de ter mordido a maçã ofertada pela bruxa
da ignorância, se lembrando que seu papel é mostrar a realidade
material e não a verdade formal oriunda das elites, até então
decantada em versos e prosas pelos noticiários do dia-a-dia.
Por conta da ingênua
personalidade sonhadora do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, com a qual me identifico pelo sonho universal de “somos
todos iguais perante a vida”, há uma nuvem de sensação de
fraternidade a contagiar a população mais intelectualizada,
e pela primeira vez na história desse país, estamos conhecendo
a pobreza sem o romantismo descrito pela literatura brasileira.
Nossos pobres estão
nos mostrando como é a fome vista por dentro de um estômago
vazio, como se nos chamassem em direção aos seus barracos
de miserabilidade e nos dissessem: Vocês são culpados disso,
por ação ou omissão voluntária!
Infelizmente, ainda,
o som da hipocrisia ecoa pelos corredores dos nossos tribunais,
pelas redações dos grandes jornais, pelos estúdios das principais
redes de Televisão e, principalmente, pelos olhos da grande
massa política que nos governa e que faz-de-conta que nada
está acontecendo.
A pobreza brasileira
está nos acordando! Não pela consciência de ataque às injustiças
sociais, mas sim pela mudança de quem a lidera. Não mais está
sob o controle das elites brasileiras que a mantinha num canto
escuro ajoelhada sobre milhos como castigo por existir, mas
sim, mudou para a tutela e proteção do narcotráfico, tão poderoso
quanto.
O narcotráfico
instalou-se dentro da miserabilidade brasileira e paga salário
mínimo em torno de R$ 500,00, que é quanto ganha um garoto
por distribuir a droga aos viciado das elites. O traficante
dá à pobreza a condição mínima de vida que o Estado nunca
deu.
Ele é muito mais
importante às classes excluídas socialmente que qualquer plano
governamental de mera tentativa de acabar com a fome, num
factoide jogo de distribuição de cartões fome-zero.
E mais uma vez,
as elites tentam inverter a situação ostentando força militar,
colocando nas ruas polícia e exército para combater traficantes,
como se fossem vencer uma guerra comum, esquecendo-se dos
verdadeiros motivos da existência dessa situação de violência
social.
O vício é das elites.
São viciadas em se apropriar do dinheiro público, de criar
normas jurídicas que as protegem, de criar escravos para lhes
servir, de se entupirem de substâncias alucinógenas e que
causam euforia e, ao final, quando a miséria bate à porta
exigindo melhor tratamento, infantilmente ostentam força e
tentam tirar da frente dos olhos o produto de suas ações mesquinhas.
Tentam varrer para
debaixo do tapete da hipocrisia o resultado humano de suas
egoístas vidas.
Só haverá uma melhor
qualidade de vida para todos os brasileiros, com a diminuição
da violência urbana, quando as elites abrirem mão de parte
de seus direitos. Não por mera benevolência, mas sim por conquista
da miserabilidade brasileira que está vindo buscar o que lhe
pertence, liderada por quem abastece nossos vícios de mediocridade.
E a imprensa tem
papel fundamental nesse momento histórico, que é servir à
verdade material e não aos interesses tacanhos das elites
brasileiras, que sequer têm noção da revolução social que
ocorre em nosso país.
A história cobrará
o papel de seu registro, independentemente das manipulações
existentes, doa a quem doer!
Alto
*
Douglas Mondo é poeta, advogado civilista e
empresarial. Fundador, ex-presidente e atual vice-presidente
do Conselho de Segurança de Jundiaí, SP. Acadêmico
fundador e presidente da Academia Jundiaiense de Letras Jurídicas.
Palestrante - Grupo Mondo, Barros & Terra. L.M. www.kyotec.com.br/mondo
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e-mail- veritas@kyotec.com.br
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