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Pentacampeão:
Óbvio ululante!
Douglas Mondo*
05, Julho/2002
No rancho fundo,
bem pra lá do fim do mundo, onde a dor e a saudade contam
coisas da cidade, um compositor amado cantava em versos o Brasil
do seu amor, terra de Nosso Senhor.
Vestindo uma camisa
amarela, Ary Barroso, naquele dia, resolvera deixar de lado a
música e foi para o asfalto namorar. Encontrou-se com sua
amada, Suzana Flag, infelizmente uma mulher de vida fácil,
cujo destino era pecar.
Com Ary, em versos
ardentes, tornou-se escrava da paixão, vivendo intensamente
uma fantasia como musa de escritor vivido, fazendo amor como nubente
em núpcias de fogo, sob as mãos de um homem proibido.
Apesar do amor intenso,
uma grande diferença os aguçava então. Suzana
era torcedora apaixonada pelo Fluminense. Seu amado, querido e
desejado era flamenguista roxo. Doente pelas cores do "Mengão".
Ary a amava com fervor,
mas sentia uma dor aguda n’alma ao ver sua amada torcer para aquele
time que lhe causava tanto horror.
Diferenças
à parte, era época especial. Jogava-se a copa do
mundo, que era disputada no Japão. E lá foi o ilustre
casal, para a Terra do Sol Nascente, assistir ao jogo final.
O vencedor mostraria
suas garras de maior time do planeta e teria a consagração
definitiva de campeão dos campeões.
O jogo disputado
era pano de fundo para a traição ordinária
que o destino traçara, para acabar com aquele amor sem
solução: __"Ninguém consegue amar o
inimigo de seu clube do coração!"
Ao término
do primeiro tempo, Suzana foi ao banheiro e se perdeu na multidão.
Naquele esfrega-esfrega, o calor de corpos ardentes roçando
sua imaginação a incendiara, deixando-a com inebriante
tesão.
Sob um céu
estrelado, desejos a levaram para inusitada ocasião. Suas
mãos encontraram outras mãos que empunhavam uma
bandeira de seu tricolor das laranjeiras.
O sangue ferveu de
emoção e sob o símbolo de sua vida, ela se
entregou a um novo amor que lhe incendiou o coração.
Seu inesperado amante
chamava-se Nelson Rodrigues e também a desejara com enorme
efusão.
A cor da traição
manchava a camisa amarela e a dor mostrava sua face: Ary chorava
a perda de sua amada pelos quatro cantos da solidão.
Num repente, suas
lágrimas, embaçando a desatenta visão quase
o impediram de gritar gol. O Brasil saia do zero em jogo de decisão.
Para que chorar?
A taça estava tão perto que nada mais valia a pena
a não ser torcer pelo Brasil campeão.
Sobre aquele gramado
verdejante, o centroavante canarinho, em veloz jogada, ruma para
a meta adversária e arranca mais um grito preso na garganta
da multidão: É gol...é gol...é gol
do Brasil!!!!
E Ary canta febril:
ôôôô...Brasil...ôôôô...Brasil!!!!!
Não há
problema que resista, nem há crise que nela se invista.
O futebol é a magia da solução.
O juiz apita o final
da partida e a multidão louca invade o campo em alucinada
comemoração.
Num lance do destino,
Ary encontra Suzana abraçada a Nelson cantando a vitória
da seleção. A alegria é maior...menor é
a traição.
O futebol lava a
alma e juntos, felizes, cantam a vitória da seleção:
" É penta...é penta...é pentacampeão!
E segue a vida como
ela é. Bonitinha, mas ordinária!
Douglas
Mondo é poeta, advogado civilista e empresarial, fundador,
ex-presidente e atual vice-presidente do Conselho Comunitário
de Segurança. Fundador e presidente da Academia Jundiaiense
de Letras Jurídicas. www.kyotec.com.br/poeta
e www.kyotec.com.br/mondo
- e-mail veritasdouglas@uol.com.br
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