|
Aflora
a vida
Douglas
Mondo*
06,
Março/2002
As conchas
do mar guardam preciosa vida em seu interior. Quando molestadas
fisicamente, desenvolvem glóbulos brilhantes que adornarão
vaidades que se esquecem da preciosidade daquela vida anterior.
Ao ser concebida, a vida pode ser entendida como a mais terrível
das doenças, pois seu envelhecimento é constante e
sua morte inevitável.
Ou pode ser encarada como a confirmação da própria
existência na imensidão da eternidade. Uma dádiva
perene do universo.
Ela está à sua disposição. Usá-la
com sabedoria é o que difere o sujeito do verbo da ação.
Ela é parte do todo. Única e própria. Na curva
do tempo ocupa espaço individual. Não é semente
do bem nem do mal. É apenas fruto sem igual.
Entre o céu e a terra há um glorioso animal. É
a mulher. Gera vida em seu interior e no espelho do milagre universal
é o reflexo de seu toque final.
Sem a mulher não há vida humana. Nem ela nem o homem,
seu parceiro na concepção da alma como objetivo existencial.
Não há dia a glorificar-lhe. Nem há data a
exaltá-la. É parte indispensável da vida. É
existência querida que ao amor dá guarida.
É o sol que ilumina mansamente todos os prazeres. Que beija
seu rebento e o protege do homem que teima em esquecê-lo aos
dissabores do vento.
É a inteligência que presa ao fio pendular dá
ritmo ao mundo com sua sensibilidade peculiar. É a gota de
chuva que molha o solo no momento da seca pela falta de paz secular.
É a alma incandescente que ilumina todos os caminhos e leva
a chama da liberdade a todos os povos com seu amor fraterno e maternal.
É a condução firme do leme na escuna que molha
de encanto o toque do cinzel que imprime beleza em todos os encontros
sensuais.
Ela é o pulso que determina o rumo das marchas dos excluídos
sociais em busca de um pedaço de chão para o plantio
do milho e do trigo que os livrará dos grilhões infernais.
Ela é a mulher de todo ano. A dona da vida. Que é
amada, odiada, querida, afastada, pressionada, subjugada e que se
sujeita - infelizmente - a comemorar um dia como sua data oferecida.
Mal sabe o poder que tem nas mãos. Pode ser a condução
dos ditames mundiais na divisão com o homem que se preocupa
apenas em ter, enquanto tem ela o equilíbrio de saber que
mais vale o ser.
É ela que aflora vida como salvação da fauna
e a da flora no sonho que sustenta as mais belas utopias. Mas também
pode ser a rainha perseguida e decapitada na exploração
das mais loucas fantasias sexuais.
Chega de mansinho e se aloja no peito do homem como broche de coração,
para em seguida prendê-lo entre as pernas como prazer suado
de ocasião.
Deita-se ao lado do macho como mulher em oração, quando
o quer abraçado em seu corpo a chamando de louco tesão.
Perdoe-me se a injuriei, mas a tenho na mais alta conta. A quero
como flor perfumada. Na poesia o pecado lindo que sempre amarei.
Saiba que o mundo vive por seu sorriso. Pegue-o em suas mãos
e o embale antes que de tristeza morra. Ferido está. Sangra
em dor lancinante.
Não há dia a glorificar-lhe. Nem há data a
exaltá-la. Isso é hipocrisia de homem. Não
mais aceite nossa condição imposta. Somos iguais com
nossas mais belas particularidades. Desiguais, por dádivas
celestiais.
Com meus respeitos! Profundos e poéticos.
Alto
*
Douglas Mondo é poeta, advogado civilista e empresarial.
Fundador, ex-presidente e atual vice-presidente do Conselho de Segurança
de Jundiaí, SP. Acadêmico fundador e presidente da
Academia Jundiaiense de Letras Jurídicas. Palestrante - Grupo
Mondo, Barros & Terra. L.M. www.kyotec.com.br/mondo
- www.kyotec.com.br/poeta
e-mail- veritas@kyotec.com.br
|