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Há sensação de violência
generalizada nos grandes centros urbanos em nosso país. Não
se sabe o quanto há de fantasia nessa sensação,
já que se confunde com a própria realidade existente.
Nas grandes cidades há, normalmente,
a exploração por parte da mídia de uma cultura
de exclusão social e violência estampada.
O pico de saturação se
dá quando a pseudo-solução é o combate
a essa sensação com a morte dos supostos agentes da
violência, sob formas ainda mais violentas.
A voz corrente diz: Lugar de bandido
é na cadeia, ou bandido bom é bandido morto!
A dominação social pequeno-burguesa explora essa cultura
como forma de negação de suas próprias fraquezas
e como meio de interligação de identidade entre seus
pares, na observação dos vícios sociais sem
interferir diretamente na busca de soluções.
Normalmente adotam-se falsos caminhos
com emprego de força aparente e farta visualização,
transmitindo sensação de normalidade, enquanto as
diferenças sociais acentuam-se ainda mais.
Militarizam-se tropas e criam-se guerras com jogos estúpidos
na alimentação do circo e da necessidade de espetáculos
que satisfazem o sadismo pequeno-burguês.
Não há solução fácil nem aparente. A
mudança do pensar e do agir exige muito sacrifício e perseverança.
A violência não nasce pronta. Cria-se
pela dificuldade de solucionar as diferenças advindas das relações
humanas e sua alimentação é fonte de renda para grupos sociais que
a exploram economicamente.
A difusão da cultura da violência estabelece
base de pensamento nas gerações mais jovens e transforma-se em normalidade
ao atingirem a fase adulta, onde explorar o outro é regra geral
como forma de convivência.
Banaliza-se a morte como solução de conflitos
e o meio social volta às origens onde a força estabelecia normas
de vida em comum.
Atualmente o exemplo mais aparente se
dá entre as sociedades burguesas e os excluídos sociais que habitam
o Rio de Janeiro e São Paulo. É a demonstração máxima da intolerância
humana na co-habitação do mesmo espaço físico.
O Estado finge que combate a violência
e a marginalidade finge que o aceita, sob discursos políticos de
demagogia explícita.
Há plena simbiose entre castas sociais
mais favorecidas e a marginalidade que satisfaz plenamente seus
jogos sociais de vícios e corrupções.
Não basta a utilização de mecanismos
paternalistas para a tentativa de diminuição do fosso social, se
as relações de intolerância estão enraizadas na própria cultura
humana.
É preciso criar e difundir fórmulas sociais
de soluções de conflitos advindos dessas diferenças, para que possa
haver homogeneidade de pensamentos e objetivos comunitários.
O Estado deve existir unicamente para
arrecadação e distribuição justa de riquezas em essencialidades
e garantir o direito à segurança e à vida digna.
Deve estar a serviços de todos e não
de castas sociais mais favorecidas.
Enquanto o egoísmo e a individualidade
reinarem acima dos objetivos comuns e comunitários, haverá base
fértil para a alimentação da cultura da violência, em detrimento
de uma melhor qualidade de vida para todos.
Não basta saber quais soluções devam
ser adotadas, mas sim devemos ter coragem para adotá-las, já que
o ponto de saturação está próximo e os picos de conflitos a todos
atingem, sem distinção alguma.
Não há fórmula mágica, mas a correta
certamente passa pela conscientização e discussão de causas e soluções.
Combater violência com demonstração de
força é igualar-se, na proporção direta da ignorância aplicada.
Mudar exige coragem e inteligência,
não força e intolerância!
Alto
*
Douglas Mondo é poeta, advogado civilista e empresarial.
Fundador, ex-presidente e atual vice-presidente do Conselho de Segurança
de Jundiaí, SP. Acadêmico fundador e presidente da
Academia Jundiaiense de Letras Jurídicas. Palestrante - Grupo
Mondo, Barros & Terra. L.M. www.kyotec.com.br/mondo
- www.kyotec.com.br/poeta
e-mail- veritas@kyotec.com.br
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