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Atores
sociais
Douglas
Mondo*
19, Setembro/2002
As eleições
de outubro não resolverão os problemas nacionais, se os cidadãos
brasileiros não se conscientizarem que são atores sociais e protagonistas
principais da realidade brasileira.
Deixando
de lado as questões externas que atingem diretamente o desenvolvimento
nacional, mas enfocando apenas a distribuição dos recursos públicos
no atendimento ao bem comum, há que se desenvolver políticas regionais
e setoriais que atendam diretamente às necessidades comunitárias.
Qualquer
dos quatro candidatos que for eleito para presidente, mesmo nas
variações ideológicas e até pragmáticas de seus programas de governo,
mas ainda sob a maioria de um congresso conservador, não conseguirá
implementar mudanças significativas em nosso país se não contar
com a participação da população na elaboração e implementação das
políticas públicas.
É claro
que essa participação deve ser dar de forma regional e direcionada
para a promoção do desenvolvimento de políticas específicas e com
a otimização na aplicação dos recursos públicos.
Nas áreas
sociais, não há como se desenvolver programas de integração humana
com a diminuição do fosso social, se não houver a ingerência da
própria comunidade no desenvolvimento desses mesmos programas, sob
pena de transformá-los em assistenciais e paternalistas.
As ações
específicas e setoriais quando desenvolvidas pela própria comunidade
com verbas do erário, sob a fiscalização do agente público, tendem
a obter resultados excelentes e modificativos do meio social, resgatando
plenamente a cidadania.
É imperativo
que as ações quando desenvolvidas pela comunidade tenham o acompanhamento
do agente público municipal, já que conhece diretamente os problemas
de sua cidade, evitando com isso que políticas federais percam-se
no emaranhado da burocracia estatal.
Nas elaborações
dos orçamentos municipais, mesmo com o avanço das participações
comunitárias existentes em alguns estados e cidades, é necessário
também que sua aplicabilidade se dê sob a égide do conhecimento
que todas as áreas sociais são interligadas, e quando da ingerência
mais forte de uma sobre outra, necessariamente não levará ao conflito
de interesses, mas sim na necessidade primária de atendimento às
vontades coletivas em disputa.
Não há
como falar, por exemplo em segurança pública, se não houver uma
política de inserção comunitária de excluídos sociais, já que a
utilização de jovens em situação de risco pelo tráfico de drogas
é uma realidade crescente.
Não há
como negar, também, que o consumo de drogas leva à existência de
sua produção e comercialização para atendimento da demanda existente,
e o vício atinge a todas as camadas sociais e se dá por necessidade
de adição fantasiosa, na razão direta da insatisfação humana da
vida individual e em sociedade, ou por mera afirmação em jogos sociais.
Na mesma
linha de raciocínio, não há que falar também em segurança pública
se as cidades não adotarem planos diretores de desenvolvimento urbano,
baseados na racionalidade da ocupação do solo voltada para uma melhor
qualidade de vida de todas as camadas sociais e não de interesses
de grupos específicos.
Cumpre
salientar, da existência de várias organizações e instituições governamentais
que trazem em seus objetivos a integração entre Estado e Comunidade,
mas que se perdem na ineficácia de seu próprio funcionamento por
falta de acompanhamento e ingerência comunitária.
Na maioria
das vezes, as soluções são de cunho doméstico e municipal, não dependendo
de mirabolantes políticas federais, que só servem para propiciar
desvios de finalidade e malversação do dinheiro público.
Por outro
lado, é fundamental que atores políticos eleitos através do sufrágio
universal tenham consciência do trabalho exercido pelos atores sociais,
desenvolvendo conjuntamente com esses, políticas que atendam às
necessidades da comunidade, sob pena de conflitos pessoais baseados
na vaidade levarem à inoperância das políticas públicas.
Inicialmente,
é necessário que atores sociais e políticos desenvolvam um programa
de levantamento das necessidades setoriais da comunidade onde vivem,
por áreas de relacionamentos comunitários, tais como saneamento
básico, saúde, educação, moradia, transportes, segurança pública
etc.
Em seguida,
há que se desenvolver planos de aplicações de políticas públicas
regionais, com a utilização dos recursos do erário de forma racional
e específica no atendimento às necessidades já conhecidas.
Finalmente,
para que políticas públicas advindas de inter-relacionamentos comunitários
atinjam seus objetivos, é fundamental que haja cada vez mais a participação
de atores sociais, com o desenvolvimento sólido da ingerência da
cidadania nas coisas do Estado, resultando em melhor qualidade de
vida para todos.
Alto
*
Douglas Mondo é poeta, advogado civilista e empresarial.
Fundador, ex-presidente e atual vice-presidente do Conselho de Segurança
de Jundiaí, SP. Acadêmico fundador e presidente da
Academia Jundiaiense de Letras Jurídicas. Palestrante - Grupo
Mondo, Barros & Terra. L.M. www.kyotec.com.br/mondo
- www.kyotec.com.br/poeta
e-mail- veritas@kyotec.com.br
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