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O
Lance da Copa
Douglas
Mondo*
22,
Março/2002
Tenho um pedido a fazer
aos jogadores da seleção brasileira de futebol:
sejam patriotas, percam a copa!
Vocês não
imaginam como estariam sendo úteis ao país, se fossem
derrotados logo de cara. E se fosse por goleada então, na
primeira partida, que maravilha seria! Cinco a um para os adversários.
Já pensaram!!!!
De goleada!
A seleção
ideal seria aquela que jogasse na retranca. Um bom cabeça-de-bagre
cobrindo a área e que aos quarenta e cinco minutos do segundo
tempo desse aquele furada monumental e pronto: adeus sonho canarinho.
Seria a redenção
da realidade. O povo frustrado exigiria a reformulação
do futebol brasileiro, com a expulsão de todos os cartolas
corruptos e haveria a elaboração de calendários
justos que premiassem a arte e o espetáculo.
Seria o resgate da
honestidade e da ética.
E mais, a frustração
seria tão grande que o povo se voltaria contra o sistema
político e pela primeira vez a sociedade brasileira não
veria na eleição para presidente a solução
para os males que a deixaram doente.
Entenderiam que uma
simples eleição não mudaria nada se não
mudassem o próprio pensar. Compreendessem que são
agentes sociais e não objetos de manipulação
política.
Talvez invocassem Platão
e assim compreenderiam que quando uma sociedade humana sofre de
doença estrutural de falta de identidade própria,
somente através da comunidade de pensamentos e idéias
idênticas seria possível reconstruí-la com princípios
de espiritualidade e ética.
Infelizmente, o povo
brasileiro – na sua grande maioria – ainda se contenta em se fantasiar
de rei ou de rainha no carnaval e de gritar gol, quando seu time
beija a rede adversária no ponto final da estação
futebol.
No resto do ano se
veste de palhaço e vai feliz proclamar seus direitos de eleitor
ao sufragar mais um nome que irá roubá-lo, transformando-o
num pobre animal.
Caros jogadores da
seleção brasileira de futebol, atendam meu pedido,
deixem seus nomes gravados nos anais da história: percam
de goleada e não joguem nada! Sofram a derrota ideal!
No futuro serão
conhecidos como "os heróis do escrete nacional".
Aqueles que salvaram o país da bancarrota final!
O drible em direção
à meta adversária, sempre tem em mente o gol como
um trunfo cabal, na confirmação da captura do objeto
do desejo que é a vitória sem igual.
Mas e se nos unirmos
para perder, num lance de conquista genial? Uma derrota no futebol
para conquistarmos a liberdade do jugo de boçais que nos
aprisionam em mediocridades infernais.
Proponho uma nova ordem
brasileira, baseada não no roubo nem a impunidade, mas sim
no bem querer de toda a nossa sociedade.
Vamos perder todos
os jogos da copa, para nos centrarmos num valor maior que o bem
encerra em si mesmo, como resgate da estrutura social baseada na
identidade da alma, e não na aquisição de bens
materiais.
Sob as lonas do circo,
vamos usar o picadeiro como artífice para os ensinamentos
de como fazer o pão nosso de cada dia. Vamos desnudar nossos
palhaços. Vamos soltar os leões de suas jaulas de
dor.
Vamos atacar com o
futebol o direito do mais forte, para dividi-lo harmoniosamente
com os mais fracos, no verdadeiro equilíbrio entre os homens
que compõem a nossa sociedade.
Vamos fazer da bola
a circunferência que erradicará o mito da vitória.
Vamos demonstrar o valor ao perder um jogo de futebol em prol da
conquista que mudará a nossa história.
Vamos sonhar juntos
e torcer com inteligência: O mal dará lugar ao bem
que se fez. No jogo da bola, sabemos, olho puxado é tudo
japonês.
Alto
*
Douglas Mondo é poeta, advogado civilista e empresarial.
Fundador, ex-presidente e atual vice-presidente do Conselho de Segurança
de Jundiaí, SP. Acadêmico fundador e presidente da
Academia Jundiaiense de Letras Jurídicas. Palestrante - Grupo
Mondo, Barros & Terra. L.M. www.kyotec.com.br/mondo
- www.kyotec.com.br/poeta
e-mail- veritas@kyotec.com.br
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