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O
Tempo do Homem
Douglas
Mondo*
16, Abril/2002
O tempo pontuou e o ponteiro maior
se escondeu em sua tola importância. Mudo, atrás das
doze badaladas. Não ousou mostrar sua insignificante existência,
mas estava ali pára, no minuto seguinte, apontar o que não
parava de existir.
Sentia-se vivo e dominava o medo. Importava-se
em se saber o ideal e a hora exata em se convidar, sim! Naquele
segundo só voltaria a apontar e rodar o que não mudava
e se confundir sobre qual importância teria.
Um sem o outro não existia.
Olhavam-se e se descobriam no minuto seguinte para se desconhecerem
outra vez. Eram dois ponteiros em via circular. Um ousava, se destacava,
se escondia e se via ao longe, meio distante, vai.
O outro era o próprio tempo,
e novamente em hora cheia vai e aponta. Vai e não descansa.
Vai e se confronta. Mostra-se e se esconde. Vai, gira, vai e pensa;
Vai, sente-se corajoso, age e vai. Vai, sente medo, chora e vai.
Vai, vai só, sente solidão e vai. Vai, vai, morre,
vai...vai...vai...
Apenas o tempo do homem pode determinar
o momento do confronto. Aquele que define a hora da vida e a hora
da morte. Esse é o seu tempo!
Sinta, esse é seu direito, já
que a memória é só sua. Há um tempo
de lembrança e um tempo de felicidade para sentir saudade.
Mas não faça do passado um porto seguro para sua nau.
Novos mares o convidam a navegar.
Veja os olhos belos da vida, como brilham
ao encontrar seu olhar. Sinta aquelas mãos suadas trocando
fluidos ao tocar suas mãos quando a lua brinca com o sol
de namorar.
O horizonte lhe acena, veja quantas
terras soluçam por um pouco de semente para o solo beijar
e novos frutos, bocas famintas quererem alimentar. Deixe a poeira
do tempo para trás. O Passado não era de paz!
Olhe os olhos de seus filhos. Buscam
os seus no momento do adeus. Eles se vão e um dia voltarão
para lhe beijar. Esse é um tempo de libertação.
Deixe-os ir. São livres, como batidas de um novo coração.
Novos sonhos lhe apertam a garganta.
Sinta quando os poetas ousam de amor falar, de novas buscas e conquistas,
como palavras que jamais ousaram ser ditas e agora, vorazes, querem
o silêncio quebrar.
Não são alucinações
de uma mente febril. São Apenas ressonâncias de seu
tempo que um dia irá se acabar e quando a morte por fim lhe
visitar, não sinta piedade, reze sua prece de agradecimento
por ter vivido e feito amor consigo, com toda força de sua
libido.
Agradeça por ter tido um amigo
e na hora da imprudência com ele ter brigado. Agradeça
pela oportunidade e aquela amizade novamente ter conquistado. Esse
é um tempo de paz!
Tenha a certeza que o tempo não
lhe quer mal, mas também pode ser cruel. Ele pode visitá-lo
com amenidade, ou lhe cobrar decisão que afetará toda
a humanidade. Talvez não saiba, mas ele lhe quer como você
se quer. O tempo é só seu!
Quando a poesia lhe cobrar um tempo
de exposição e todos seus valores se esconderem atrás
daquela porta onde guarda sua ambição, lembre-se:
nada restará ao senhor ou à senhora, pois bem material
não constrói viga de outrora. O Tempo é agora!
Nada lhe é prometido, nem tampouco
lhe é cobrado. Os ponteiros teimam em andar. Um mais rápido,
outro em hora a lhe contar. Quando se cruzam, o tempo vende toda
sua ilusão, depende do preço que se quer pagar. O
Tempo é de pensar!
Nessa hora, ofereço apenas esse
poema em prosa que fiz para lhe homenagear. Talvez o tempo quisesse
agradar. Talvez à vida queira meu amor cantar. Talvez ouse
nunca deixar de agradecer por existir e poder sonhar: O Tempo é
de falar!
Alto
*
Douglas Mondo é poeta, advogado civilista e empresarial.
Fundador, ex-presidente e atual vice-presidente do Conselho de Segurança
de Jundiaí, SP. Acadêmico fundador e presidente da
Academia Jundiaiense de Letras Jurídicas. Palestrante - Grupo
Mondo, Barros & Terra. L.M. www.kyotec.com.br/mondo
- www.kyotec.com.br/poeta
e-mail- veritas@kyotec.com.br
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