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Chega
de Complexos!
Por:
Carlos Henrique Carvalho Barrim
Maio,
05/2001
Todo preconceito tem sua origem na ignorância. Geralmente
todo "conhecimento" do senso comum tem origem parecida. Nesses
termos é comum cometer injustiças que se perpetuam
tal qual a ignorância e a desinformação
se tornam universais. As minorias sofrem muito com esses juízos
malformados por terem comportamento segregário
causado pelo preconceito da maioria, formando um círculo
vicioso forte demais para ser quebrado.
Nesse texto
tratarei de um tema que pode contradizer o meu argumento. Falarei
do falso juízo que a maioria dos homens ( nós homens
) tem das mulheres. Contradição, porque as mulheres
são maioria na humanidade.
Nas rodas de amigos, nas páginas aconselhadoras, quase
em todo lugar os homens se põem a falar sobre o sexo oposto.
Como diria um galã dos anos 60 que não me recordo
o nome: "Há dois tipos de homens: os que falam sobre mulheres,
e os que falam com as mulheres". Com um comportamento machista,
o homem acha que pode chegar ao conhecimento pleno da causa apenas
com o parecer de seus semelhantes, analisando sem se expor ao
"ridículo" da dúvida. O empirismo é indiscutível,
nada pode se opor aos fatos. Mulher gosta de homem cafajeste,
diz o senso comum. Trata-se de uma sentença inquebrável,
um dogma sociológico?
Pode ser um álibi para um comportamento pobre de ética
por parte dos homens. Pode ser inveja. Pode ser um complexo. Mas
para mim é simples ignorância.
Não
se ouve as mulheres. Não se tentam comportamentos alternativos
aos padrões impostos. Assim é fácil criar
um dogma e agir conforme ele, sem método nem reflexão
e muito menos culpa. Em tempos que culpa e algo a ser evitado
e não superado através da experiência, a hipótese
do álibi é a mais aceita. Com a consciência
limpa e o 'harém' cheio, o homem comum não reflete
sobre sua atitude, não entende o motivo do seu 'sucesso'
e nem tenta dignificar a sua causa, o seu "sucesso".
>> Não
reflete sobre o sentimento da timidez <<.
Pela educação que a maioria das adolescentes ainda
recebe, o homem é, ainda na maioria dos casos, a parte
ativa na sedução.
O homem
tímido entra em desvantagem. E isso gera complexos. O garoto
que ouviu na roda de amigos que a atitude que é esperada
dele é a ação intimidativa em suas diversas
dimensões, vai agir a priori dessa forma. E se obtiver
sucesso, repetirá a dose. Assim sucessivamente, e quando
for mais velho, aconselhará outros pré-adolescentes
a fazer o mesmo.
Por que as mulheres aceitam esse comportamento? Por que premiam
os homens ousados com o sucesso...>>
E condenam os tímidos ao fracasso?
<<
Essas
questões não são minhas, mas devem ser esclarecidas.
Não há nenhum 'conselho das mulheres', nem conspiração
contra os tímidos. Não há nenhuma objeção
das mulheres em ficar com caras mais quietos, menos ousados.
O fato
é: os tímidos não tentam! Que ele não
espere uma menina que foi educada para ser submissa tomar a iniciativa.
Que ele não espere uma exceção aparecer como
uma fada, já que fadas não existem. E, principalmente,
não existe sucesso ou fracasso e nem existe 'jogo' quando
se trata de amor.
Então qual o componente? Por que os caras mais abertos
conseguem mais
experiências e outros não? Se trata de algo subjetivo.
De um valor agregado à personalidade. Trata-se de charme.
É
como o gato. Todos sabem que ele não é fiel ao dono
e que esta ali na casa mais por causa da comida fácil e
menos pela necessidade afetiva. Então porque existem pessoas
que gostam de gatos, e criam eles? Por se tratarem de seres admiráveis.
Que emprestam para a casa o charme de sua independência.
E que vez ou outra, premiam os habitantes da casa com a auto-estima.
Esses fatores: charme, auto-estima e independência
fazem parte do desejo
feminino para o homem ideal. Até para o senso comum. Imagine-se
cara, com uma mulher sem charme, com baixa estima e totalmente
dependente de você. Quanto tempo ficaria com ela? E se você
soubesse desses defeitos, você lhe daria uma chance?
Contudo, esses fatores são absorvidos ao extremo. o charme,
vira intimidação, a auto-estima vira arrogância
e a independência vira desapego total. Mas mesmo assim não
deixam de formar uma espécie de verniz para a personalidade.
Que realça as qualidades e esconde os defeitos.
O cara dito cafajeste geralmente se enquadra na explicação
acima. Seu "sucesso" não é devido ao fato de ele
trair e manter a fama de garanhão. Deve-se ao fato dele
ter a sua valorização adoçada pelo seu 'harém'
cheio. Ele se mantém interessante ao ponto que não
é de ninguém. Não se mostra apaixonado. Por
acaso o seu sonho de consumo e o seu carro ou o carro do
vizinho?
Seja charmoso, mas não intimide. Mantenha-se bem arrumado,
não fale besteira, tenha uma voz e uma cultura geral afinada.
Fale com mulheres, principalmente, e saia um pouco da mesa de
bar. Tenha sua estima em alta mas não seja arrogante. Olhe
para o espelho, admire-se... Mas saiba das suas qualidades e defeitos.
O
auto-conhecimento é a chave de todas as vitorias ( parafraseando
Sun Tzu em "A Arte da Guerra" ). Seja independente, mas não
cruel. Entenda que independência é fazer o que quer
e sempre voltar ao lar, como o gato o faz. Fora disso, é
inconseqüência.
Mas principalmente, ouça as mulheres. Acredite, elas não
mordem (normalmente). Seu diferencial pode ser a sua singularidade.
Porque de cafajeste... O mundo está cheio.
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