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Cidadania universal
Douglas
Mondo*
05, Julho/2002
O
maior desafio da humanidade para que possa continuar a existir
sobre a face da Terra ao longo dos próximos séculos
será manipular energia que seja barata, possível
de ser prospectada e ao mesmo tempo produza o menor índice
possível de poluição.
Essas
condições são difíceis de serem alcançadas,
já que países ricos do hemisfério norte são
os maiores consumidores de energia e também os maiores
poluidores do planeta.
Uma sociedade
próspera normalmente gera um povo alienado politicamente,
face suas necessidades básicas de sobrevivência e
consumo serem atendidas de forma a não surgir organização
de idéias que façam o sistema político modificar
seu "status quo" vigente.
Uma sociedade rica faz forte a fraca
gente.
No dia
que houver a necessidade de desenvolvimento de um novo pensar
para que todos possam desfrutar da pouca energia existente no
planeta e que mantenha o nível de poluição
ao mínimo respirável, os países mais ricos
fatalmente exterminarão os mais pobres para manutenção
de sobrevivência de seu povo.
Isso
é inevitável. Hoje em dia países em pontos
estratégicos somente são defendidos pelos mais ricos
de agressões externas se estão a dormir em berço
esplêndido sobre cobiçados leitos de petróleo.
Todos
nós sabemos que os recursos naturais de que nos valemos
para prospecção de energia, um dia se esvairão
e o planeta dará seu retorno – como tem dado – às
agressões que lhe impingimos de todas as formas, já
que segue sua mais imperativa lei: "Toda ação
corresponde uma ação em sentido contrário,
com igual força e intensidade".
Nos falta
ainda a compreensão de que ele não será generoso
com a espécie humana, como não é com outras
espécies, já que para o planeta pouco importa se
exista sobre sua face esta ou aquela espécie animal ou
vegetal.
É
importante que todos tenhamos consciência que a vida humana
é responsabilidade de todos nós, independentemente
de onde moramos, que língua falamos ou para que credo oramos.
Enquanto
não desenvolvermos uma ligação entre todos
os povos no sentido de utilização dos recursos naturais
com um mínimo de agressão ao planeta em que vivemos,
vamos continuar a ser agressores de nós mesmos, já
que todo ato volta sempre em sentido contrário.
Para
que haja uma linguagem única nesse sentido é necessária
a divulgação ao máximo dessas condições
e elegermos como inimigo comum a falta de condições
de vida futura, da impossibilidade das novas gerações
habitarem o planeta que hoje nos abriga.
A humanidade
não pode ficar refém de governantes inescrupulosos
que sequer se dão ao trabalho de discutir tema tão
universal e preocupante. A visão do bem-estar imediato
de seu povo sendo-lhe o que interessa, provavelmente acarretará
danos irreversíveis em futuro próximo.
Hoje,
com a globalização dos meios de produção,
urge desenvolver políticas únicas para tratar o
meio ambiente como meta maior a ser alcançada, sem alterar
as necessidades básicas das sociedades humanas.
Para
que isso ocorra, não deve passar pelos meios convencionais
das políticas tradicionais, nem tampouco pela simples democracia
representativa, presidencial ou parlamentarista, mas sim, pela
cidadania universal, como elo de ligação entre todas
as pessoas que habitam o planeta.
Essa
deve ser a grande política mundial, já que o interesse
maior é a própria sobrevivência da raça
humana. Como meio prático e rápido de interligação
entre os povos temos a Internet, que a todos comunica 24 horas
por dia, instantaneamente.
As organizações
não governamentais que lutam pelos direitos da natureza
e meio ambiente devem compreender que esse é o grande mote
que a todos interliga e que a Internet é o meio mais rápido
para divulgação de suas idéias.
Por outro
lado, todos os humanistas devem direcionar seus esforços
para difundir ao máximo essa cidadania universal, já
que a racional utilização dos meios naturais é
imprescindível para sobrevivência da raça
humana.
Participar
como forma de exercício da cidadania universal não
é apenas se preocupar com a má utilização
dos recursos naturais e a insensibilidade dos governantes, principalmente
dos países ricos. Mas, sim, formar uma grande rede de ingerência
nas políticas externas de manutenção desses
mesmos recursos.
Só
assim os filhos dos nossos filhos poderão se orgulhar um
dia de seus antepassados, que se preocuparam na manutenção
natural do planeta em que vivem.
E que
continua belo e maravilhoso de se viver. Um paraíso universal.
Douglas
Mondo é poeta, advogado civilista e empresarial, fundador,
ex-presidente e atual vice-presidente do Conselho Comunitário
de Segurança. Fundador e presidente da Academia Jundiaiense
de Letras Jurídicas. www.kyotec.com.br/poeta
e www.kyotec.com.br/mondo
- e-mail veritasdouglas@uol.com.br
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