Ricardo Bergamini é Professor de Economia sábado, 13 de setembro de 2003 10:15

FMI

Os bancos que no início do ano de 2003 estavam carregando suas posições em títulos indexados ao câmbio, levaram uma grande porrada com a valorização do real, com isso até o final do ano vão tentar, de todas as formas, recuperarem os prejuízos, se utilizando desses tipos de matérias pagas na imprensa para agitarem o mercado.

Textos para reflexão sobre o tema.


1 — No conceito de liquidez internacional (inclui empréstimos ponte com FMI) as reservas em dezembro de 1996 eram de US$ 60,1 bilhões (não havia dívidas com FMI). Em julho de 2003 estavam em US$ 47,6 bilhões (com US$ 33,2 bilhões em dívidas com o FMI), ou seja: as reservas ajustadas eram de apenas US$ 14,4 bilhões. Redução de 317,36% em relação ao ano de 1996.
2 — O custo médio de carregamento da dívida pública total da União, considerando inclusive os títulos indexados ao câmbio, até julho de 2003, ficou em 1,43% ao mês, ou 18,65% ao ano, com ganho real para os investidores de 0,67% ao mês, ou 8,34% ao ano, depois de excluída a inflação pelo IGPM de 5,48% até julho de 2003. Excluindo os títulos indexados ao câmbio o custo médio foi de 25,38% ao ano, ou 1,90% ao mês.
3 — Com base nos números conhecidos até julho de 2003 podemos projetar uma necessidade de financiamento do Balanço de Pagamentos de (US$ 21,6 bilhões - 4,75% do PIB) para o corrente ano.
4 — Até julho de 2002 o governo FHC havia gerado um superávit na Balança Comercial de US$ 3,8 bilhões. Tendo recebido em Investimentos Externos Líquidos (Diretos e Indiretos) um total de US$ 13,8 bilhões. Totalizando até o mês de julho de 2002 um fluxo positivo para o Brasil da ordem de US$ 17, 6 bilhões.


4.1 — Até julho de 2003 o governo Lula havia gerado um superávit na Balança Comercial de US$ 12,5 bilhões. Tendo recebido em (Investimentos Externos Líquidos (Diretos e Indiretos) um total de US$ 6,0 bilhões (não estou considerando US$ 3,2 bilhões transferidos, por fraude contábil, do ano de 2002 para março de 2003). Totalizando um fluxo positivo para o Brasil de US$ 18,5 bilhões.


4.2. — Ou seja: não houve nenhum espetáculo de crescimento no fluxo positivo de divisas para o Brasil. Até julho de 2003, apenas US$ 0,9 bilhões maior do que o ano de 2002. Haja vista que as reservas líquidas em dezembro de 2002 eram de US$ 14,2 bilhões e, em julho de 2003 de US$ 14,4 bilhões.

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