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Domínio Feminino
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Amor ou sexo?

30, Maio/2001

Por Carlos Henrique Barrim — Estudante de Direito e História

 

Qual é a verdadeira ligação entre o amor e o sexo? Unir amor e sexo foi um dos maiores erros da humanidade. Não propriamente um erro, porque aqueles que o fizeram, provavelmente conseguiram o que queriam. É facil notar que essa ligação tem cunho religioso e machista. De forma a prender ideologicamente a mulher a um casamento e mante-la fiel. Coisa que, francamente, qualquer garoto de 15 anos sabe que é normalmente impossível.



Calma que eu explico: a monogamia recentemente vem sendo explicada pela
ciência como um fenômeno biológico e não meramente cultural. A coisa funcionaria mais ou menos assim, segundo os cientistas da Universidade de Estocolmo: o homem teria sexo garantido, e a mulher ilude o homem, dando-lhe sexo fora do tempo fértil, já que nossos antepassados buscavam somente a reprodução. Com a organização dos homens em sociedades complexas, o negócio ficou mais complicado.

A monogamia seria imposta e mantida como valor, através da violência ( o caso de Cornelius, o romano que matou a sua mulher adúltera e mandou pedaços dela para cada amante ). Nada se sustenta por muito tempo através da repressão, portanto era necessário algo de ideológico para manter de pé a instituição Família. A religião cristã no ocidente, veio a calhar. A ética judaico-cristã, com raízes orientais, liga tradicionalmente a mulher ao homem de forma indivisivel. Uma prova poderia ser a ausencia do divórcio no cristianismo primitivo, e a instituição de punições à mulher adúltera, e não ao homem adúltero. Outro interesse seria que com a organização da sociedade civil, com heranças e tudo mais, a questão da garantia da paternidade dos filhos passou a ser importante, por assegurar a perpetuação patrimonial.

E o amor ? Lógico, o amor naquela época era a base da religião. Lingüísticamente, amor era bem amplo. Então estava pronto o axioma: o homem ama a sua mulher, a mulher ama seu homem, formarão uma família indivisível onde criarão seus filhos de forma a reproduzir outras famílias. A riqueza das nações foi construída em cima dessa estrutura. Portanto quando sua namorada pede amor para lhe dar sexo, ela esta sendo machista, religiosa e contribui para a estrutura que a aprisiona há milênios! Ou age como o agiota, que pede garantias para dar benefícios. Isso é amor?

O homem tem consciência de que não pode manter essa promessa? Às vezes sim, às vezes não. A mulher sabe? Claro que sabe. Quando sem saber prefere caras "experientes", "queridos" e outros eufemismos para "garanhões" sabe que o cara não vai se iludir por muito tempo. Porque o adultério então é execrado? Porque a hipocrisia e uma das bases de nossa sociedade, do contrário viveriamos num mundo fraterno.

E quando acontece os dois? Há amor e sexo numa relação. Ótimo! Trata-se de um casamento verdadeiro, e que não tem nada a ver com a malícia inventada há milênios. Mas é bom deixar claro que são coisas diferentes, que podem existir independentemente. Amor sem sexo, sexo sem amor. Por que o sexo sem amor é supervalorizado? Valorizado pelas mulheres: tem executivo que paga 5000$ por uma noite de sexo. Muitos homens baseiam a relação em sexo, e mentem paras suas parceiras dizendo que as ama.

Estamos há muito tempo vivendo de paradigmas do passado e do senso comum. É perigoso mexer com a família que é base de nossa sociedade. Mas é um risco que deve ser calculado e corrido. Talvez, nossa geração pudesse parar para refletir pois que, esses mitos, não se sustentam mais, nem apoiados pela bengala da hipocrisia.

Se é amor mesmo, aceita-se um contrato de separação total de bens.



Carlos Henrique Carvalho Barrim

 

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