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    A roleta russa

 

       Jorge E. M. Geisel
       16, Julho/2010

 

Ad signum cognoscuntur ballaePela marca se conhecem os volumes.

 

No Brasil de hoje não temos grandes escolhas políticas a fazer. Não há encruzilhada à vista, apenas uma rotunda ajardinada de cravos vermelhos, um round-about de mão única, sem sinalizações que possam oferecer opções para outros caminhos além dos direcionados à esquerda.

O voto obrigatório e o alinhamento oportunista dos partidos em busca do poder, criou uma convergência latifundiária de metas populistas, considerando a disputa eleitoral como um mero desafio em cantar de violeiros, com suas velhas e desgastadas rimas.

O Voto do Torcedor

Os programas de governo, com os quais acenam, só variam na gradação alcoólica, de 20,5% a 28%, dependendo do preparo ou da burrice do partido que produz o tipo de campari falsificado, aquela bebida vermelhinha que muita gente aprecia como aperitivo. No Campari verdadeiro, ainda hoje, o produto tem a mesma composição original, inventada pelo italiano Gaspare Campari, entre 1862 e 1867, graças à fórmula que foi guardada em segredo por quase um século e meio. A bebida é obtida pela infusão de sessenta ingredientes, combinados e macerados num malte de água destilada e álcool. No caso político em questão, a fórmula foi inventada por Karl Marx e que, para infelicidade do mundo, foi agregada por Lenine, Trostki, Stalin et caterva, culminando com a infusão dos ensinamentos pragmáticos do italiano Antonio Gramsci (1891-1937).

A influência de Gramsci encontra-se associada, principalmente, aos mais de trinta cadernos de análise que escreveu durante o período em que esteve na prisão. Este “Mein Kampft” comunista dedica seu pensamento sobre a história da Itália e nacionalismo, bem como idéias sobre teoria crítica e educacional que são freqüentemente associadas com o seu nome, tais como: hegemonia cultural; a ampliação da concepção marxista de estado; a necessidade de educar os trabalhadores e da formação de intelectuais provenientes da classe trabalhadora, que ele denomina “intelectuais orgânicos”; a distinção entre a sociedade política e a civil; o historicismo absoluto; a crítica do determinismo econômico; a crítica do materialismo filosófico. E, a suprema conquista da Hegemonia via Bloco Hegemônico.

No caso do Brasil, Gramsci foi devorado, lido e relido, decorado e posto em prática pela junção de um pensamento convergente das esquerdas latino-americanas, no badalado Fórum de São Paulo em busca de um bloco hegemônico continental, ao mesmo tempo em que se formava a hegemonia interna via intenso marketing, coligações partidárias paradoxais, centralismo exacerbado, desarmamento, subversão educacional da História, corrupção, aliança com os grandes negócios, mensalões legislativos, prevalência da interpretação canhestra dos Direitos Humanos, apoio ostensivo aos ativismos indígenas, quilombolas, homossexuais e do MST, patriotismo festivo, além de um enorme esforço na ampliação clientelista-eleitoral do estado alimentário.

Alcunhado em alguns meios como o “marxista das super-estruturas”, Gramsci atribuiu um papel central à diálise infra-estrutura (base real da sociedade, que inclui forças de produção e relações sociais de produção) super-estrutura ("ideologia", constituída pelas instituições, sistemas de idéias, doutrinas e crenças de uma sociedade), a partir do conceito de "bloco hegemônico".

“Segundo esse conceito, o poder das classes dominantes sobre o proletariado e todas as classes dominadas dentro do modo de produção capitalista, não reside simplesmente no controle dos aparatos repressivos do Estado. Se assim fosse, tal poder seria relativamente fácil de derrocar (bastaria que fosse atacado por uma força armada equivalente ou superior que trabalhasse para o proletariado). Este poder é garantido fundamentalmente pela "hegemonia" cultural que as classes dominantes logram exercer sobre as dominadas, através do controle do sistema educacional, das instituições religiosas e dos meios de comunicação. Usando deste controle, as classes dominantes "educam" os dominados para que estes vivam em submissão às primeiras como algo natural e conveniente, inibindo assim sua potencialidade revolucionária. Assim, por exemplo, em nome da "nação" ou da "pátria", as classes dominantes criam no povo o sentimento de identificação com elas, de união sagrada com os exploradores, contra um inimigo exterior e a favor de um suposto "destino nacional". Assim se forma um "bloco hegemônico" que amalgama a todas as classes sociais em torno de um projeto de natureza burguesa.” (Vikipédia).

A sorte do Brasil e de nossas vidas está lançada. Entre escolher burros preparados e inteligentes despreparados, será uma verdadeira roleta-russa.

Sem mais disfarces

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Dos Clubes à tutela estatal

 

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