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     Debate dos candidatos

           Maria da Penha Vieira
           05, Agosto/2002

         José Serra

        À primeira pergunta que abriu o primeiro Bloco do debate promovido pela TV Bandeirantes, o único candidato que apresentou resposta articulada foi sem margem para dúvidas o candidato, José Serra. Foi essa fala a que decidiu o realce de cada candidato. Todas que se seguiram em quase nada acrescentaram ao debate, a não ser para demonstrar que José Serra tem aprendido muito em curto prazo e demonstrou que não está disposto a ir para o abatedouro como parecia no início da campanha. Deixou ver que se for necessário fazer mudanças, ele as saberá fazer com toda competência.

Sobre seu projeto de governo, para atender a urgente necessidade de geração de empregos a curto prazo, falou sobre a priorizando da geração de divisas — entrada de moeda forte no País —, através do estímulo à exportação. Desenvolvimento acelerado do Turismo e investimentos na agricultura e pecuária, ressaltando a agricultura familiar e a agricultura irrigada. Ressaltou também a necessidade de investimentos e estímulos a projetos como de sucesso como o do algodão colorido da Paraíba e outros que como esses, receberão incentivos. Outras áreas como a construção civil, saúde e educação são áreas que gerarão grande número de empregos sem exigência de grandes investimentos.

Entende que deverá acontecer um forte investimento no Ensino Médio profissionalizante — escolas técnicas — pois esta facilitará no combate ao desemprego do pessoal jovem, mais facilmente absorvido na área de turismo, seria um exemplo, ilustrou.

A resposta do candidato José Serra destoa das respostas dos outros candidatos por este, de fato, ter conhecimento para saber como executar tais projetos. Serra tem conhecimento do que seja negociação com mercados externos. Isso faz a diferença. Não entendeu quem não tem interesse em entender.

José Serra também demonstrou agilidade e soube aproveitar bem as oportunidades objetivamente. Não tendo no entanto tirado proveito do tanto que realizou na área da Saúde, tendo o Brasil, por isso, obtido o reconhecimento do mundo inteiro pelo combate a AIDS e atendimento efetivo aos portadores da doença.

         Ciro Gomes

uma esperança que decepcionou ao afirmar que criaria mecanismos para desonerar as empresas que geram empregos e repassaria parte da conta para aquelas empresas que investem em máquinas que substituem o homem ( automação ). Tirou o fantasma do caricato Imposto Kaldor ( Leis de Kaldor ) que não deu certo nem na Índia, um dos países pobres onde foi aplicado. Sim, porque os países ricos nem precisaram tentar.

Sobre o aspecto da questão tributária, Ciro aplicaria a teoria das Leis de Kaldor ( Imposto ), economista inglês. Em princípio a teoria é perfeita só que não deu certo, na prática. A Índia até hoje espera resultados. Exemplo no Brasil, a SUDENE — de triste memória e péssimo exemplo de aplicabilidade —, fundada em 1959 a partir da iniciativa do economista e ex-ministro do planejamento do governo João Goulart, Celso Furtado, deixou a marca da falibilidade e ineficácia do Imposto Kaldor.

( para Nicholas Kaldor, nos países subdesenvolvidos as pressões políticas conduzem a uma legislação falha e a uma administração inoperante. "Um sistema fiscal ineficiente, será sempre preferido por todos aqueles a quem um sistema adequado e eficiente possa afetar; e, como estes formam o grupo de maior influência na sociedade, surgem os mais formidáveis obstáculos políticos contra a criação de qualquer sistema eficaz de tributação" ).

Ciro saiu-se de maneira elegante mas pouco convincente aos eleitores mais perguntantes.

         Lula

também dá ênfase a exportação, educação, salário, afastamento do FMI etc. A cantilena de Lula é a mesma: só ele conhece o Brasil pobre. O que nós eleitores tivemos oportunidade de observar quando da entrevista dele na TV Globo, Lula afirmou que não adianta conhecer o Brasil de leitura e da TV. O candidato não deixou outra coisa que a impressão de que ler e estudar não devem valer mesmo à pena.

Não satisfeito, em entrevista ao Jô Soares, convidou o brilhante escritor para ser seu ministro da Cultura. Nenhum brasileiro merece ver isto acontecer. No caso do PT, fica ainda a preocupação de que nos quadros petista, o único economista que aparece é o Mercadante. Um detalhe é que o Lula continua empregando a palavra capital enquanto todos preferem usar a palavra investimento.

         Garotinho

só fez coisa de criança. Malcriação foi pouco. Foi além de coisas de criança. Debochado como gente mesquinha e mal educada. Nem fica corado quando diz que sempre governou de forma honesta. O candidato é esperto. Mesmo sabendo que jamais ganharia para o café da manhã, Garotinho sabe, porém, que o que conseguir amealhar em votos encontrará um bom comprador. A idéia dele era por aí desde o início.

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