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Opinião

 

 

 

                   Caio Martins
                   27, Setembro/2001

 

Uma das coisas que mais chama a atenção, nos Estados Unidos, é o fato de porem sua bandeira a granel, inclusive em lugares dos mais insólitos, como no trazeiro dos "jeans". Certo, cada qual usa a bandeira da pátria onde melhor lhe parece. O fato é que amam seu país. Orgulham-se da nação. E não há temeridade que não cometam se acharem que ambos estão sendo ameaçados. Dá para imaginar o que farão se as ameaças se tornarem realidade.

No dia 11 de setembro de 1973, a frota norte-americana do Pacífico estacionou-se nas costas do Chile e os serviços secretos ianques patrocinaram e promoveram o banho de sangue da derrubada do governo socialista de Salvador Allende. Afirmavam que seus interesses estavam ameaçados. No dia 11 de setembro de 2001, terroristas fundamentalistas ancorados no Islamismo mandaram pelos ares as torres do World Trade Center, o cartão de visitas da pujança financeira do país líder do ocidente.

Milhares de mortos, projeções desastrosas para a economia mundial, e os prenúncios da primeira guerra deste século exigem reflexão. Na desaceleração da economia norte-americana, um ataque covarde como esse veio a calhar internamente, pois o patriotismo daquele povo o levará aos maiores sacrifícios tanto para lavar a afronta, quanto para aproveitar o fato para a reestruturação de seus processos produtivos, esta contando com a aquiescência unânime da população, por mais amargas que sejam as medidas a serem impostas. Inclusive e principalmente aos demais povos do mundo.

Até aí, é procedimento clássico. Os EEUU sempre semearam democracias ou ditaduras pelo planeta segundo seus interesses mais particulares. Uma que outra vez, como no caso do Vietnam, levaram soberana surra, porém não perderam o prumo. No caso do WTC, a coisa é diferente: os fanáticos que levaram a guerra para dentro do Império deram-lhe, de quebra, o privilégio imensamente multiplicado que sempre quis: o poder de intervir em qualquer região ou país do mundo, sob qualquer pretexto, em qualquer hipótese, contando com aprovação universal por terem sido as vítimas (e foram, de fato) de um dos epsódios mais cruéis da História da Humanidade, somente comparável ao lançamento das bombas atômicas em Hiroshima e Nakasaki em 1945.

Não podemos nos esquecer, contudo, que a América do Norte não mudou: continua belicosa, as pistolas prontas para disparar, pronta para resolver na porrada qualquer desafio que acreditem ameaçar sua bandeira, mesmo que no trazeiro dos "jeans".

O mundo, a partir deste 11 de setembro de 2001, é que mudou, jamais será o mesmo: com medo de serem a proxima vítima, os países correm a enfiar-se em baixo das asas da feroz águia americana achando que é uma rabugenta, mas protetora galinha choca. Seja como for, como sempre, nós, do terceiro, quarto ou quinto mundo, é que pagaremos os pratos quebrados da festa.

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