Uma
das coisas que mais chama a atenção, nos Estados Unidos,
é o fato de porem sua bandeira a granel, inclusive em lugares
dos mais insólitos, como no trazeiro dos "jeans".
Certo, cada qual usa a bandeira da pátria onde melhor lhe
parece. O fato é que amam seu país. Orgulham-se da
nação. E não há temeridade que não
cometam se acharem que ambos estão sendo ameaçados.
Dá para imaginar o que farão se as ameaças
se tornarem realidade.
No
dia 11 de setembro de 1973, a frota norte-americana do Pacífico
estacionou-se nas costas do Chile e os serviços secretos
ianques patrocinaram e promoveram o banho de sangue da derrubada
do governo socialista de Salvador Allende. Afirmavam que seus interesses
estavam ameaçados. No dia 11 de setembro de 2001, terroristas
fundamentalistas ancorados no Islamismo mandaram pelos ares as torres
do World Trade Center, o cartão de visitas da pujança
financeira do país líder do ocidente.
Milhares
de mortos, projeções desastrosas para a economia mundial,
e os prenúncios da primeira guerra deste século exigem
reflexão. Na desaceleração da economia norte-americana,
um ataque covarde como esse veio a calhar internamente, pois o patriotismo
daquele povo o levará aos maiores sacrifícios tanto
para lavar a afronta, quanto para aproveitar o fato para a reestruturação
de seus processos produtivos, esta contando com a aquiescência
unânime da população, por mais amargas que sejam
as medidas a serem impostas. Inclusive e principalmente aos demais
povos do mundo.
Até
aí, é procedimento clássico. Os EEUU sempre
semearam democracias ou ditaduras pelo planeta segundo seus interesses
mais particulares. Uma que outra vez, como no caso do Vietnam, levaram
soberana surra, porém não perderam o prumo. No caso
do WTC, a coisa é diferente: os fanáticos que levaram
a guerra para dentro do Império deram-lhe, de quebra, o privilégio
imensamente multiplicado que sempre quis: o poder de intervir em
qualquer região ou país do mundo, sob qualquer pretexto,
em qualquer hipótese, contando com aprovação
universal por terem sido as vítimas (e foram, de fato) de
um dos epsódios mais cruéis da História da
Humanidade, somente comparável ao lançamento das bombas
atômicas em Hiroshima e Nakasaki em 1945.
Não
podemos nos esquecer, contudo, que a América do Norte não
mudou: continua belicosa, as pistolas prontas para disparar, pronta
para resolver na porrada qualquer desafio que acreditem ameaçar
sua bandeira, mesmo que no trazeiro dos "jeans".
O mundo,
a partir deste 11 de setembro de 2001, é que mudou, jamais
será o mesmo: com medo de serem a proxima vítima,
os países correm a enfiar-se em baixo das asas da feroz águia
americana achando que é uma rabugenta, mas protetora galinha
choca. Seja como for, como sempre, nós, do terceiro, quarto
ou quinto mundo, é que pagaremos os pratos quebrados da festa.