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A
súcia petista governista está trabalhando arduamente para
enfiar goela abaixo dos seus vassalos a empáfia do seu nepote
na presidência da Câmara Federal. Convenhamos, esta disputa
está mais para "A Escolha de Sofia" que para um debate de
idéias e posições, afinal, entre as duas candidaturas não
há divergência ideológica, sectária ou dogmática.
A
diferença entre os dois petistas, Virgílio Guimarães (pseudo-oposicionista)
e Luiz Eduardo Greenhalgh (o oficial do PT), é que este último
significa uma extrapolação do suportado pelo fígado humano.
Está certo que a arrogância, a insolência, a intransigência
com a oposição e o caráter truculento estão se tornando uma
condição sine qua non para ser um petista puro sangue,
só que o mais grave no caráter do queridinho do planalto é
o hábito de tentar impedir os trabalhos de investigação dos
seus. Que besteira a minha, essa é mais uma condição sine
qua non.
O
fato é que Greenhalgh tentou pôr fim na CPI da terra e foi
o responsável pelo encaminhamento de uma petição ao STF para
impedir a quebra do sigilo bancário e fiscal de duas cooperativas:
Anca (Associação Nacional de Cooperação Agrícola) e Concrab
(Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil).
Ambas, braço financeiro do MST.
Como
o movimento dos trabalhadores rurais sem-terra (logo, sem
ocupação) não é legalmente constituído, essas cooperativas,
segundo investigações da CPI da Terra, funcionam como lavanderias
dos recursos que custeiam o MST. Entre 1998 e 2004, os donativos
às duas cooperativas somaram US$ 7,5 milhões (hoje, 20 milhões
de reais) - US$ 6,743 milhões rechearam as contas da Anca.
O restante (US$ 772,9 mil) tonificou a contabilidade da Concrab.
Baseado em declarações dadas à Receita Federal, a Concrab
é uma cooperativa laranja, pois embora tenha passado pelas
suas mãos pelo menos R$ 7,1 milhões nos últimos seis anos,
desde 1999 declara na Receita Federal não possuir rendimentos.
Qual
seria o interesse do deputado Luiz Eduardo Greenhalgh em barrar
uma investigação nas finanças dessas duas cooperativas? Simplesmente,
ele é o advogado do MST e uma quebra no sigilo dessas cooperativas
poderia trazer às claras, essa genial engenharia financeira
que possibilita uma organização que não possui personalidade
jurídica, não pode ser acionada judicialmente, não recolhe
tributos, não gera empregos, não produz qualquer bem ou serviço
para a sociedade civil, de construir uma universidade orçada
em US$ 2.219.860, o equivalente a R$ 7.824.162,95 (cotado
em 20/01). Isso é, no mínimo, uma afronta ostensiva às convenções
e conveniências morais, já que Greenhalgh se valeu do cargo
de deputado para obter sucesso como advogado. Imagine o que
poderá fazer como presidente da Câmara.
Aliás,
Greenhalgh vem fazendo fortuna com a liberação de indenizações
aos "perseguidos" pelo regime militar, seus honorários são
30% do valor da indenização. É claro que o requerente pode
optar por qualquer outro advogado de sua confiança, mas vale
ressaltar que a comissão que julga a liberação das indenizações
é formada por indicados do secretário de Direitos Humanos
Nilmário Miranda e do Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
Para quem não sabe, no passado Thomaz Bastos já defendeu alguns
ilustres subversores, hoje nobiliárquicos, que participaram
de seqüestros e outros delitos, digamos, políticos. O próprio
Nilmário, quando ainda não tinha consciência de que Direitos
Humanos são para todos os humanos e não só para os seus, foi
defendido por Luiz Eduardo Greenhalgh. Deve-lhe favores.
Do
outro postulante à presidência da Câmara pouco sei além de
sua fama de boa praça e gosto pela boemia. Nada imoral, pena
que essas qualidades não são relevantes para o cargo em disputa.
De qualquer forma, apesar de ser do partido do governo, Virgílio
Guimarães hoje simboliza certa independência do executivo,
essa sim, condição essencial para um Legislativo respeitável.
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