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   Um advogado
   dos Diabos

           

      Adriana Vandoni Curvo
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Comunique-se

      Janeiro 27, 2005

 

   
 

Leia: Editorial

 

               A súcia petista governista está trabalhando arduamente para enfiar goela abaixo dos seus vassalos a empáfia do seu nepote na presidência da Câmara Federal. Convenhamos, esta disputa está mais para "A Escolha de Sofia" que para um debate de idéias e posições, afinal, entre as duas candidaturas não há divergência ideológica, sectária ou dogmática.

               A diferença entre os dois petistas, Virgílio Guimarães (pseudo-oposicionista) e Luiz Eduardo Greenhalgh (o oficial do PT), é que este último significa uma extrapolação do suportado pelo fígado humano. Está certo que a arrogância, a insolência, a intransigência com a oposição e o caráter truculento estão se tornando uma condição sine qua non para ser um petista puro sangue, só que o mais grave no caráter do queridinho do planalto é o hábito de tentar impedir os trabalhos de investigação dos seus. Que besteira a minha, essa é mais uma condição sine qua non.

               O fato é que Greenhalgh tentou pôr fim na CPI da terra e foi o responsável pelo encaminhamento de uma petição ao STF para impedir a quebra do sigilo bancário e fiscal de duas cooperativas: Anca (Associação Nacional de Cooperação Agrícola) e Concrab (Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil). Ambas, braço financeiro do MST.

               Como o movimento dos trabalhadores rurais sem-terra (logo, sem ocupação) não é legalmente constituído, essas cooperativas, segundo investigações da CPI da Terra, funcionam como lavanderias dos recursos que custeiam o MST. Entre 1998 e 2004, os donativos às duas cooperativas somaram US$ 7,5 milhões (hoje, 20 milhões de reais) - US$ 6,743 milhões rechearam as contas da Anca. O restante (US$ 772,9 mil) tonificou a contabilidade da Concrab. Baseado em declarações dadas à Receita Federal, a Concrab é uma cooperativa laranja, pois embora tenha passado pelas suas mãos pelo menos R$ 7,1 milhões nos últimos seis anos, desde 1999 declara na Receita Federal não possuir rendimentos.

               Qual seria o interesse do deputado Luiz Eduardo Greenhalgh em barrar uma investigação nas finanças dessas duas cooperativas? Simplesmente, ele é o advogado do MST e uma quebra no sigilo dessas cooperativas poderia trazer às claras, essa genial engenharia financeira que possibilita uma organização que não possui personalidade jurídica, não pode ser acionada judicialmente, não recolhe tributos, não gera empregos, não produz qualquer bem ou serviço para a sociedade civil, de construir uma universidade orçada em US$ 2.219.860, o equivalente a R$ 7.824.162,95 (cotado em 20/01). Isso é, no mínimo, uma afronta ostensiva às convenções e conveniências morais, já que Greenhalgh se valeu do cargo de deputado para obter sucesso como advogado. Imagine o que poderá fazer como presidente da Câmara.

               Aliás, Greenhalgh vem fazendo fortuna com a liberação de indenizações aos "perseguidos" pelo regime militar, seus honorários são 30% do valor da indenização. É claro que o requerente pode optar por qualquer outro advogado de sua confiança, mas vale ressaltar que a comissão que julga a liberação das indenizações é formada por indicados do secretário de Direitos Humanos Nilmário Miranda e do Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Para quem não sabe, no passado Thomaz Bastos já defendeu alguns ilustres subversores, hoje nobiliárquicos, que participaram de seqüestros e outros delitos, digamos, políticos. O próprio Nilmário, quando ainda não tinha consciência de que Direitos Humanos são para todos os humanos e não só para os seus, foi defendido por Luiz Eduardo Greenhalgh. Deve-lhe favores.

               Do outro postulante à presidência da Câmara pouco sei além de sua fama de boa praça e gosto pela boemia. Nada imoral, pena que essas qualidades não são relevantes para o cargo em disputa. De qualquer forma, apesar de ser do partido do governo, Virgílio Guimarães hoje simboliza certa independência do executivo, essa sim, condição essencial para um Legislativo respeitável.

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