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Na
década de 70, muitos colonos, de todas as regiões do Brasil,
em especial, do Sul, migraram para Mato Grosso em busca de
grandes propriedades a preços baixos. Vieram incentivados
pelo Governo Federal e apoiados nas facilidades de financiamentos
da Sudam, da Sudeco e do Banco do Brasil.
No
governo Médici, foram criados programas especiais de desenvolvimento
e ocupação da Amazônia, como o Programa de Integração Nacional,
que forneceu recursos para a abertura de 15.000 km de estradas.
Juntando-se a esses benefícios, uma intensa propaganda prometia
um eldorado onde a terra era rica, o clima perfeito, a madeira
interminável e as riquezas sem fim.
Trinta
anos se passaram desde a chegada daquela população de migrantes
que se embrenhou nas matas e, procurando sobreviver, mesmo
depois de esgotado o amparo do governo federal, fixou raízes,
criou municípios e trouxe desenvolvimento.
Hoje
surgiu uma novidade, um grande “presente” para parte da região
amazônica que inclui o norte de Mato Grosso e o sul do Amazonas.
A criação do Parque Nacional do Juruena. Parque Nacional (PARNA)
significa a delimitação de uma área onde serão mantidos seus
ecossistemas livres de alterações causadas pela interferência
humana, admitido apenas o uso indireto dos seus atributos
naturais. Ou seja, somente são permitidos o desenvolvimento
de pesquisas científicas e atividades de educação ambiental,
recreação e turismo ecológico. Por serem de posse e domínio
público, as áreas particulares que ficarem dentro de seus
limites serão desapropriadas. É salutar e necessária a preservação
ambiental, esse é um ponto inquestionável, mas, e a população
que lá está?
Em
Mato Grosso, o Parque do Juruena vai ocupar um milhão de hectares,
o que corresponde a boa parte dos municípios de Apiacás e
Nova Bandeirantes. Para se ter uma idéia, da área total Apiacás,
23% é da Reserva indígena Kaiabí, 5% da Reserva Estadual e,
se concretizado, 41% será tomado pelo Parque Nacional. Sobra
ao município 30%, porém, de acordo com a MP 2166 só pode ser
explorada 20%, assim, restará para utilização do homem o equivalente
a 5,98 % da área total do município.
Aquela
população que foi ocupar a Amazônia nos anos setenta passou
de desbravadora para predadora e enfrenta um forte lobby de
ONG’s que através de uma relação libidinosa com os governos
desprezam o mundo moderno e a tecnologia para cultuarem uma
formação social arcaica, porém, com interesses nem sempre
visíveis e com interligações escusas. Esses organismos estão
se transformando em meio de vida para seus dirigentes. Profissionais
da área com grande influência sobre políticas de governos
locais, nacionais e de organismos internacionais.
É
preciso preservar, sim. Mas temos que desenvolver uma preservação
respeitando o ser humano. O que fazer agora com 6.665 pessoas
que vivem em Apiacás? Dizimar essa população ou treinar para
vivam como sagüis pulando de galho preservado em galho preservado
divertindo turistas estrangeiros. Tá certo que uma Auschwitz
resolveria o problema, mas, como sou contra a destruição da
vida, em especial da humana, sugiro que se ensine essa população
a grasnar como as araras, dessa forma ficaram camufladas e
a salvo dos ecologeiros caras-de-paus (sic).
É
um tema complexo. Voltarei ao assunto.
N.E.
Por termos estado fora do ar durante 13 dias, a contar
de 1º de Fevereiro por motivo de protesto, esclarecemos
que este artigo da nossa colaboradora, antecipou-se as notícias
que somente agora estão sendo veiculadas nos grandes
jornais brasileiros. Reconhecermos que houve prejuízo
para a autora e por isso apresentamos nosso pedido desculpas.
Maria da Penha Vieira
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