| Um
amigo me aconselhou a parar de escrever sobre Lula. Outro,
disse para escrever sobre economia, já que sou economista.
É verdade, sou economista e ontem foi eleição
no Conselho, quero aproveitar e agradecer os votos que a Chapa
2, da qual eu faço parte, recebeu. Pensei ... pensei
... e, apesar de saber que neste espaço escrever sobre
economia não seria muito atrativo, resolvi ouvir o
conselho dos dois. Pensei em falar sobre o “espetáculo
de crescimento”, da China, e como erros estratégicos
de uma política externa podem comprometer todo um setor,
como ocorreu com um certo país, grande exportador de
soja, quando desprezou a manobra da China para baixar o preço
das commodities. Para não levar um pito de novo resolvi
falar sobre a “atual conjuntura econômica”.
Bonito, né?
Respeitáveis
economistas começam a prever o fim de mais um ciclo
de crescimento da economia mundial. Em entrevista ao jornal
O Estado de São Paulo o professor Barry Eichengreen,
da Universidade de Berkeley, na Califórnia, disse que
a bonança está perto do fim. Infelizmente esta
é mais uma oportunidade não aproveitada pelo
Brasil. Mais um período em que os monetaristas, agora
comandados por “Paloffi”, sujeitam nossa sociedade
a um modelo de gerenciamento da economia que sujeita toda
a capacidade e dinamismo do nosso povo em troca de um superávit
primário apenas para pagar juros da dívida.
Marx
disse que a história só se repete como farsa.
Da mesma forma que diversas lideranças do PSDB eram
contrárias à política econômica
da era Malan, diversos membros do atual partido governista
(observem que não estou falando nem o nome do partido)
também são contrários ao atual conservadorismo
da política econômica, similar ou pouco diferente
do período Malan. São demonstrações
do inegável poder de convencimento da elite financeira
sobre os condutores da política econômica brasileira.
Se
no passado o apagão representou a visão distorcida
da necessidade de investimentos do setor público em
infra-estrutura, agora a falta de investimento no controle
fito-sanitário, que facilitou o aparecimento da aftosa,
também representa o mesmo que a preocupação
exclusiva com o controle do déficit das contas do governo,
que podem representar prejuízos maiores logo em seguida.
Falta
de investimento do governo e da iniciativa privada pouco estimulada,
impedem a modernização da nossa infra-estrutura,
criando horizontes sombrios para um país que pretende
crescer e se desenvolver. Se em um futuro próximo tivermos
condições para ter um crescimento duradouro
e vigoroso, faltará energia para tocar nossas indústrias,
estradas para transportar nossos produtos e portos para embarcá-los.
Como pretendemos crescer se não temos como fazê-lo?
É uma pergunta que faço aos atuais administradores.
É
inegável que a situação atual é
bem melhor que em décadas passadas, quando não
se tinha qualquer preocupação e respeito com
as contas públicas, quando um governante após
ter eleito seu sucessor, se gabava de para isso ter sido necessário
quebrar o banco do estado, como disse Quércia em São
Paulo, quando quebrou o Banespa. Hoje pelo menos o problema
é outro, mas a extrema ortodoxia da política
econômica engessa o futuro do nosso país. Fica
claro que não devemos agir nem tanto ao céu,
nem tanto à terra.
Um
exemplo disso é a nossa atual política cambial.
O Presidente da República (aquele que neste artigo
eu não posso dizer o nome) questionou as críticas
a esse modelo declarando que sempre desejamos um câmbio
flutuante. Usou esse argumento para afirmar que não
mudará essa política no seu governo. Sem dúvida
o câmbio flutuante é uma medida mais eficaz para
refletir o real valor da moeda do nosso país. A utilização
da moeda como âncora para o controle inflacionário
já se mostrou ineficaz tanto aqui, quando FHC foi obrigado
a desvalorizá-la, como na Argentina, que quebrou e
desvalorizou sob pressão da quebra do país.
O
atual modelo de flutuação cambial, em um momento
de excesso de liquidez mundial, é completamente distorcido,
já que a entrada maciça de moeda estrangeira
em busca dos nossos juros elevados, sobrevaloriza nossa moeda
e falseia o seu real valor. Isso aumenta o valor dos nossos
produtos no exterior e, aos poucos impede uma maior competitividade
com os outros países. Não é à
toa que a China teima em manter sua moeda desvalorizada e
domina a economia mundial.
Como
disse, parece que este ciclo de liquidez mundial está
acabando. Se de fato isso vier a ocorrer, levará todo
esse dinheiro de volta à sua origem, ou em socorro
às perdas em outros países. A conseqüência
disso é que deixará aqui empresas sucateadas
ou pouco competitivas internacionalmente, deixará de
atuar como âncora para o controle inflacionário,
já que o valor do dólar acabará subindo,
estimulando um novo retorno da inflação, culminando
em um novo ciclo interno de aumento de juros para conter a
volta da inflação.
Pronto, acabei
e não falei dele. Viva eu!!!
.
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