|
Este
governo está confundindo as coisas, novamente. O deputado
Fernando Gabeira, que é uma pessoa admirável na sua luta pela
democracia, formulou um projeto de lei que no lugar de incluir
ou sanar um problema, vai legalizar uma desigualdade social.
É a regularização da profissão de prostituta. Projeto aprovado
pelo ministro da justiça Thomaz Bastos que declarou em 2003
que "A minha posição é idêntica à do deputado Gabeira".
A
legalização da prostituição não tem função social alguma,
vai no máximo legitimar abusos. Não venham me dizer os “Gabeiras”
da vida, que por serem prostitutas ou como o próprio Gabeira
as denomina “mulheres horizontalmente acessíveis”, se realizam
como pessoa ou indivíduo e têm orgulho do que fazem. Não queiram
me convencer que elas se tornam “prestadora de serviços sexuais”
por vocação e não por falta de opção. Isso é devaneio químico
ou fumaçóide. Há de se fazer sim campanhas de esclarecimento,
de prevenção de doenças e de proteção à vida, tudo que possa
dar certa dignidade a essas mulheres que não tiveram escolha.
Seriam
medidas emergenciais e paliativas que deveriam funcionar como
um item de uma política de inclusão social e de crescimento
econômico capaz de aumentar o número de postos de emprego.
Recriminar
a prostituição não é uma coisa que sai das cabeças preconceituosas
da burguesia dominante e opressora, como podem achar os “Gabeiras”.
Prostituição é uma disfunção social causada por falta de ações
efetivas do Estado que deveria dar as condições básicas de
vida digna. Regularizar a profissão ou dar um novo nome, um
que seja “politicamente correto”, será útil para diminuir
a peso da culpa de um governo ou de legisladores que não se
sentem competentes para atacar o mal maior que é a entrada
de meninas pobres, moradoras das periferias do país que, sem
horizontes, encontram na prostituição uma forma de sobreviverem.
Não
acredito que exista uma prostituta que, com condições sociais,
financeiras e psíquicas, “apenas” tenha optado por essa profissão.
O que o deputado Gabeira chama de “serviço de natureza sexual”,
nada mais é que uma degradação humana decorrente da pobreza,
da falta de educação, de trabalho e de perspectiva de vida.
É o reflexo da incapacidade de uma nação em oferecer futuro
de qualidade ao seu povo.
Esses
“doidões” deveriam se ocupar em buscar alternativas para diminuir
o número de mulheres sem futuro, que são levadas deste país,
por mercadores internacionais, iludidas que encontrarão oportunidades
e acabam nos bordéis baratos da Europa, escravizadas, pois
a primeira coisa que lhes tomam é o passaporte. Segundo relatório
da ONU, na Europa, 95% das prostitutas brasileiras foram traficadas.
Enquanto isso o Ministério do Trabalho elabora um manual de
sacanagem. No Kama Sutra Estatal diz, por exemplo, que a puta
deve demonstrar capacidade de persuasão, de realizar fantasias
eróticas, de se comunicar em língua estrangeira e ser paciente.
Essa paciência seria quando o cliente é um “indivíduo enrijecidamente
prejudicado”? Vai entender o que se passa pela cabeça do Ministro
e sua equipe!
O
Brasil é um grande exportador de mulheres. Então é isso? A
intenção do governo leniente e do deputado Gabeira é transformar
o Brasil em exportador mulheres. Se isso acontecer o governo
vai sim, como disse em um artigo o senador Antero Paes de
Barros (PSDM/MT), ser o cafetão oficial.
O
site do Ministério do Trabalho traz com riqueza de detalhes
os pré-requisitos oficiais para o exercício da profissão,
inclusive o conselho de “respeitar código de não cortejar
companheiros de colegas de trabalho”. Vale a pena entrar e
conferir.
Recomendo
também, este é imperdível, o site do Gabeira. “É muito louco,
cara! Uma viagem astral”. Tem até uma reportagem sobre um
prostíbulo voador no Chile. Ele é capaz de ir, com a mesma
desenvoltura, da puta à energia nuclear.
Mais artigos
de Adriana Vandoni Curvo Index
Alto
Opinião
|