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O
dedo indicador
no
seu devido lugar
Suzana
Bertioga
28,
Setembro/2001
Por certo
que nossos navegantes de todos os Continentes, de todas as raças,
de todas convicções filosóficas e de todos
os credos que nos visitam se perguntavam pelo motivo de o Domínio
Feminino manter-se emudecido, por dias, diante do holocausto perpetrado
contra a Nação Norte-americana, contra o Continente
Americano, contra nosso pensamento ocidental.
Esperar
que as exaltações dos ânimos arrefecesse. Ter
tempo para refletir após sair do entorpecimento causado pelo
choque dos trágicos acontecimentos. Caladas por temperança.
Lamentáveis
os equívocos políticos, religiosos, econômicos
e ideológicos. Pessoalmente, recuso-me a fazer uso do dedo
indicador contra os Estados Unidos da América do Norte neste
momento doloroso. Nenhum argumento por mais lógico que "possa
parecer" me fará compartilhar da satisfação
de certos tipos patológicos ou que por necessidade de aparecer,
arvoram-se em estudiosos dos problemas sócio-econômicos
mundiais e regozijam-se pela catástrofe praticada por execráveis
terroristas.
Minha admiração
pelo povo americano advém da observação e reflexão
sobre aquele povo, desde a sua colonização.
Aos onze
anos de idade, li um livro cujo título não me recordo,
mas que me fez, por toda minha vida pensar nas diferenças
culturais e econômicas que faziam com que o Brasil fosse diferente
dos Estados Unidos. Graças àquela leitura, pude enxergar
e compreender nossas diferenças e o motivo de o povo norte-americano
ter tanto orgulho do que é. Ao conhecê-los mais de
perto suas classes médias e alta, ver sua pobreza e miséria,
cada vez mais sabia que podia compreendê-los. Não por
tanta proximidade geográfica e física, mas por outros
meios e motivos, compreender as populações do médio-oriente
e do leste.
A história
que li naquele livro, na minha infância faminta de leitura
era simples. Um narrador-criança contando como sua família
norte-americana se mudara de uma região para outra. A nova
região, uma planície vasta de altos capinzais e era
rigoroso inverno.
No mesmo dia em que
chegaram ao local, após exaustiva viagem de dias, em precária
carroça, o pai iniciara a edificação da casa
com toras de madeiras que ficaram mal encaixadas umas às
outras. Uma família de cinco irmãos e os pais. À
noite, o frio era insuportável e o vento sibilante os alcançava
dentro de casa no quarto, sobre os catres construídos com
galhos de árvores. Para aquecerem-se, dormiam com os corpos
colados uns aos outros. O narrador-criança ia descrevendo
o cotidiano esperançoso nos os dias futuros. Uma historinha
simples que dizia como a família viera para a América
e sobre suas esperanças. Falava sobre como trabalhavam árduo
para construir seu mundo, ultrapassando as intempéries e
perigos daqueles tempos. As mudanças de Estações.
O plantar, a colheita e os parcos lucros.
Vejo a Nação
Norte-americana como um menino super dotado em capacidade de suplantar
tudo através do esforço. Um tipo de aluno que se sabe,
não tão inteligente, se esforça mais nos estudos
e brilha mais que os inteligentes natos que costumam ser preguiçosos
só porque sabem que têm facilidade de aprendizado.
É sempre fácil pensar-se que quando alguém
chega ao sucesso, tudo sempre foi muito fácil. Para nós,
só para nós, é que as coisas são difíceis,
dolorosas e o "mundo não me quereu".
O povo
norte-americano nunca perde oportunidade de aprender e reciclar-se.
Tal como o japonês que desmonta para aprender como foi feito.
Tal como qualquer povo esforçado em aprendizado. Mesmo os
anciãos milenares estão sempre tendo o que aprender
com os mais jovens.
Entendo o porquê
de o eixo do umbigo dos americanos ser diferente de outros povos.
Ao menos era diferente até agora. O meninão chegou
a idade adulta e com certeza, mesmo que seu umbigo continue no mesmo
lugar, seu umbigo não continuará sendo o eixo do mundo.
Mas, com certeza, continuará sendo o eixo mantenedor da relação
de amor do povo para com a Nação.
Meu dedo
indicador recusa-se a mergulhar em tão profundas feridas
ainda ensangüentadas.
Um exemplo
hipotético que ilustra:
Alguém visita
um casal de amigos ou conhecidos logo após a morte do jovem
filhos em um terrível acidente de automóvel. O automóvel
do jovem falecido era do tipo máximo, importado, caríssimo
que arrebentou-se contra a parede de um túnel, em alta velocidade.
A visita diz para os
pais que acabaram de perder sua fortuna afetiva:
—
Vocês compraram aquele carro tão carro e tão
veloz...talvez se ele não o tivesse ganho, estivesse vivo.
Ou se pelo menos ele fosse um menino mais responsável...Graças
a Deus, nosso filho não em carro...
Impossível
alguém ser tão insensível e invejoso? Não
é o que se tem lido e ouvido nestes últimos dias.
Possivelmente, aqueles
pais não tivessem sido tão responsáveis na
educação do filho. Contudo, seria crueldade infinita
levantar questão como esta numa hora infeliz. Para tudo existe
a hora certa. Hora de calar e hora de falar.
Se essas
pessoas que jogam na cara dos Estados Unidos que sua punjança
é responsável pela sua própria desgraça,
na pior hora, essas pessoas são as mesmas que têm filhos,
que educam ou que lideram. Devem estar falhando na educação
dos filhos e com seus liderados ao falar a coisa certa na hora errada.
Tipo de atitude e comportamento que destrói todas as possibilidades
de reeducar.
Isso é o que
eu chamo de urubu-de-carniça ( a redudância é
por conta da expressão ).
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