Muita polêmica
e incompreensão sobre a importância da
segurança do Presidente da República e de Altas
Autoridades têm surgido por conta do investimento
de uma nova aeronave presidencial. Ao mesmo tempo que
por muito tempo se tem ridicularizado o modelo obsoleto
critica-se a recente iniciativa do Governo Federal.
O governo e
o Presidente Lula tem toda razão ao aposentar o "sucatão"
e adquirir um moderno ACJ ( Airbus Corporate Jetliner )
para seus deslocamentos nacionais e internacionais com toda
a tecnologia da informação e de defesa que sejam ( e são)
necessárias. Não dá para ser econômico, oposicionista, nacionalista
e, principalmente, irresponsável neste aspecto. Tudo que
houver de mais moderno tem que fazer parte do pacote de
compra da aeronave. Ela tem que prever inclusive o reabastecimento
em pleno ar da aeronave, para o caso de guerras e golpes
de estado ou outras situações que exijam o comando da Nação
fora dos palácios e quartéis.
Autonomia de
vôo mínima pois que, quanto menores forem os números de
pousos e decolagens menores serão as exposições aos
riscos. Se tanto o pouso quanto a decolagem já incluem fatores
de riscos, adicione-se as mesmas, as possibilidades de sabotagem
e facilitação de atividades terroristas, sejam de origem
interna ou externas.
A segurança presidencial
não pode ser objeto de politicagem, falso nacionalismo,
sofismas ou oportunismo barato. Concordemos ou não com o
status quo vigente, a segurança do presidente é de alto
interesse nacional e no caso do Brasil, a oitava economia
do planeta ( caiu temporariamente para o 14/15. lugar) é
de interesse mundial. Aliás, em termos de gerência de riscos,
o ideal seria que, jamais as autoridades que comandam ou
tem de alguma forma o comando do país nas mãos ou em seus
laptops deveriam viajar num mesmo avião, estar num mesmo
palanque, percorrer num mesmo período de tempo a mesma rota,
estar ao mesmo tempo num jantar ou recepção, hospedar-se
num mesmo hotel e outras situações para resumir.
Vocês imaginam
por exemplo, o que aconteceria ao país e aos investimentos
e negócios e as tratativas diplomáticas, na hipótese de
um acidente fatal envolvendo o Presidente, o Ministro da
Fazenda, o chefe da Casa Civil e o Ministro das Relações
Exteriores?
De momento para
outro, um país acéfalo sujeito as disputas internas de poder
favorecendo lacunas para o florescimento de toda espécie
de conflitos oportunistas, situações que deputado
Nilmário Miranda (PT-MG) e o agora ministro Márcio Thomaz
Bastos conhecem muito bem e talvez por isto mesmo.
Poucos sabem,
ou sequer imaginam, sobre os fatos ( nunca revelados por
inteiro ) que se sucederam ao falecimento do Presidente
Tancredo Neves eleito Presidente pelo Colégio Eleitoral
em janeiro de 1985, que levou o então, vice-presidente
José Sarney à Presidência da República numa disputa acirrada
pelo fato de que o presidente eleito com seu vice não
terem sido empossados. O PMDB assegurava que Ulysses Guimarães,
então presidente da Câmara era quem deveria assumir a
Presidência do Brasil acéfalo. Enfim definiu-se José Sarney
como Presidente da República, não sem alguma tutela militar
como garantia de ver o Brasil retomar o Estado Democrático.
Havia urgência
de tempo para que se desse as devidas articulações políticas,
jurídicas o mais próximo possível à constitucionalidade
e foi necessário para que se pudesse promover articulações
e encontrar saídas, que a doença de Tancredo Neves tivesse
consumido um longo tempo até a declaração do seu falecimento
oficialmente. Por mais que pensemos que não, demos sorte
em ter um político hábil como o atual Senador. Se o ex-presidente
José Sarney não tivesse tanta experiência política e administrativa,
não temos idéia de quantas décadas mais teríamos andado
para trás por conta de outra ruptura institucional.
Acredito que
alguém possa se lembrar da Primeira Dama, Sra. Marly Sarney
mascando chicletes durante a cerimônia de posse do marido.
Aquilo não foi deselegância, foi uma forma de lidar com
a tensão reinante, pois até o último minuto, ainda havia
possibilidade de sucesso conspiratório.
'Sarney sabiamente
escolheu uma posição de modéstia, que atraiu a simpatia
popular. Manteve os ministros escolhidos por Tancredo
e encampou suas idéias básicas de formar um pacto nacional
para a redemocratização do país.'
Fato parecido
com aquele do ano de 1985, no Brasil de hoje poderia significar,
com pouca margem de erro, um estado de total desordem levando-nos
a uma fatal ruptura institucional. Terreno fértil existe.
Vejo como uma
decisão sensata e corajosa do Governo Lula que em meio ao
nível de desemprego alarmante, população faminta e classe
média em extinção, ainda assim, enfrentou a incompreensão
de muitos. Por certo é melhor tê-lo em segurança, vivo e
com muita saúde para assumir as responsabilidades institucionais.
Se o leitor ainda resistir à idéia, imagine
quanta humilhação para o Brasil se jornais
internacionais noticiassem que " o Presidente e Altas
Autoridades brasileiros caíram do avião em
que viajavam".
Sem dúvida, neste
sentido Lula está bem assessorado. Devemos todos os brasileiros
nos sentir aliviados. O governo italiano também tem um ACJ.
Compreende-se
que os italianos não vivem as misérias que nós brasileiros
vivemos, mas, também, se eles não podem ficar sem seus governantes,
por que nós poderíamos?
Vale o bom senso.
.
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