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   Sarkozy,
   o revolucionário

 

      Jorge Geisel *
      
Maio, 07/2007

 

Leia: Editorial

 

                A vitória de Nicolas Sarkosy não foi contra o que poderia acontecer, caso Ségolène Royal vencesse a eleição presidencial. Antes, foi a vitória da desconstrução da enorme máquina estatal à disposição da vadiagem pública e migratória, por conta dos sofridos contribuintes franceses.

               Sarkosy, longe de ser um conservador, no sentido pontual e até acusatório do termo, talvez seja o maior revolucionário francês surgido após a Segunda Guerra. De lá para cá, com algumas passagens de bom senso e prudência, a França conseguiu engessar-se na centralização, na burocracia socialista, estatizadora e típica da economia social de mercado, estiolando-se em déficits públicos e numa previdência social destinada à falência nacional.

               A grande batalha de Sarkosy, assim sendo, apenas começou. O grande significado de sua campanha vitoriosa, representa algo de novo no país que já abrigou o segundo maior partido comunista europeu, atrás apenas do arregimentado soviético. Representa, acima de tudo, a abertura política e moralizadora, que permita ao indivíduo comum, homem ou mulher, a liberdade de trabalhar, de competir produzindo, de prosperar e de ser reconhecido pelos próprios méritos.

               Entretanto, pelas demonstrações de inconformismo, de vandalismo típico dos adeptos do “tudo pelo social”, apimentada pelas ameaças e expressiva votação de Ségolène, pode-se antever o grau de dificuldades que Sarkosy terá para salvar a França do atraso institucional, que a transformou no paraíso da vagabundagem por conta alheia.

               Pode-se prever, com certa angústia aqui em Pindorama, no que nos transformaremos e por quanto tempo conviveremos com as burrices, até que um Sarkosy tupiniquim possa aparecer, acenando a bandeira azul da libertação nacional.

 

 

* Jorge Geisel é advogado.

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