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A vitória de Nicolas Sarkosy não foi contra o que poderia
acontecer, caso Ségolène Royal vencesse a eleição presidencial.
Antes, foi a vitória da desconstrução da enorme máquina estatal
à disposição da vadiagem pública e migratória, por conta dos
sofridos contribuintes franceses.
Sarkosy,
longe de ser um conservador, no sentido pontual e até acusatório
do termo, talvez seja o maior revolucionário francês surgido
após a Segunda Guerra. De lá para cá, com algumas passagens
de bom senso e prudência, a França conseguiu engessar-se na
centralização, na burocracia socialista, estatizadora e típica
da economia social de mercado, estiolando-se em déficits públicos
e numa previdência social destinada à falência nacional.
A
grande batalha
de Sarkosy, assim sendo, apenas começou. O grande significado
de sua campanha vitoriosa, representa algo de novo no país
que já abrigou o segundo maior partido comunista europeu,
atrás apenas do arregimentado soviético. Representa, acima
de tudo, a abertura política e moralizadora, que permita ao
indivíduo comum, homem ou mulher, a liberdade de trabalhar,
de competir produzindo, de prosperar e de ser reconhecido
pelos próprios méritos.
Entretanto,
pelas demonstrações de inconformismo, de vandalismo típico
dos adeptos do “tudo pelo social”, apimentada pelas ameaças
e expressiva votação de Ségolène, pode-se antever o grau de
dificuldades que Sarkosy terá para salvar a França do atraso
institucional, que a transformou no paraíso da vagabundagem
por conta alheia.
Pode-se
prever, com certa angústia aqui em Pindorama, no que nos transformaremos
e por quanto tempo conviveremos com as burrices, até que um
Sarkosy tupiniquim possa aparecer, acenando a bandeira azul
da libertação nacional.
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Jorge Geisel é advogado.
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