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    Setembro Vermelho

 

       Caio Martins *
       16, Setembro/2004

 

Leia nosso Editorial

O tal jornalismo que o Presidente tachou de covarde denunciou, recentemente, um fato grave, revelador do tipo de ações que o regime tolera, quando não encampa. Nas mais de mil escolas de seus acampamentos e assentamentos, crianças são treinadas para “desenvolver a consciência revolucionária”, e seus heróis são Guevara, Mao Tsé Tung, Ho Chi Min e Marx. A reportagem da revista VEJA informa ainda que a saudação das crianças, ao fim de atos e eventos, é “Sem-terrinha em ação, pra fazer revolução”. Ao todo, as escolas do MST contam com 160.000 alunos, monitorados por cerca de 4.000 professores (pagos pelo contribuinte).

O calendário de comemorações importantes incluem datas como a da Revolução Chinesa de Mao tsé Tung, da Revolução Cubana de Fidel Castro, a morte de Chê Guevara e o nascimento de Karl Marx. Sete de Setembro virou “Dia dos Excluídos”, e a escreve-se “Independência” do Brasil assim, entre aspas, enquanto se prepara a revolução.

O mês da Pátria virou, neste ano, “setembro vermelho”. Maiores informações, basta abrir o Google na pesquisa avançada, digitar MST, depois Escolas. Eleja-se o idioma português, dê-se o período dos últimos seis meses, e estará tudo lá. Recomendo Olavo de Carvalho em www.olavodecarvalho.org.

É a preparação da guerra revolucionária no campo, enquanto nas cidades desarma-se o cidadão de bem sem interferir na vida dos bandidos, enquanto tenta-se calar o Ministério Público e a imprensa, e a guerrilha urbana (leia-se PCC e CV), com sua esteira de assaltos, seqüestros, assassinatos, fornece recursos para o momento em que, segundo a cartilha clássica marxista-leninista, haverá a insurreição das massas e a tomada revolucionária do poder.

Mas, nesse quadro, e o PT? Virou mesmo social-democrata cor-de-rosa? Ou será que clandestinamente está confirmando as declarações de Lula publicadas no Le Monde pouco antes das eleições de 2002 ( “As atuais eleições são só uma farsa, necessária para a conquista do poder” ), ou do petista e assessor internacional Marco Aurélio Garcia, ao jornal argentino La Nación, dia 5/10/2002: — “A impressão de que o PT se moveu para o centro decorre do fato de termos assumido compromissos que se encontram nesse terreno. Isso nos obriga a aceitar inicialmente algumas práticas. Mas, isso não é para sempre.”

Então, o que é para sempre? Se o PT tinha um plano de conquistar o governo, agora age velozmente para conquistar o poder. As já chamadas de “Viúvas de Stalin” têm pressa, enquanto Duda Mendonça passa mel na formicida e os candidatos se apresentam como inócuos social-democratas de última hora, gozando com realizações de governo alheias por não terem nem projeto, nem programas e nem propostas próprias ou verdadeiras.

Mas, como ainda estamos numa democracia, há desavisados que neles acreditam, achando que o diabo não é tão feio quanto parece... Podem crer, é muito pior.

 

 

*Caio Martins foi exilado político de 1969 a 1979, jornalista e publicitário.

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