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A
visita do Papa Bento XVI ao Brasil reveste-se de caráter pastoral
e, sem dúvida, Sua Santidade teve como objetivo mais importante
atenuar a evasão de católicos para as Igrejas protestantes
ou históricas, ou reformadoras (batista, anglicana, presbiteriana,
luterana, metodista) e, sobretudo, para as evangélicas (pentecostais
e neopetencostais). Mencione-se ainda as seitas, que na visão
das igrejas tradicionais são aquelas entidades que, além da
Bíblia, têm outro livro.
Os
pentecostais se multiplicaram no decorrer dos anos e seus
templos se ergueram em todo país, sendo que a Assembléia de
Deus, criada em 1911, expoente do pentecostalismo, se tornará
a maior das Igrejas evangélicas brasileiras. Em 1980, começaram
a aparecer as Igrejas denominadas neopetencostais. A mais
expressiva em termos numéricos e força econômica e política
é a Universal do Reino de Deus.
Quanto
a influência da Igreja católica sobre a América Latina, desde
o início da colonização foi tão grande, que teve toda razão
Carlos Rangel ao afirmar em sua obra, “Do Bom Selvagem ao
Bom Revolucionário”, que nos países latino-americanos “o catolicismo
soberano determinava praticamente todos os aspectos da vida
dos indivíduos e da sociedade”. Sem sombra de dúvida, a cruz
da Igreja e a espada do Estado se entrelaçaram para fazer
de nós o que somos.
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Vera Cruz, Santa
Cruz, Brasil
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A Teologia da
Libertação, incorporando a teoria marxista
à religião, dispensa o sagrado em nome da
utopia final do Reino de Deus aqui mesmo
na Terra. Este reino deve ser alcançado
não exclusivamente pela via sacramental
ou espiritual, mas, se for preciso, e sempre
o é, pela violência, pois se fundamenta
na luta de classes.. Prosseguir
leitura
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O
porre hiperbólico
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O
Autólatra e o Papa
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Recorde-se
que tanto a Espanha quanto Portugal tinham, além de objetivos
econômicos e políticos sempre presentes em empreendimentos
coloniais, a finalidade de propagar a religião católica. Esta
meta conferiu ao Estado daqueles países caráter confessional,
cristalizado no régio patronato. Através desta instituição
os papas outorgavam aos reis: jurisdição disciplinar em matérias
mistas, provisões de bispados, faculdade de reter e examinar
bulas e breves pontifícios, direitos sobre rendas, cobranças
de dízimos e missões como a obrigação de cristianizar os índios.
Através
do régio patronato, Estado e Igreja entrosaram poderes e influenciaram-se
mutuamente. O rei tornou-se uma espécie de suplente do Papa
para assuntos, inclusive, litúrgicos e teológicos. E o Estado
se viu obrigado a submeter suas atuações políticas aos princípios
da moral cristã sob pena de pecar gravemente, o que possibilitava
à Igreja influir sobre a política real.
Como
os demais países latino-americanos, o Brasil receberá a influência
da Igreja junto às famílias, na educação, nas Constituições
e mesmo em campanhas políticas. Desse modo, além de deter
a hegemonia espiritual por longo tempo não admitindo outra
crença ou lealdade, a Igreja católica constituiu-se em um
de nossos principais mecanismos de socialização, portanto,
propiciador de cultura.
Diante
de tanta força, quais seriam as causas da evasão de católicos
para as Igrejas protestantes, evangélicas, e em menor proporção
para outras religiões? Pode-se dizer que entre estas causas
estão, principalmente:
1º)
A aceleração da urbanização a partir de 1940.
O
meio urbano possibilita ao indivíduo maior liberdade e opções
variadas, entre as quais se incluem as religiosas. No contexto
rural onde a vida se passava de forma restrita, o domínio
da Igreja católica era total.
2º)
A Teologia da Libertação, cujos métodos diferem da Teologia
tradicional católica.
A
Teologia da Libertação, incorporando a teoria marxista à religião,
dispensa o sagrado em nome da utopia final do Reino de Deus
aqui mesmo na Terra. Este reino deve ser alcançado não exclusivamente
pela via sacramental ou espiritual, mas, se for preciso, e
sempre o é, pela violência, pois se fundamenta na luta de
classes. Os teólogos da libertação, autodenominados de “progressistas”,
se sentem imbuídos de nova missão evangelizadora da Igreja
na qual a hierarquia se torna dispensável. No seu bizarro
esforço para unir Jesus e Marx, eles proclamam sua opção preferencial
pelos pobres. Entretanto, ao trocarem as pregações religiosas
pelo discurso político, os “progressistas” afugentaram muitos
fiéis que foram buscar em outras Igrejas ou religiões o elemento
espiritual e mesmo emocional que lhes faltava nas pregações
de esquerda dos clérigos da Teologia da Libertação.
Observe-se
ainda, que diminuiu o número de sacerdotes enquanto aumentou
a população, e nem a Renovação Carismática, que adota aspectos
semelhantes aos dos petencostais, tentativa da Igreja para
reverter a evasão de seus fiéis, tem impedido a diminuição
de seu número enquanto aumenta o dos evangélicos.
Num
Brasil onde campeiam de forma avassaladora o amoralismo político
e social, a corrupção e a impunidade, e o “rei” pensa que
o Papa é apenas um garoto propaganda mundial de seus “grandes
feitos”, dificilmente seremos a Terra de Vera Cruz ou de Santa
Cruz como inicialmente fomos denominados. Considerando-se
o livre arbítrio nem milagre de frei Galvão dá jeito no país,
em que pese os esforços de Sua Santidade.
Maria
Lucia Victor Barbosa é socióloga.
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Opinião
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