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   O PORRE HIPERBÓLICO



 

      Jorge Ernesto Macedo Geisel ( * )
      
14, Maio/2006

 

Leia: Editorial

“Aqueles que, conquanto desaprovem o caráter e as medidas de um determinado governo, prestam-lhe sujeição e apoio, são os seus partidários mais conscientes, e por isso, amiúde, o mais sério obstáculo à reforma.” Trecho da obra “A Desobediência Civil”, do norte-americano Henry Thoreau (1817-1860), fonte de inspiração do Mahatma Gandhi, na luta pacífica pela libertação da Índia do jugo britânico”.’

Se há coisa que não deu certo foi o Código Nacional de Trânsito. Igualar multas de Itacotiara com as de Ipanema, só pode ter nascido de um grande porre da centralização legislativa. Pior do que beber dirigindo um veículo é sofrer com os resultados do porre mental governando um país. Beber na estrada, pode fazer algumas vítimas, mas legislar de porre mental costuma vitimar a todos, além de institucionalizar a desobediência à lei. Executá-la de porre, físico ou mental, simplesmente, coroa a demolição geral da sociedade organizada, revelando-se como fator preponderante de fomento à insegurança jurídica geral.

Vera Cruz, Santa Cruz, Brasil

A Teologia da Libertação, incorporando a teoria marxista à religião, dispensa o sagrado em nome da utopia final do Reino de Deus aqui mesmo na Terra. Este reino deve ser alcançado não exclusivamente pela via sacramental ou espiritual, mas, se for preciso, e sempre o é, pela violência, pois se fundamenta na luta de classes. Prosseguir leitura

 

O Autólatra e o Papa

A ABIN do Vaticano, certamente muito mais confiável do que a CIA, deve ter assoprado nos ouvidos do notável Bento XVI sobre as curiosidades de Pindorama. Uma delas, é ter que agüentar os puxões de braço e a intimidade fingida, exagerada das autoridades brasílicas, na tentativa de cooptar, através de falsas demonstrações de afeto ateu, apoio às negociações espúrias. Bento XVI saiu-se muito bem, apesar de sua formação austera, típica do pontifício e de sua origem natal. Levou a coisa toda no sorriso benevolente, superior, e num jogo de corpo que ultrapassou a capacidade física de oitenta anos dos mortais comuns.

Nos jornais de hoje, com Bento XVI já em casa, vê-se que o Papa teve toda a razão do mundo para criticar o autoritarismo, vigente no continente mais católico do mundo. Ele, talvez, jamais possa imaginar quão elevado é o grau de burrice que anda solto pela América Latina. Vivemos sob um porre hiperbólico de autoritarismo. Aliás, o autoritarismo quando não é burro, no mínimo, vem tentar encontrar um bode expiatório para suas próprias mazelas. Noticia-se, então, que um novo PAC foi proposto pelo ministro Temporão, da Saúde. O Globo de hoje, ainda, alerta, para quem não saiba que o ministro não é o próprio poder temporal em ação: “O governo encampou a proposta do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e incluirá no PAC da Segurança a proibição ou restrição da venda de bebidas alcoólicas em bares ao longo das rodovias. A medida é para tentar reduzir o número de acidentes, que custam ao país R$ 22 bihões por ano”.

Ora, a preocupação em lidar com os efeitos desastrosos do trânsito caótico, levam autoridades a exercitar o autoritarismo incidente em suas mentes acidentadas. Não se fala em educação e justiça para o trânsito, mas em golpear a liberdade das pessoas, tirando-lhes a responsabilidade pelas más escolhas. A culpa seria, não da péssima engenharia rodoviária e de tráfego, dos desvios de verbas, ou do policiamento corrupto e truculento, das leis ineficazes, mas da bebida que é vendida legalmente na beira das estradas, aos maiores de idade. A conclusão imediata, é que os motoristas poderão comprar na esquina, próxima à rodovia ou bem antes, não importa, a bebida que quiserem beber em viagem. Mais uma lei idiota, sem qualquer mérito e certamente autoritária. Em breve, quem sabe, ninguém poderá fumar nas rodovias. O sujeito terá que fumar como menino envergonhado, escondendo o pito sob a mão em concha, mas sendo multado por estar dirigindo como maneta... Enquanto isso, a cabine da polícia rodoviária, estará esfumaçada de tanto sufoco...

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( * ) Jorge Ernesto Macedo Geisel é advogado.

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