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Estou cada vez mais convencido de pertencer a uma espécie
em extinção, a merecer legislação
protetora e severa defesa por alguma ONG preservacionista.
Alguém dirá que incorro em exagero, mas não.
Minha espécie está sendo extinta e o que torna
a situação mais dramática é que
isso se dá com a aquiescência e a colaboração
dos próprios membros do grupo. Sem perceberem o tamanho
da encrenca, eles estimulam o processo de eliminação
desencadeado sobre si e acionam os gatilhos das metralhadoras
que seus predadores usam para destruí-los.
Refiro-me à
raríssima espécie dos conservadores, ou seja,
daqueles que são favoráveis à ordem,
à justiça e à liberdade. Refiro-me à
espécie dos que não gostam que invadam o que
é seu nem o que é dos outros. Defendem a civilização,
a instituição familiar e os valores da tradição
judaico-cristã. Atribuem importância à
disciplina e concedem especial deferência aos idosos.
Julgam que as mulheres são credoras naturais da cortesia
masculina. Desagradam-se ante a violência e seu uso
como alternativa ao processo político e democrático.
Têm ideais elevados, mas são contra as utopias,
em nome de cuja inatingibilidade são cometidas as piores
perversidades. Crêem que as necessárias mudanças
sociais devem ser produzidas no contexto das instituições,
preservando-se o que tem comprovado valor moral e utilidade
prática.
Sou
conservador, sim, porque a história me ensina que é
de tais conteúdos e condutas que provêm a paz,
o progresso, a harmonia social e os princípios em que
melhor se aciona a democracia. É neles que se inspiram
os maiores estadistas da humanidade. Sou conservador e percebo,
contristado, que, colocando-se ao gosto da moda e cedendo
ao impacto da cultura imposta pelos nossos predadores, muitos
que pensam como eu reproduzem, inocentemente, o discurso que
os condena à extinção.
Agora,
por exemplo, é Natal. Mesmo? Olha que ando por aí
e só vejo trenós, constelações
de estrelas, toneladas de algodão, multidões
de papais-noéis, pilhas de caixas embrulhadas para
presente. E quase não vejo presépios ou mensagens
que lembrem o fato que faz a festa: o nascimento de Jesus.
Mas como eu sei que é Natal, e sou conservador, insisto
em desejar aos leitores que ele ganhe, em seus corações,
o sentido almejado por Deus em sua radical e santificadora
intervenção na História humana. Feliz
Natal!
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