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O
presidente da República disse na posse do novo ministro da
Defesa, Nelson Jobim, que tem medo de viajar de avião. Algo
muito humano, cuidadosamente escolhido para provocar empatia
com os milhões de brasileiros que mais uma vez o assistiram
pela TV. Afinal, quem não tem seus receios em alçar-se aos
céus? Entretanto, Lula da Silva, que já bateu recordes em
viagens nacionais e internacionais, pode dizer sem susto que
avião é o meio de transporte mais seguro que existe. Não só
pelo luxo do aparelho apelidado de Aerolula, que vive a transportá-lo
e as suas comitivas, mas pelos cuidados especiais que, naturalmente,
são dispensados às viagens de um presidente da República.
Contudo,
Lula está com medo de muito mais. Pela primeira vez percebeu
que o altar do culto da personalidade, que para ele foi construído,
pode estar desmoronando. Acostumado aos auditórios compostos
por convidados especiais que sempre o aplaudem ou riem do
seu besteirol, aos comícios encomendados onde exercita sua
ferve, mistura de repentista com animador de auditório, o
presidente ficou extremamente chocado com as vaias recebidas
no Maracanã. O horror foi tamanho que preferiu se esconder.
Afinal, a festa de abertura do Pan deveria ser o palco iluminado
a lhe conferir intenso brilho pontuado por aplausos estrondosos.
No entanto, ficou ele pateticamente, ridiculamente, de microfone
na mão. Foi calado pela sexta repetição das vaias de 90 mil
gargantas.
Como
a memória do povo é curta, certamente os propagandistas do
presidente entenderam que bastaria armar alguns palcos artificiais
para que o constrangimento fosse esquecido. A mídia se calara
sobre o colapso aéreo, enfatizando apenas boas notícias. Mas
eis que acontece outro acidente, pior do que o de setembro
do ano passado do ponto de vista do número de mortos.
Com
relação a primeira tragédia, muitos petistas chegaram a atribuir
as manifestações que se avolumavam nos aeroportos por passageiros
desesperados diante de vôos cancelados ou atrasados, aos chiliques
da “elite branca”. Um evidente atestado de que os adeptos
e defensores de Lula da Silva não sabem que o significado
de elite é produto de qualidade. Em todo caso, os marqueteiros
reais estavam tranqüilos por considerar que a maioria que
viaja de avião pertence à classe média. Como os pobres estão
felizes com as bolsas-esmola e os ricos com os grandes lucros
auferidos sob o governo de LILS, deduziu-se que as aflições
dos “pequenos burgueses” não contavam. Estes servem para sustentar
o luxo da “corte” com seus impostos e continuar a votar em
Lula da Silva.
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Vera Cruz, Santa
Cruz, Brasil
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A Teologia da
Libertação, incorporando a teoria marxista
à religião, dispensa o sagrado em nome da
utopia final do Reino de Deus aqui mesmo
na Terra. Este reino deve ser alcançado
não exclusivamente pela via sacramental
ou espiritual, mas, se for preciso, e sempre
o é, pela violência, pois se fundamenta
na luta de classes.. Prosseguir
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Entretanto,
o segundo acidente impressionou os brasileiros de todos os
recantos desse imenso país. Mostrado amplamente na televisão
abalou não só as famílias das vítimas, mas até os que não
são usuários do transporte aéreo. Surgiu também, pela primeira
vez, a percepção de que o governo e sua figura maior, o presidente
da República, tinham algo a ver com aquilo.
Então,
mais Lula temeu e se escondeu. Somente três dias após a tragédia
o presidente surgiu em cadeia de rádio e televisão para representar
um ato em que tentou passar emoção, mas que falhou na conquista
do público.
Antes
o desgaste governamental ficara por conta da ministra do Turismo
e ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, que como uma Maria
Antonieta dos trópicos que mandasse dar brioche ao povo, aconselhou
aos sofridos passageiros que se acumulavam nos aeroportos
que relaxassem o gozassem. Após o acinte e em pleno clima
de luto brasileiro assistiu-se aos gestos obscenos de Marco
Aurélio Garcia, o chanceler de fato e vice-presidente o PT,
e de seu assessor, a provar que o senhor Garcia está interessado
apenas na continuidade do poder. Ele sabe que para isso deve
preservar a imagem do chefe, garantia de privilégios e imunidades
para todos os companheiros. Em que pese o apoio do seu partido,
a demonstrar o modo de ser petista, o escárnio e a estupidez
do assessor do presidente soou como mais uma bofetada no rosto
dos brasileiros.
Como
se não bastassem todas essas ofensas e condutas impróprias
a detentores de cargos importantes, o comandante da Aeronáutica,
Juniti Saito, condecorou alguns companheiros da Anac, cujo
descaso, despreparo e irresponsabilidade relativos ao colapso
aéreo são visíveis.
Diante
de todas as afrontas de seus auxiliares diretos o presidente,
em vez de demiti-los, se escondeu. Ficou com medo de ir ao
Sul e ao Sudeste e como um neo-coronel preferiu montar seu
auditórios de ficção no nordeste. Não escapou, porém de vaias
em Aracaju.
Lula
trocou finalmente o ministro da Defesa. Pretende se escorar
em Nelson Jobim, o ex-presidente do STF que julgava politicamente
e não de acordo com a lei. Na posse do ministro Lula riu,
fez os costumeiros gracejos à moda do Faustão, mas, quem diria,
está com medo. Nem Regina Duarte poderia imaginar isso.
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Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
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