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Nada dura para
sempre, tudo está em constante mudança, mesmo assim, nossa
sede de infinito dá aquela falsa sensação de que viveremos
indefinidamente. Os moços não cogitam da velhice que lhes
parece remota. Os velhos não pensam na morte que se aproxima.
Os que estão no poder não imaginam que mais dia menos dia
perderão seu domínio e seus privilégios.
Se
não há mal que dure para sempre o bem também não dura. Aliás,
o bem traduzido em termos de felicidade dura menos que o mal
que é o locatário do mundo. Basta observar que a história
mundial registra mais déspotas do que governantes benfazejos,
mais tiranias do que democracias.
Ao
mesmo tempo, isso parece demonstrar que, apesar da instabilidade
das formas ilusórias da existência há uma essência que traduz
a única coisa imutável da natureza humana: a ignorância com
seu séqüito de desgraças tais como o desamor, a inveja, a
ganância, o culto da mentira, o egoísmo, o hedonismo, a ambição
desmedida, enfim, essas características do animal mais evoluído
e mais cruel do planeta: o homem.
Em
determinadas épocas os traços negativos da humanidade se acentuam
em determinadas sociedades e, em alguns casos, contaminam
o mundo. Esse tipo de pestilência tem como núcleo certas formas
de poder. No século passado, por exemplo, o mal esteve por
excelência não tanto nas duas guerras mundiais, mas nos totalitarismos
representados pelo nazismo e pelo comunismo.
Terminada,
porém, a Guerra fria, derrubado o Muro de Berlim, o mal continuou
a despontar aqui e ali com outras formas. Na América Latina,
que parecia expurgada de seu histórico autoritarismo, emergiram
populistas sedentos de poder que pensam durar para sempre
no comando arbitrário de seus povos.
Em
Cuba, pequenas mudanças já são perceptíveis na medida em que
Fidel Castro se encontra praticamente mumificado. Se isso
é bom para os cubanos, não se pense que o sucessor de Fidel
no cenário latino-americano é seu irmão Raúl Castro. O herdeiro
do tirano da Ilha atende pelo nome de Hugo Chávez e este tem
seguidores na Bolívia, no Equador, na Nicarágua, agora no
Paraguai e, porque não, na Argentina e no Brasil. E quanto
mais sobe o petróleo, mais Chávez, o bem armado, amplia sua
influência sobre seus comandados e sobre os muy amigos.
Gira
o mundo e sinais de mau agouro se desenham no horizonte das
transformações. Em termos políticos, nos Estados Unidos a
vitória de Barack Obama, tido por muitos como anti-semita,
mulçumano e de esquerda traria conseqüências imprevisíveis
para o planeta globalizado.
Na
economia fala-se em fome mundial, especialmente para os mais
pobres, ressuscitando-se, em pleno século 21, a tese de Malthus
segundo a qual o crescimento populacional seria maior do que
a produção de alimentos. Sobe absurdamente o barril de petróleo.
A crise da economia americana turva o céu de brigadeiro que
possibilitou a calmaria, inclusive, dos países subdesenvolvidos.
No
Brasil algo começa a mudar na economia, como não poderia deixar
de ser. Um velho filme de terror está sendo reprisado e tem
como título a volta da inflação, que o Plano Real havia eliminado.
Inútil se torna a costumeira manipulação de dados pelo governo,
pois o povo já percebe a subida do preço dos alimentos, sendo
que já há previsão de alta da gasolina. Reivindicações do
Paraguai relativas à Itaipu, que possivelmente serão atendidas
pelo governo brasileiro, elevarão ainda mais o preço da energia.
E torçamos para que Evo Morales não resolva fechar de vez
a torneira do gás, pois as conseqüências para nós seriam as
piores possíveis.
Para
além da economia, outras coisas vão mudando no Brasil, e para
melhor. Significativa e importante foi a opinião do Comandante
da Amazônia, general-de-exército Augusto Heleno Pereira, que
durante palestra no Clube Militar do Rio de Janeiro se declarou
contra a demarcação de imensas terras indígenas na fronteira,
portanto, contra a reserva Raposa Serra do Sol, "uma ameaça
a soberania nacional". O general criticou também a política
indigenista que considera lamentável e caótica, e ainda ousou
afirmar, muito apropriadamente, que o "Exército serve ao Estado
e não a governos". Sua voz ecoou na mídia e se destacou do
coro dos medíocres, dos estultos e dos acovardados que pululam
nas diversas instituições do País.
Também
a posse do ministro Gilmar Ferreira Mendes na presidência
do STF ressuscitou a esperança de se encontrar na Justiça
a verdadeira e legitima autoridade, aquela que se faz respeitar
ao respeitar as leis. O ministro criticou o "modelo de edições
de medidas provisórias" que paralisa o Congresso, a ação de
movimentos sociais, a idéia do terceiro mandato e ainda defendeu
o papel do Judiciário na consolidação da democracia.// Alguma
coisa está, portanto, mudando. Afinal, "nada será como hoje
amanhã".
Maria Lucia Victor
Barbosa é socióloga
mlucia@sercomtel.com.br
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Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
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Opinião
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