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Os
Estados Unidos emergiram para o mundo sob a divisa virgiliana:
Novus Ordo Seculorum. Era a idéia de uma nova ordem que traduzisse
uma idade de ouro e os norte-americanos se propunham a construir
uma sociedade democrática, liberal, onde predominasse a igualdade
de oportunidades. Nas colônias inglesas entranhava-se com
força o pensamento liberal de John Locke, no qual se destacam
os direitos humanos traduzidos nos direitos naturais a que
todos deviam ter acesso: a vida, a liberdade, a possibilidade
de se alcançar a felicidade. Coroando a influência do liberalismo
a importância da lei sintetizada na máxima de Locke: “onde
a lei acaba começa a tirania”.
O
extraordinário progresso que foi sendo conquistado pelos Estados
Unidos desde o início perturbou terrivelmente os latinos.
E no final do século XIX, princípio do século XX, segundo
Carlos Rangel em sua obra Do Bom Selvagem ao Bom Revolucionário,
“as classes dirigentes latino-americanas foram levadas a formular
explicações ou a procurar desculpas para o fracasso de suas
sociedades em comparação com a sociedade norte-americana”.
Desde então a justificação para nossas frustrações, nosso
populismo, nossa incompetência, nossa corrupção, nossas sociedades
desiguais repousam numa afirmação simplista baseada em nítido
escapismo: a culpa de tudo é do imperialismo norte-americano.
Em
1992, Francis Fukuyama agitou o mundo acadêmico ao reapresentar
a idéia do fim da história, que teria como processo evolutivo
final a democracia liberal. Entenda-se por democracia liberal
o sistema onde prevalecem as liberdades civis – como a liberdade
de expressão, de religião, de associação, de mercado, etc.
– as eleições livres, o multipartidarismo. Era a contraposição
à teoria marxista, segundo a qual o fim da história seria
o triunfo do comunismo. Recorde-se que na etapa anterior prevista
por Marx, o socialismo, quando posta em prática exibiu o avesso
da democracia liberal, ou seja: anulação da vida individual,
nenhuma liberdade, banimento da democracia, impossibilidade
de se alcançar a felicidade num sistema onde a tirania estatal
e do partido único desrespeitaram completamente os direitos
humanos.
Acredito
que tanto Fukuyama quanto Marx, ao retomar cada um à sua maneira
a idéia do fim da história originária de Hegel se equivocaram
porque na verdade a história evolui em ciclos que alteram
períodos de maior progresso aliado à liberdade e etapas em
que prevalece o atraso vinculado ao despotismo.
No
momento certos fatos indicam que uma nova ordem pode estar
se esboçando e com ela a emergência de um novo governo mundial
ou potência hegemônica, que congregue forças assemelhadas
e submeta aquelas que não forem convergentes com seus interesses.
E se governos invisíveis tramam no segredo de seus bastidores
as redes do poder capazes de manipular a quase totalidade
do rebanho humano, alguns acontecimentos e seus desdobramentos
estão bem visíveis e alertam para futuras mudanças que, naturalmente,
não se darão em curto prazo. Examinemos, então, primeiramente
o que ocorre na América Latina:
Na
América Latina emerge com mais força o Foro de São Paulo,
aglomerado de partidos de esquerda, narcoguerrilheiros, terroristas.
Esta entidade que teve entre seus fundadores Lula da Silva
é freqüentada por assessores influentes do presidente como
Marco Aurélio Garcia, o chanceler de fato, quem realmente
comanda nossa política externa.
O
fortalecimento do Foro de São Paulo foi favorecido pela ascensão
do despótico Hugo Chávez, que ao mudar a Constituição da Venezuela
depois de dominar o Legislativo e o Judiciário com o fito
de perpetuar-se no poder, ensinou o caminho da falsa democracia
aos seus seguidores e simpatizantes. Chávez tem exercido influência
cada vez maior na América Latina e os que não o acompanham
sofrem consequências. Assim, o venezuelano arma as Farc para
destruir o poder de Uribe na Venezuela e prega o aniquilamento
da resistência na pequena e valente Honduras, que expulsou
outro seguidor seu, o presidente deposto, Manuel Zelaya, que
estava prestes a seguir os métodos chavistas de perpetuação
no poder em flagrante desrespeito à Constituição de seu país.
O Brasil, que devia ser o líder regional, acompanha Chávez
e entrega vergonhosamente o que é nosso para compadres vizinhos,
além de se associar ao que há de pior no mundo.
Nos
Estados Unidos, o vitorioso Barack Hussein Obama, saudado
em todo o planeta como o cara que salvaria o mundo da crise
econômica, levanta por suas atitudes populistas e pela complacência
com certos governos, dúvidas sobre a continuidade da ordem
mundial que privilegiou a democracia e o liberalismo. Já se
fala no G2, ou seja, Estados Unidos e China e muitos profetizam
que a China será a futura potência mundial.
Em
Jerusalém, onde houve protestos contra a política de Obama
que se opõe a construção de assentamentos em Jerusalém oriental,
disse o rabino Eliezer Waldman: “Esteja atento, Obama”. “Esta
audácia irá acarretar a queda da liderança americana”.
Será
que a queda está programada? Será que já começou? Em todo
caso, a serem mantidas as características do momento a nova
ordem mundial que delas se esboça não parece nada agradável
para se viver.
(
* ) Maria Lucia Victor Barbosa
é socióloga.
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