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Já
mencionei em artigo que a leitura de jornais velhos é
bem interessante. Especialmente as matérias relativas
à política mostram claramente algumas coisas,
dessas corriqueiras, tais como: traição, mentira,
não cumprimento de promessas, negativa na prática
dos discursos, sobretudo os de cunho ideológico e uma
cultura do cinismo que chega a ser espantosa. Se essas atitudes
são comuns aos seres humanos, acentuam-se de forma
mais evidente no palco do poder. Assim, as metamorfoses ambulantes
dos nossos governantes, que nos surgem em jornais passados,
ajudam a refrescar a memória. Aliás, é
costume dizer que a memória do povo é curta,
verdade incontestável, sendo que uma curiosa e recente
experiência científica demonstrou que os chipanzés
ganham dos humanos quando se trata da capacidade de memorizar.
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Vera Cruz, Santa
Cruz, Brasil
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A Teologia da
Libertação, incorporando a teoria marxista
à religião, dispensa o sagrado em nome da
utopia final do Reino de Deus aqui mesmo
na Terra. Este reino deve ser alcançado
não exclusivamente pela via sacramental
ou espiritual, mas, se for preciso, e sempre
o é, pela violência, pois se fundamenta
na luta de classes.. Prosseguir
leitura
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No
Brasil parece que realmente perdemos para nossos simpáticos
primos macacos. Para começar, sabemos pouquíssimo
sobre nossa história e muito menos sobre história
mundial. E como somos parcos em heróis e tradições,
nossos valores estão ligados àquilo que nos
parece ser mais importante em termos de destaque coletivo,
ou seja, o futebol. Já nossos ídolos não
são mártires, estadistas ou vencedores do mundo
empresarial. Diga-se de passagem, que odiamos a riqueza alheia,
sempre vista com grandes desconfianças, apesar de desejarmos
ardentemente sermos ricos.Na verdade, o que nos empolga são
artistas ou cantores populares em seus fugazes momentos de
glória. Faz também imenso sucesso programas
televisivos como Big Brother Brasil que, ao espelhar através
de seus participantes, mazelas sociais como mau-caratismo,
vulgaridade, mediocridade, total ignorância dos mais
básicos conhecimentos e abundância de anti-valores
provocam aquela profunda e deliciosa sensação
de identificação com os vencedores do glamouroso
mundo da fama. Então, bem lá no seu íntimo,
o homem comum, frustrado com sua vidinha desenxabida, conclui
exultante: sou igualzinho a eles.
Mas, não apenas o desconhecimento
da história é nossa marca registrada. Fatos
recentes também nos escapam. E para piorar, ficou demonstrado
que a Educação brasileira vai tão mal
que nossos estudantes não entendem o que lêem
e amargam a rabeira em matemática numa vasta lista
de países. Conclui-se que passamos da civilização
baseada na escrita e na racionalidade para a civilização
auditiva, visual e emocional.
Desse modo, somos presas fáceis
dos demagogos, dos populistas, dos tiranetes que satisfazem
sua desmesurada ânsia de poder simulando ajudar os pobres,
enquanto os mantém na pobreza através de caridades
oficiais.
Na América Latina isso tem
sido uma constante com momentos históricos em que a
emergência de caudilhos é acentuada. Eles dão
esmolas aos pobres, lucros aos ricos e carregam a classe média
com impostos, fonte do sustento de suas cortes nababescas
e perdulárias. Mas seu suporte político vem
mesmo da classe mais baixa, sequiosa de um pai que lhe prodigalize
facilidades e sedenta de revanche perante as classes médias
e altas, que nem sempre, mas muitas vezes, não tratam
bem os de baixo, além de estabelecer o
contraste que, na sociedade de apelo desenfreado ao consumo,
chega a ser doloroso.
É nesse caldo cultural que
vicejam com êxito os Fidel Castro, os Hugo Chávez,
os Evo Morales, os Rafael Correia, e, porque não, os
Lula da Silva e tanto outros que já passaram em nossas
plagas latino americanas e que ainda surgirão, pois
a mentalidade do atraso, que rejeita a riqueza e a democracia
dos países capitalistas, apóia em nossos países
a esquerda que, explorando o recalque, o complexo de inferioridade
e a inveja, promove subliminarmente aquilo que tem como base
esses ingredientes, ou seja: a luta de classes.
Quanto aos que governam em nome da
esquerda, ao invés de promover o verdadeiro desenvolvimento
de suas nações, através do tripé:
Saúde, Educação e Trabalho, apelam para
o discurso fácil e emocional das promessas ilusórias,
aproveitam da pouca instrução do povo para anestesiá-lo
com falsa propaganda e pretendem viverem felizes para sempre
nas suas cortes de luxo e corrupção, visto que
na América Latina não se valoriza a verdadeira
democracia porque não se tem noção do
que isto significa.
Há, porém, por conta
de origens coloniais e históricas uma diferença
marcante entre nós e nossos vizinhos: eles sabem se
opor a governos indesejáveis e radicalizam suas atitudes
políticas, inclusive, sendo capazes de morrer por seus
ideais.
Venezuela mostrou isso no recente
referendo quando Chávez levou um por que não
te calas, não de um rei, mas do povo. Como bom
democrata, segundo os petistas, e democrata elegante, conforme
nosso chanceler de direito, Celso Amorim (o chanceler de fato
é Marco Aurélio Garcia, aquele dos gestos obscenos),
Chávez disse que a vitória de seus oponentes
era de m... Só esqueceu de que o povo o mandou a isso
mesmo. Aprendamos a lição dos venezuelanos.
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Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
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Opinião
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